Oliveira Barros
Desmontagem de “Morabeza” – Coimbra-73
Das revoltas da nossa África
pacificada pelos canhões e desarmada pela cruz
ensinaram-nos “gente-gentio-que-come-gente”
a selva o selvagem e os monstros da nossa infância.
Assim começou
o que portugal vem chamando
nossa cultura diferente.
─ Em tempos dessa remota subjacência
cabo verde cantou a adjacência…
Num paraíso de “Bapor di Sul na Mar”
esperando contratados,
de cadáveres entulhados pelos caminhos
de isolamento, fome e enterros coletivos,
nasceu a mitologia
do sentido da festa, de arte de receber
do nosso abraço envolvente afável cativante,
“Morabeza” é essa estranha florescência
do tempo da fartura ilusória
da farinha de mandioca.
“Morabeza” chocolate, please!
“Morabeza” cigarrette, please!
Money, please, please, please!
“Morabeza” é mendicidade de cicerone em pele e osso.
“Morabeza” é sexo comerciado em todas as línguas
com marinheiros de todos os mares.
“Morabeza” hoje
que negreiros em versão moderna
deixaram Cabo Verde r…