Produção de Conhecimento in House

10:39 da manhã Angelo Barbosa 0 Comments

Os investigadores Cláudio Furtado, José Carlos do Anjos e Crisanto Barros têm produzido reflexões sobre temáticas que interessam à sociedade caboverdiana. Leia e partilhe estes trabalhos.

Prof. Claúdio Furtado

 "A identidade cabo-verdiana tem sido objeto de questionamentos, dúvidas e disputas em que a condição arquipelágica, o tipo de povoamento e de colonização não são de todo alheios. Diríamos que são estruturantes nas ambiguidades, ambivalências e contradições que perpassam as múltiplas narrativas (re)produzidas, apropriadas e reapropriadas nos mais vários momentos da história de Cabo Verde, bem como das práticas que dão concretude às relações sociais entre os cabo-verdianos e entre eles e os outros, particularmente os europeus e os africanos continentais. Uma profusão de ensaios, teses e livros tem sido produzida e tematizado a problemática da identidade, o que, a nosso ver, reitera a ambiguidade, cuja dimensão existencial não pode ser descurada, que a comporta. Ademais, tal profusão tende a demonstrar a complexidade da questão e seu não esgotamento. O presente texto não tem a pretensão de exaurir a reflexão sobre a questão. Antes, propõe discutir as formas como a sociedade cabo-verdiana, tanto as suas elites intelectuais e políticas quanto o cidadão comum, tem enfrentado o processo de construção identitária numa encruzilhada, a um só tempo, espacial e simbólica."


Prof. José Carlos dos Anjos

"O artigo pretende lançar algumas pistas iniciais de história comparativa de gradientes ontológicos de raça na modernidade. O núcleo empírico da análise é a dissolução da categoria raça no interior da ilha de Santiago de Cabo Verde no século XX, apesar da insistência dos mais poderosos senhores de terra, e a persistência de raça no Brasil, apesar da insistência do Estado em apagar a categoria dos discursos oficiais, no século XX dos governos autoritários."

Texto: A variação ontológica de raça na modernidade: Brasil e Cabo Verde

Prof. Crisanto Barros

"A administração do Estado moderno cabo-verdiano, que resulta das profundas mudanças instituídas no decurso da segunda metade do século XIX, é feita, em grande parte, por naturais do arquipélago, cujo recrutamento ocorria predominantemente no seio das famílias mais favorecidas. Essa tendência prevalece ainda ao longo do século XX, conhecendo, entretanto, alguma alteração a partir dos finais do ano sessenta desse século. O presente artigo pretende analisar a ascensão de indivíduos das camadas populares a posição de elite político-administrativa com a institucionalização do Estado nacional a partir de 1975. No escopo deste ensaio, focalizaremos a nossa análise sobre as trajectórias da elite político-administrativa proveniente dos estratos sociais mais desfavorecidos da sociedade cabo-verdiana, procurando compreender as condicionantes históricas e as estratégias individuais e familiares que contribuíram para que sua presença se tornasse mais frequente no decurso do último quartel do século XX."

Texto: A ascensão dos pobres a posições de elite político-administrativa no contexto do Cabo Verde pós-independente

You Might Also Like

0 comments: