quinta-feira, junho 23, 2011

A propósito de uma conversa com Ricardo de Deus


O Ricardo me chama para um "só se for agora" no Café Sofia.
A nossa conversa gira em torno do que ainda pode ser feito com música e aqui mesmo na tapadinha. Não é um papo de angústia, pelo contrário, exploramos possibilidades.

Ricardo fala de um Clube. Sim, um espaço aonde fazemos, falamos, nos encontramos em música.

Um Clube da Música, ou de Músicos? O nome não interessa. Ou interessa? Quem participa, aonde? Mil perguntas. Assim como as possibilidades.

Depois do nosso "até mais", estive a rever coisas e lembrei-me do Clube da Esquina.
Afinal, não estamos a inventar nada. As coisas acontecem porque há afinidades e há vontades. O resto são desculpas e pretextos para não se fazer...

Você músico, topa um Clube?

Conheça este!


"No início dos anos 60, em Belo Horizonte (MG), jovens músicos começam a se encontrar na cena musical da capital mineira. Eles produziam um som que fundia as inovações trazidas pela Bossa Nova a elementos do jazz, dorock’n’roll – principalmente The Beatles –, de música folclórica dos negros mineiros e alguns recursos de música erudita e música hispânica. Nos anos 70, esses artistas tornaram-se referência de qualidade na MPB pelo alto nível de performance e disseminaram suas inovações e influência a diversos cantos do país e do mundo. E é sobre esses músicos, sobre o Clube da Esquina, que falo agora.

Inicialmente representado por Milton Nascimento, Wagner Tiso, Fernando Brant, Márcio Borges, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta e Paulo Braga, a turma mineira foi agregando uma constelação de instrumentistas e compositores. Ainda que juntos tenham apresentado uma nova perspectiva musical, o Clube da Esquina não foi visto pela mídia e pelos estudiosos como um movimento. Mas, sem sobra de dúvida, se constituiu apropriando-se de um alicerce oferecido por diversos movimentos musicais e culturais pregressos." 

terça-feira, junho 21, 2011

A simpatia dos Candidatos


Aquecem os bastidores das presidenciais.
Agora entrou para a agenda o factor simpatia do Candidato. No horário nobre um e outro aparece a justificar que é simpático, que é uma pessoa aberta, de fácil relacionamento e  etc.
Andei pelo google images a levantar a simpatia dos senhores canditatos e esta é a melhor foto que consegui.
Faça também uma pesquisa para ver até onde os candidatos mexem os músculos da cara.

Mas que dá jeito um Presidente ser simpático dá...senão vejamos estes dois homens.


Para eles não custa nada. Já são assim, acho.
Pois é, meus caros, ponham "rir" na vossa plataforma eleitoral.

Símbolos Urbanos?


Curioso. Os taxis da cidade carregam com eles "enfeites" que intrigam-nos.
Há pelo menos 3 deles.

1. A imagem do Che Guevara pintada na parte traseira.


2. Um boneco de Pelouche pendurado no tubo de escape.
3. Um pano de Flanela amarrado ao espelho do lado do condutor.


O que será é que o pessoal quer dizer com tudo isto?

segunda-feira, junho 20, 2011

Tradição, Criatividade e alguns clichés - Com Gláucia Nogueira




Para quem se interessar pelo assunto, Gláucia Nogueira vai apresentar esta comunicação amanhã 21, terça feira, no 3º ciclo de conferencias "Conhecer, Descobrir, Debater CV", no Campus Palmarejo, 10h00.
Tradição, criatividade e alguns clichés:
batuku como pretexto para uma reflexão sobre
a produção musical cabo-verdiana contemporânea
Resumo:
Quando se fala de música em Cabo Verde, dicotomias do tipo tradicional x moderno ou comercial x autêntico são recorrentes no discurso jornalístico como no senso comum. Contudo, observada a realidade do cenário musical contemporâneo e ultrapassada uma visão que considera a cultura tradicional, ou o dito folclore, algo estático, imutável, torna-se insustentável esse discurso de opostos. O batuko é um bom pretexto para lançar essa reflexão... 

      

sexta-feira, junho 17, 2011

Utilidade Pública


História Geral da África em 8 volumes grátis. UNESCO

 Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.
Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos. 

Download gratuito (somente na versão em português):
    • ISBN: 978-85-7652-123-5
      • ISBN: 978-85-7652-124-2
        • ISBN: 978-85-7652-125-9
          • ISBN: 978-85-7652-126-6
            • ISBN: 978-85-7652-127-3
              • ISBN: 978-85-7652-128-0
                • ISBN: 978-85-7652-129-7
                  • ISBN: 978-85-7652-130-3 

                  VAMOS DIVULGAR.... 

