segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Custa Ver...

Posted by with No comments

Custa ver na TCV, uma reportagem sobre o seminário em São Nicolau, "gerido" pela igreja a cair aos pedaços,  mesmo depois de uma tal obra de restauração pelo Estado de Cabo Verde.

Custa ver na TVI, uma reportagem sobre os destinos do ouro explorado ao longo dos tempos, e ver que grande parte deste metal precioso está algures nas caves do Vaticano. E o silêncio sobre isto é assustador.

Custa ver...

domingo, fevereiro 19, 2012

Libertando os poemas da cidade (2)

Posted by with No comments

À Cidade da Praia

Cidade minha, obsessão muito dolorida,
quem alguma vez te romanceou,
quem espreitou,
de alguma varanda escondida,
os seios coniformes e desprevenidos 
de tuas caníngicas (de cana e esfinge) mulheres ?

Quem, até hoje, te escreveu poema que näo fosse
chato, desolado ou ranhoso?!
(Lembras-te de "Câ nhôs djobem di pâ baxu"?)

Onde se esconde o teu Ferreri, em que labirinto se deixou de ver o teu Kafka, cidade minha apetecida?
Estão a dar cabo de ti! Mas quero ser eu o único a dar cabo de ti!
Quero ser o teu rei, o teu súbdito, o teu amante, o teu poeta,
quero ser eu a cidade (tu), toda a cidade.

Dizem que não mereces umas Las Hurdes?! 
Acham os teus inimigos que nunca terás um Ulysses ou uma Sistina?!
Onde está o teu Garbarek, onde está a tua Vera Zasulich, cidade minha, capital que vais ser 
do império que aí vem?
Ri dos imperadores que te querem dar, tu que já tiveste
e celebraste Patchitcha, Fernando Jorge, Baíno, Valente, Grilo, Tútú, Antoninho Baratêro, Cócó di Gigante, Nezinho Brasileiro e Lindos Melhas!
Hei-de construir , para os teus heróis, os mortos e os vivos, pirâmides, castelos damasquinados, e erguer, em nome deles, catedrais, estádios e universidades reluzentes.

Onde fica o teu sexo? Qual é o teu sexo?!
Serei o teu amor singular, quero ser eu apenas a seduzir-te,
a violar-te, docemente, diariamente,
minha cidade, minha capital suficientemente leviana,
de vez em quando discreta prostituta na arte e nos sonhos.

Quero-te só para mim,
o peito alto e descoberto,
os cabelos de mar, soltos e bravios,
entrelaçados a sal e vinagre, 
a vagina célere, insubmissa e com os dentes de fora, arreganhados. Uma vagina que aloje a América, toda a Guang Dong, Paris, as avenidas de Kuala Lampur, Ou Mun, para näo falar dessas capitais LP.
Uma vagina, cidade amada, 
que, finalmente, junte di Nhâ Reinalda a Brubeck, 
vagabundo orgasmo a gigantesco lava-loiças, onde dançaräo
cisnes dourados e peixes vermelhos ao ritmo de rag time.
(Mas deixa que te diga: nunca hei-de aceitar que teus detractores, afinal, ingratos pastores de tuas águas e veias, te chamem vagina navegável!)

Apesar das traições, grandes e pequenas (quem näo trai, a final?) ; apesar de teu mitigado pundonor quando,
soberba e de olhar fulminante,
ofereces o suave e rápido encanto de tuas partes mais íntimas, farei de teu útero um palácio visigótico, ou, se quiseres, árabe ou judio, com átrios gigantescos, centenas de corredores e jardins de orquídeas, guardado por um exército permanente e fardado a rigor.

Onde está o teu Picasso? Onde está a tua Guernica?!
As pedras de tuas ruas não têm musgo?
Afinal, lembras-te de alguma vez te chamarem grande capital, cidade eterna ou varanda de qualquer continente?!

Serei eu a dar-te os jovens que mereces, e não essas múmias, essa cachupa requentadíssima que te servem por aí.
Mereces meter essa gente toda no bolso. Que é Montreux comparado com a tua Gamboa?

Que seria do mundo sem ti, tu o Artista, o Tesouro por enquanto desconhecido, quase clandestino, a face perlada, o sorriso, eterna cenoura
de feitiços cor-de-prata?!

Não há clonagem capaz de fazer outra igual a ti! Fará Lisboa, S.Filipe, Ziguinchor, Pará ou Niamey, mas cidade como tu, nunca!
Terás uma mindelo, três assomadas, meia dúzia de sidneys, 
uma vintena de mosteiros só para ti,
todos os bares de Pat Pong, e, 
se o desejares,
farei de ti uma metrópole sem igual, longa, perversa, cheia de luz, a pedir sempre mais luz, como queria Goethe.
Transportarei para ti,
arrastado por uma esquadrilha de galeras de todas as cores,
erecto, cilíndrico e musculado fiorde,
que atravessará,
festivo e arrogante, 
as artérias da ressuscitada Praia Negra,
e, então, cidade minha, só minha,
erguerei sobre o teu aveludado dorso
uma gigantesca bandeira com os dizeres seguintes:
Abram bem os ouvidos, poetas desta cidade!
Nunca digam que paraíso nenhum existe
ou que todos os paraísos são artificiais!

Se, por algum tosco Cláudio ou Napoleão,
à morte condenado for,
nada temas, amada minha, que farei como Arria:
"Praia, non dolet!".

Queres ser outra cidade, ter outro nome? Ser desavergonhada como Sun City?
Alguma vez desejaste ter outro esposo? 
Não?! Já o adivinhava, minha cidade (só minha), cidade da Praia!

Libertando os poemas da cidade (1)

Posted by with No comments


CAVIAR, CHAMPANHE E FANTASIA

A esplanada da Praia em Santiago de Cabo Verde
no dia 29 de Janeiro de 1971
é uma hipótese de bomba termonuclear
de que não se calculou a ogiva
é o projecto de um foguetão apontado para a lua
que nunca chegou a partir
(ficou só o esboço da rampa
que não foi concluída)


A esplanada da Praia – mesmo em dia de sol e suão –
seria um oásis magnífico e fresco
se a nossa fé (que remove montanhas)
fosse um milésimo do grão de mostarda


E haveria café
sem que se fosse plantar um cafeeiro
na cabeça do gerente que entra e que sai
e à noite regista os proventos do dia


A esplanada teria um leite mais branco
e clientes catitas e empregadas bonitas
e baixaria para uma média razoável o número de pedintes
e caçadores de beatas
e haveria por certo uma clínica ali perto
e remédios para tudo (até para os males sem cura)


A esplanada teria um helicóptero para os poetas dilectos
e o chafariz ao lado não teria secado
E haveria cisnes brancos a boiar todo o tempo
e até um jardim suspenso
com tulipas de estufa e girassóis


A esplanada teria aviões de jacto à distância de um braço
ali – no coreto da praça –
que só tem músicos de banda e bombo
a cinquenta mil-réis por semana


A esplanada teria um odor a DDT perfumado
e talvez uma catedral feita por Óscar Niemeyer
(tão diferente da igrejinha do lado
com suas quatro paredes quadradas
e uma cruz tão fora da moda)


A esplanada da Praia seria uma maravilha do mundo
por cuja abóbada cristalina e bordada
as estrelas chegariam coloridas até nós


A esplanada, por fim, teria outro nome
– Morabeza, sem dúvida, é um termo inventado
para ali estar como luva ou sapo imbecil
(estou mesmo a vê-lo, sobre o balcão, a turvar o aquário)


Pelo que ficou dito
e pelo que não –
talvez fosse oportuno morrer aqui e agora
em vez de comemorar minhas três décadas de vida
a sonhar com champanhe e caviar
na esplanada da Praia em Santiago de Cabo Verde
no dia 29 de Janeiro de 1971.

Arménio Vieira

Prémio Camões

sábado, fevereiro 18, 2012

Presidente da República visita a Pró Praia

Posted by with No comments


 O Presidente da Républica, Jorge Carlos Fonseca visitou a Sede da Pró Praia e foi recebido pelo Presidente da Associação Alcides de Oliveira. Uma visita histórica para a vida da Pró Praia, que aproveitou mais vez para por na agenda as questões consideradas fundamentais para o desenvolvimento da Cidade da Praia. Esta visita à Pró Praia enquadra-se numa programação oficial de visitas a entidades, instituições e bairros da Cidade da Praia que o Presidente da Républica tem feito em conjunto com o Presidente da Câmara Municipal. O momento marcante e emocionante da visita acontece quando o Presidente da República "pede a permissão" para ler o poema de sua autoria dedicado à Cidade da Praia.

Fonte: www.propraianet.blogspot.com

domingo, fevereiro 12, 2012

Whitney Houston

Posted by with No comments

Que tipo de "role model" foi?

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Ricardo de Deus - Trio

Posted by with No comments

Vai ter Son...

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Contacto de 3º Grau

Posted by with 1 comment

Tive o privilégio de registar este reencontro emocionante entre Zeca Couto e Zé Brazão.
Dois ex-tubarões e autoridades máximas do orgão Yamaha dos anos 70 / 80 em Cabo Verde. Pude assistir a um abraço afectuoso para além de uma longa conversa lembrando os tempos de Djonsinho Cabral, do desfile em Havana, da ousadia de tocarem a 5ª Sinfonia de Beethoven e de outros momentos que os marcaram.

