quinta-feira, janeiro 31, 2013

Regionalização

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Sigo com interesse e atenção os textos que vêm saindo on line sobre a regionalização em Cabo Verde. Interessa-me sobretudo, na verdade, o tema reforma do Estado.

A meu ver o modelo, estrutura e organização do Estado e da Administração Pública merecem um debate para os dias de hoje e para os desafios futuros.

Os textos colocados deixam nas entrelinhas aspectos que parecem ser preocupantes, pois parecem nos induzir à leitura de que temos internamente um País Basco, como já se começa a defender, com língua própria, uma cultura própria, um povo particular e muitas vezes ainda, tenta-se passar a ideia de uma entidade tipo "Special One" e divina.

Pessoalmente quando vejo para a questão da regionalização, lembro-me imediatamente de que sou do interior da Ilha de Santiago, tenho irmãos Mindelenses e Salense, meu cunhado é de Santo Antão, meus primos directos estão no Fogo e tenho amigos de peito em quase todas as ilhas. Estas pessoas são todas cidadãos comuns que merecem ser respeitadas quando se formulam políticas públicas.
À priori sou forçado a pensar num "global in CV".


Cabo Verde de hoje não se compadece com objectivas para uma foto apenas. Uma lente mais matricial será necessária na abordagem desta questão tão importante.

O que se espera do pessoal que já está nas ruas lançando o "Movimento R", é pensarem a Regionalização como necessária sim, mas não olhando apenas para a região do seu umbigo.

Caso contrário, isto dará para o torto.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Cruzeiros

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Há dias tive a curiosidade de ir ver o navio Cruzeiro atracado aqui na Praia e falei com vários turistas, de entre os 3 mil a bordo. Fiz algumas perguntas depois de terem visitado a Cidade da Praia.

Pergunta 1: O que achou da Cidade?
Resposta: Muito Bonita.

Pergunta 2: Quanto Gastou?
Resposta: Quase Nada.

Hoje chegou mais um navio com mais 3 mil a bordo.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Selecção Nacional Nos Quartos de Final - Continua o Sonho!

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Cabo Verde faz história com a passagem aos quartos de final na CAN 2013.
Força Selecção.

sábado, janeiro 26, 2013

Carlos Modesto Lança "Estórias"

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É para mim um prazer enorme fazer aqui eco do CD "Estórias" do Carlos Modesto, Tcharles para aqueles que ainda se lembram do tempo do Abel Djassi aqui na Praia.

Carlos Modesto, hoje um jazzista e guitarrista fino, sintetiza neste trabalho em quarteto a sua forma de estar na música. Com estética, com leveza e sobretudo com inteligência e trabalho.

Ouvir e apreciar o som deste amigo e companheiro nosso me dá uma felicidade que vocês nem podem imaginar. Em nome de todos os colegas Tcharles, um obrigado pela amizade e pela música.



sexta-feira, janeiro 25, 2013

Biblioteca Universitária e Confort Zone

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O Ministério do Ensino Superior, Ciência e Inovação lançou há dias o site da Biblioteca Digital (http://www.bibliotecauniversitaria.gov.cv). Segundo o Ministério, " Num encontro entre as associações estudantis e o Ministro do Ensino Superior, eis que surgiu uma solução inovadora. Estes sugeriram a criação de um portal de material didáctico básico, em acesso livre. Concebido para proporcionar material básico, o projeto experimental B-U (Biblioteca Universitária para o Ensino Superior), nascido desse encontro, representa uma resposta à altura da demanda."

Constitui sem dúvida uma iniciativa interessante procurar integrar conteúdos num espaço em que a comunidade académica e sociedade possam interagir com o conhecimento em diversas àreas. Aliás, neste aspecto, a Universidade de Cabo Verde vem desde 2007 investindo na consolidação do seu Portal da Biblioteca. Um aspecto que eu gostaria de trazer aqui como sugestão e eventualmente para discussão, é pensarmos estas iniciativas para ao mesmo tempo não nos limitar na abrangência dos conteúdos.

A discussão à volta das bibliotecas digitais, e já agora sobre o ensino on line já tem uma história e experiência acumuladas que nos obriga a estar atentos. Na minha perspectiva lançar a nossa Biblioteca Universitária sem no mesmo instante colocar claramente e em destaque os links para  os recursos testados e free da MIT Open CourseWare, MIT EDX (MIT-HARVARD Initiative), TED, ITunes U, Khan Academy, ou GOOGLE Education e outros, constitui um desconhecimento da realidade da educação on line ou então uma tremenda "finta" aos alunos e à comunidade académica.

Uma discussão sobre isto parece ser oportuno, até pela necessidade real que enfrentamos, para se mexer no paradigma do sistema,  e no processo de ensino e aprendizagem em Cabo Verde. Sei que muitos virão com o argumento da barreira linguística, mas discutir isso seria como discutir o óbvio. É ficar no Confort Zone, quando na verdade precisamos todos de "Unlock Knowledge and Empower Minds"

sábado, janeiro 19, 2013

A Tampa do meu Boulevard

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Há um problema com esta TAMPA no meu Boulevard. Acontece um arrebentamento sonoro sempre que um carro passa por cima. Dia e noite.

O Instituto de Estradas diz que não tem a responsabilidades nesta matéria, a Câmara Municipal diz que a Electra é  a entidade responsável para resolver o problema e a Electra não atende às chamadas telefónicas.

É de loucos. Que cidade é esta?

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Estará alguma coisa a mudar?

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A estátua do Amilcar recebeu mais um banho. Será que os apelos surtiram algum efeito?

O próximo desafio? Fazer do espaço um digno largo Amílcar Cabral e declara-lo património nacional.

Pela História.

terça-feira, janeiro 15, 2013

Kaká Barbosa faz elogio fúnebre ao Tio Joãozinho

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ELOGIO FÚNEBRE A TIO JOÃOZINHO

João Alves, de seu nome de casa, Nhô Djonsinho, epíteto que deu nome à rua onde morava, na Achada Santo António, de há 50 anos, natural da Ilha do Fogo, nascido a 06 de Abril de 1924, despede-se, é como se nos tivesse oferecido uma derradeira arcada longa, longa de 88 anos de melodias, de harmonias, de desarmonias, de consonâncias divertidas em “Dó Maior” e de chagas dolentes em “Si menor” e de ânsias futuristas em “Sol Maior”. Deixou-nos o mestre do violino, o pai, o cidadão, o amigo, o pedreiro de tantas pedras talhadas e de tantas paredes erguidas neste chão Pátrio. 

Ele, João Alves, último da linhagem do meu falecido pai, acaba de nos deixar, para, na constelação dos grandes brilhar como aqueles cuja obra transcende os limites territoriais das ilhas que os viu nascer. A obra de João Alves é um rico testemunho de como se constrói e se protege uma família, de como se tutela os tomados e educados como filhos, de como se cultiva a benquerença.

Nhô Djonzinho Alves está no epicentro dos êxitos que marcaram e produziram a contemporaneidade do panorama musical caboverdiano. Músico, violinista com mãos de pedreiro, profissão que sempre abraçou com igual competência, que, de dia, de ferramenta em punho construía moradias, à tardinha ensaiava melodias, dando corpo à música com o violino que o acompanhou há vários anos e, aos fins-de-semana, animava os sítios onde era chamado a actuar. Para Nhô Djonsinho, a música representava um estado de espírito, mas ao mesmo tempo uma sabedoria que, com mestria soube tocar a alma dos filhos e de todos aqueles que compartiam dessa escola de virtudes. 

No momento da morte de um grande, sentimo-nos demasiado pequenos para compreender e explicar a humildade, a tolerância e a grandeza de espírito dos homens de bem, acontecimento que neste momento se celebra. Contudo, somos suficientemente adultos para nunca esquecer deste ícone vivo e do legado a nós deixado, porque de grandeza humana e universal.

A memória de João Alves, do Tio Djonzinho, fixa-se no rosto da letra que dá nome à sua rua, e, fixa-se, também, para todo o sempre, na sua carreira musical, fazendo da música uma arma da continuidade do imprescindível ao sustento da identidade de um povo, mas também um instrumento de promoção da música e da civilidade e da promoção dos valores da cultura nacional. Por isso tudo, por tudo o que fizeste, construíste e nos deixaste, atrevo-me a dizer com toda a classe, provaste como se conquista o “ Mestrado na Universidade da Vida”. 


Meu caro amigo, meu tio, meu artista, meu inspirador. Nada disseste. Não disseste se “Vais Voltar” para uma “Tocatina de Domingo” à varanda fresca da tua casa, ou para me contares as histórias antigas, as de como meteste os meninos no Lá-Mi-Ré da arte de criar arte.

Partiste com a idade do teu primo irmão, meu pai, 88 anos, de forma serena, deixando-nos mais tristes, mais sós e mais órfãos, mas, ao mesmo tempo, mais fortes, mais homens! Seremos, pois, na partitura das nossas vidas e da nossa indefectível consanguinidade, os novos maestros, os donos de mão segura do teu exemplo, como forma de honrar a tua memória. 

Meu caro amigo, meu tio, meu mestre, meu artista, meu inspirador, se eu tivesse o engenho e a arte dir-te-ia coisas ainda mais lindas do que estas arrancadas do canteiro destroçado do meu peito. 
Lembrando uma das tuas singulares arcadas e, rezando baixinho, pediria ao “Senhor para escutar a minha voz”, dizendo-lhe que estamos aqui para nos despedirmos de ti. Dizendo-lhe que a suavidade da tua alma merece as honras e as excelências do paraíso que te acolherá.

Estamos todos, dizendo-te, num curto adeus de sonoridades, que ouviremos as tuas melodias para que a tristeza se converta num fio de esperanças novas e de dias cheios de ventura e de fraternidade.
Descansa em paz, no reino do Senhor, disse a Igreja de Deus, e na paz dos poetas, cantores, criadores de boniteza e de embalos, dir-te-emos. 
Até sempre. 

Praia, 14.01.13 – Carlos Alberto Barbosa - Kaká Barboza

domingo, janeiro 13, 2013

Um minuto de Silêncio pa Djonsinho Alves - (1925 - 2013)

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Um abraço forte e sentimentos para toda a família. Djonsinho Alves é obra. Deixou música, deixou filhos músicos de alta qualidade e deixou uma rua com o seu nome gravado. Para todo o sempre.