quarta-feira, junho 05, 2013

Mayra - Lovely Difficult contribui para o debate!

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Novo single chama-se “We used to call it love” e chega hoje ás rádios. Novo álbum, o 4º de originais intítulado “Lovely Difficult”, chegará em setembro.

Mayra Andrade é lovely – adorável, generosa e radiante. A sua voz baseada nas suas raízes, distinta, poética e tropical, foi imediatamente descrita há uns anos atrás como reflectindo "outro Cabo Verde” – a sonoridade de uma Cesária Évora, libertada das voltas do destino e da pátina da tradição.

Com lançamento agendado para breve, Lovely Difficult é o quarto álbum desta cantora de 28 anos, que afirma que a sua vida e objectivos não são tão simples como se poderia pensar. Não se trata de uma artista neo-tradicional. Pode ser adorável mas é também firme, arrojada e determinada. Adorável, mas um espírito livre tanto na sua música como na sua vida. O título do álbum, Lovely Difficult, é a alcunha que o seu parceiro lhe deu.

A voz de Mayra é uma mistura de tons radiantes, dançantes, batidas aveludadas e melodias apimentadas. A sua voz está subtilmente “temperada” com pimento, como se a Europa da pop sempre tivesse sido um arquipélago tropical. As canções invocam um Verão eterno que dispersa névoas e arrepios, mas que nunca recorre ao brilho falso do exotismo. Cantadas em crioulo cabo-verdiano, inglês e português, as canções transportam-nos na sua imprevisibilidade quente e aventureira. A sonoridade pop de Mayra abrange o mundo inteiro, desde o romantismo ocidental até à sensualidade do sul, o reggae tradicional e música africana. Trata-se de uma pop tropical e viajada. O seu objectivo consistia simplesmente em fazer música que reflectisse a sua vida. E a sua vida tem sido muito colorida. O seu pai lutou na guerra da independência, uma luta apoiada por Cuba. Com havia receio pela saúde da mãe durante a gravidez, a mesma fugiu para ter a sua filha num "país irmão".

Como tal, Mayra nasceu em Havana e adquiriu a nacionalidade cubana. A cantora passou o início da sua infância na cidade da Praia, em Cabo Verde. Depois, aos 6 anos de idade, viajou com a sua mãe e padrasto (diplomata) para o Senegal, Angola e Alemanha. Quando regressou a Cabo Verde aos 14 anos de idade, começou a cantar e ganhou uma medalha de outro no concurso dos Jogos da Francofonia em 2001, em Otava. Cesária Évora tornou mundialmente famosos o país (“Cabo Verde – não é um cabo e não é verde”, como descreveu maravilhosamente Véronique Mortaigne do jornal Le Monde) e as batidas mulatas da ilha de São Vicente: a morna e a coladera.

Mayra Andrade é da ilha de Santiago, onde os estilos musicais têm mais percussão e são mais ritmados e africanos – o funaná e o batuque eram mal vistos pela elite colonial e, como tal, nunca foram exportados. Mayra é apaixonada por estes ritmos. A sua primeira decisão como cantora foi o facto de adiar a gravação. Actuou muito em palco mas permanecia afastada do estúdio. Certo dia, disse algo a Orlando Pantera, o artista mais inovador e independente do arquipélago na altura. “Não sei o que fazer com a minha música. Gostaria de fazer algo diferente.” “Então, minha querida, pára de procurar, tens a resposta contigo. Faz algo de diferente!” A cantora permaneceu determinada em conquistar essa diferença, mas acabou por perder Pantera, que adoeceu e faleceu aos 33 anos de idade quando ia começar a gravar o primeiro álbum de Mayra Andrade. (nota minha ***há um lapso aqui.)

Em 2006, a cantora finalmente lançou o seu primeiro álbum - intitulado Navega, uma produção marcada pelas suas raízes e gravada acusticamente a um ritmo de três canções por dia. A cantora descreve o seu segundo disco, “Stória, Stória…”, como “um álbum de princesa”. Foi gravado em Paris, Brasil e Cuba, e andou em digressão com oito músicos para apresentar as suas músicas. Em seguida, gravou três concertos para a rádio FIP. Tais gravações serviram de base ao álbum seguinte, Studio 105. “Depois dessa altura, decidi que queria fazer um álbum mais pop.” A cantora admite claramente que Lovely Difficult é um paradoxo.Trata-se de um álbum mais diversificado e pessoal. Sou uma mulher do meu tempo, afectada por inúmeras influências. Nunca compus ou cantei tanto e em tantos idiomas.”

Sim, Mayra Andrade fala e escreve “em quatro idiomas e meio” – crioulo cabo-verdiano, português, castelhano, francês e inglês (o meio). Pertence a uma geração fortemente ligada à sua identidade cabo-verdiana. Agora, chegou a altura de alargar os horizontes. Existem duas vezes mais cidadãos cabo-verdianos no estrangeiro do que no país de origem. Esta diáspora torna a pequena nação numa das mais cultural e intelectualmente dinâmicas em África. “Mas Cabo Verde ainda não acolheu a modernidade como outros países. Somos um pouco como o Brasil era na época do samba e da bossa nova.” Mayra quis que o álbum fosse revolucionário mas simultaneamente acessível, pop e arrojado, eclético e pessoal. A cantora admite: “não gosto de discos que parecem uma salada de legumes. Seria uma humilhação fazer um disco que soasse a uma compilação de idiomas e estilos.” Lovely Difficult é exactamente o oposto. Exibe independência e individualidade que nada ligam aos limites estilísticos e linguísticos. Desta vez, a cantora colaborou com artistas de origens muito distintas: Yael Naim e David Donatien, Piers Faccini, Tété, Benjamin Biolay, Hugh Coltman, Krystle Warren, Pascal Danae, Mario Lucio Sousa, entre outros. Cada um destes temas fala sobre o amor - “à excepção de Rosa, que fala sobre solidão.”

Mike “Prince Fatty” Pelanconi (que trabalhou com nomes como Lily Allen, Graham Coxon, etc.) produziu o álbum em Brighton, tendo conquistado verdadeiros milagres em termos de equilíbrio. Ele nunca tinha gravado um disco de world music e a cantora nunca tinha cantado música pop. Mayra descreve a colaboração como “o encontro de dois iletrados sensíveis com apenas as suas antenas e instintos a guiá-los.” A cantora gosta de pensar que o seu álbum transmite o mesmo sentido de aventura que se pode encontrar na obra de Caetano Veloso. “Porque não deixarmo-nos crescer, mudar e avançar? Porque não deixar o público habituado a esperar o inesperado?” Sim, totalmente adorável e honestamente difícil.

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