Zé Brazão foi levado para Os Tubarões por Zeca Couto, na altura em que este ia para Cuba iniciar a formação em música. Bem novo, assumiu a responsabilidade de substituir Z. Couto por dois anos e gravou o emblemático álbum Djonsinho Cabral. Viveu vários em Portugal, sempre presente no mundo musical de Lisboa.
Hoje vive na África do Sul e segundo ele, está desligado da música há vários anos. Mas quando fala de música os olhos brilham e faz a posição de acordes com as mãos.

Benvindo Zé!

"El arte es la filosofía que refleja un pensamiento" - Tapies (1923-2012)

Posted by with No comments

Vejo pelo post de Abraão Vicente a notícia da morte de Tàpies.

Por cá, sobretudo devido ao efeito da bruma seca, isto não será certamente notícia amplificada.
E muito menos sairá no jornal da noite a já cansada "a cultura ficou mais pobre...".

Mas neste momento, há motivos para se declarar que a cultura mundial fica mais pobre por ter perdido a arte de alguém que veiculou a ideia de que a arte é necessária e ela tem que ser consciente...para romper.

É o fim da crise

Posted by with No comments

O Engenheiro cubano José Mejias descobre uma mina de "pedras preciosas" em Faveta, São Salvador do Mundo.
De agora em diante, fica para a historia aquela música que dizia "no ka tem or no ka tem diamante".

Faltam-nos sim, garimpeiros. Estes aparecem e já!

O Kluster dos Hankais 1

Posted by with No comments

O preço do petróleo sobe de um "e" para um "i".

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Hoje estamos assim...

Posted by with No comments

Palmarejo - 8:00 am.

...como na Mauritânia. 

domingo, fevereiro 05, 2012

Africans Freedom Fighters

Posted by with No comments

Num momento em que no mundo todo nota-se uma falta de líderes de causas e por outro lado a própria liberdade das pessoas está em causa, Vicente propõe a oportuna exposição "Africans Freedom Fighters".
Por detrás das tintas, está certamente uma chamada de atenção para pensarmos temas actuais que afectam a todos nós.

sábado, fevereiro 04, 2012

Chomsky on Violence

Posted by with No comments


"You never need an argument against the use of violence, you need an argument for it."


sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Medina Carreira

Posted by with 2 comments


Este homem tem vindo há décadas a chamar atenção sobre as políticas públicas e seu financiamento em Portugal e parece que não é levado muito a sério. Até lhe chamam de maluco.

Será que é pelo facto de ser filho de um cidadão di Bila - Djarfogo, de nome António Barbosa Carreira?
Que tal convidá-lo para fazer umas conferências sobre a crise?

Algumas obras publicadas pelo Prof. Medina.

Obra publicada (Wikipedia)

  • Manual de Direito Empresarial (1972)
  • Esboço Histórico do Regime Fiscal Português entre 1922 e 1980 (1983)
  • O Actual Sistema Fiscal Português. Síntese (1983)
  • A Fiscalidade e o Mercado Português de Capitais (1983)
  • A Situação Fiscal em Portugal (1984)
  • Fiscalidade e Administração Local (1984)
  • Fiscalidade e Trabalho em Portugal (1984)
  • Finanças Públicas e Sistema Fiscal (1985)
  • Imposto sobre o Valor Acrescentado: oportunidade, problemas e financiamento da administração local (1985)
  • O Volume das Despesas Públicas e Investimento (1986)
  • Alguns Aspectos Sociais, Económicos e Financeiros da Fiscalidade Portuguesa (1986)
  • Contributo para a Análise da Reforma Fiscal (1988)
  • Uma Outra Perspectiva da Reforma Fiscal (1988)
  • A Carga Fiscal sobre o Investimento em Portugal e Espanha (1990)
  • Concentração de Empresas e Grupos de Sociedades (1992)
  • Uma Reforma Fiscal Falhada? (1990), A Família e os Impostos (1995)
  • A Tributação do Património (1995)
  • Que Reformas, Que Saúde, Que Futuro? (1995)
  • As Políticas Sociais em Portugal (1996)
  • Projecto da Reforma da Tributação do Património (em co-autoria, 1999)
  • Notas sobre o Estado da Nossa Fiscalidade (2000)
  • Reformar Portugal – 17 Estratégias de Mudança (em co-autoria, 2002)
  • Portugal, Que Futuro? O tempo das mudanças inadiáveis (em co-autoria, 2009)
  • O Fim da Ilusão (2011).