                  Mais um encontro com o Ministro da Cultura?


                  Há 20 anos que participo em encontros do género. Tenho ido para participar, ouvir as intenções e sobretudo ver muita gente ligada à música. Nha Balila marcou presença apesar dos 400 paus que tinha no bolso.

                  Estivemos lá das 18:30 às 10 da noite. Desta vez acho ter sido menos um espaço tipo "muro das lamentações".

                  O ministro deixou vários recados, mas absorvi estes eixos de intervenção do Ministério da Cultura.

                  1. Salas On Tour - cerca de 25 até este momento para apoiar tounés internas de artistas nacionais.

                  2. Rotatividade de Artistas nos festivais - garantir que mais músicos possam participar

                  3. Transformação do Auditório em Teatro Nacional - Passa a receber concertos e perfomances de artistas
                  em condições financeiras aceitáveis.

                  4. Patrocinios e Financiamentos

                  • criação do Banco da Cultura (fundo de apoio à cultura)
                  • Financiamento do "lugar de espectáculos"
                  • financiamento do público (aquisição de bilhetes para concertos)
                  • Bolsa criação e Incentivos
                  5. Direitos de Autor - organização definitiva da SOCA

                  6. Exportação da Música - criação do Bureau de exportação da música CV - BEMCV 

                  7. Associativismo - necessidade dos músicos se organizarem em associação


                  Várias pessoas deram as suas opiniões. Todas convergiam para o mesmo lugar. Já é mais do que tarde que estas coisas realmente funcionem.

                  Da minha parte, deixei a pergunta: para quando a criação da associação de músicos de Santiago?
                  Saímos de lá ninguém tocou no assunto.

                  Boa sorte ao Mário.

                  sexta-feira, junho 10, 2011

                  Dia de Camões

                  Hoje 10 de Junho é dia de Camões. Comemora-se em Lisboa e também no Plateau.
                  Pois trata-se da festa da língua portuguesa.

                  O Presidente português disse que "Portugal, nesta hora de crise profunda não pode falhar, assim como Camões não falhou".

                  Por minutos, lembrei-me do meu filósofo tio Ntoninho que jura que Camões na rota para a Índia, nadou no mar brabu di Fonti Bila, no Fogo, tendo o ilustre viajante e autor dos Lusiádas (como dizia) ficado bem impressionado não só com os ilhéus, mas sobretudo com o manecon que o retemperou para a próxima largada.

                  E quem quiser validar que consulte o Canto V- Lusíadas.

                  «Passámos o limite aonde chega
                  O Sol, que pera o Norte os carros guia;
                  Onde jazem os povos a quem nega
                  O filho de Climene a cor do dia.
                  Aqui gentes estranhas lava e rega
                  Do negro Sanagá a corrente fria,
                  Onde o Cabo Arsinário o nome perde,
                  Chamando-se dos nossos Cabo Verde.
                  «Passadas tendo já as Canárias ilhas,
                  Que tiveram por nome Fortunadas,
                  Entrámos, navegando, polas filhas
                  Do velho Hespério, Hespéridas chamadas;Terras por onde novas maravilhas
                  Andaram vendo já nossas armadas.
                  Ali tomámos porto com bom vento,
                  Por tomarmos da terra mantimento.
                  «Àquela ilha aportámos que tomou
                  O nome do guerreiro Santiago,
                  Santo que os Espanhóis tanto ajudou
                  fazerem nos Mouros bravo estrago.
                  Daqui, tanto que Bóreas nos ventou,
                  Tornámos a cortar o imenso lago
                  Do salgado Oceano, e assi deixámos
                  A terra onde o refresco doce achámos."

                  Gargalhada Presidencial


                  Uma imagem que podia ilustrar a afirmação constitucional de que as eleições presidencias são não partidárias podia ser esta.

                  E eu estou a morrer de gargalhada.

                  Baía da Guanabara, Caetano Veloso e Levy Strauss

                  Caetano Veloso escreve sobre Lévi-Strauss



                  Citei Lévi-Strauss nominalmente em “O estrangeiro”. Era a famosa frase depreciativa da Baía de Guanabara. Em “Tristes trópicos”, ele diz que ela “parece uma boca desdentada”. Citei-o também, indiretamente, em “Um índio” (“num claro instante”), “Tem que ser você” (“o amor-mentira” é a tradução que ele fez do modo como os nambiquaras se referem ao homossexualismo masculino praticado pelos jovens da tribo), “Fora da ordem” (“aqui tudo parece que ainda é construção mas já é ruína”) e no filme “O cinema falado”: a frase em que Luiz Zerbini diz “Picasso não é um bom pintor; por causa dele se negligenciou toda uma tradição de adestramento nos ateliês” é tirada de uma entrevista que ele deu sobre arte moderna. As outras citações vêm todas de “Tristes trópicos”, um livro extraordinário, que ficou sempre todo vivo na minha lembrança: eu o li em 1967 e até hoje não preciso nem olhá-lo para lembrar cada trecho, cada ideia.

                  Li também outros livros dele depois. Sempre com grande admiração. O caleidoscópio de mitos em “O cru e o cozido” é uma maravilha, mas a introdução sobre a música me marcou mais. Ele não gostava de cultura pop e não gostaria de ser citado por um cantor brasileiro, mas eu me senti sempre atraído pelo seu pensamento e seu estilo. Modestamente, me refiro a ele com familiaridade. Eu gostava também de ele ser longevo. E do jeito de ele falar, como um judeu sábio e irônico. Mas me agastava com as reações dele contra a arte de vanguarda. Embora não ache seus argumentos nesse campo propriamente desprezíveis.

                  Meu analista, MD Magno, diz que todo o papo de linha entre natureza e cultura traçada pela proibição do incesto é furado. Me convence. Mas Lévi-Strauss foi uma das mentes mais lúcidas e um dos estilos mais elegantes com que tomei contato em minha vida adulta. Em “Saudades do Brasil” ele fala com carinho das possibilidades de grandeza de civilizações amazônicas pré-cabralinas. Agora eu sinto que o Brasil sente saudades dele (que foi um crítico duríssimo da nossa vida “civilizada”). Fonte aqui.http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2009/11/03/caetano-veloso-escreve-sobre-levi-strauss-237933.asp
                   
                   
                  O Estrangeiro (Caetano Veloso)


                  O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara

                  O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela

                  A Baía de Guanabara

                  O antropólogo Claude Levy-strauss detestou a Baía de Guanabara:

                  Pareceu-lhe uma boca banguela.

                  E eu menos a conhecera mais a amara?

                  Sou cego de tanto vê-la, te tanto tê-la estrela

                  O que é uma coisa bela?

                  O amor é cego

                  Ray Charles é cego

                  Stevie Wonder é cego

                  E o albino Hermeto não encherga mesmo muito bem
                  Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem?

                  Uma arara?

                  Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara

                  Em que se passara passa passará o raro pesadelo

                  Que aqui começo a construir sempre buscando o belo e o amaro

                  Eu não sonhei que a praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e de óleo diesel

                  Sob meus tênis

                  E o Pão de Açucar menos óbvio possível

                  À minha frente

                  Um Pão de Açucar com umas arestas insuspeitadas

                  À áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura

                  Do branco das areias e das espumas

                  Que era tudo quanto havia então de aurora
                  Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas

                  E uma menina ainda adolescente e muito linda

                  Não olho pra trás mas sei de tudo

                  Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo

                  Mas eu não desejo ver o terno negro do velho

                  Nem os dentes quase não púrpura da menina

                  (pense Seurat e pense impressionista

                  Essa coisa de luz nos brancos dentes e onda

                  Mas não pense surrealista que é outra onda)

                  E ouço as vozes

                  Os dois me dizem

                  Num duplo som

                  Como que sampleados num sinclavier:



                  "É chegada a hora da reeducação de alguém

                  Do Pai do Filho do Espírito Santo amém

                  O certo é louco tomar eletrochoque

                  O certo é saber que o certo é certo

                  O macho adulto branco sempre no comando

                  E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo

                  Reconhecer o valor necessário do ato ipócrita

                  Riscar os índios, nada esperar dos pretos"

                  E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento

                  Sigo mais sozinho caminhando contra o vento

                  E entendo o centro do que estão dizendo

                  Aquele cara e aquela:

                  É um desmascaro

                  Singelo grito:

                  "O rei está nu"

                  Mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú



                  E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo

                  E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo.

                  ("Some may like a soft brazilian singer

                  but I've given up all attempts at perfection")

                  quinta-feira, junho 09, 2011

                  Um hino à falta de água na Cidade da Praia



                  Visto todos os cenários, acho que falta apenas a música de fundo a ser colocada na entrada de todos os tubos. Quem sabe assim o H20 aparece...

                  quarta-feira, junho 08, 2011

                  Pepino E.Cool


                  Ao que parece, começou mais uma "crise" na Europa com a guerra das hortas. Os Alemães acusaram os pepinos da Espanha de carregaram um estilo muito "E.Cool" e que teria levado à morte dezenas de pessoas.

                  A Espanha não gostou e pediu uma xintada na EU para verem se alguem não estaria a fazer djogu brutu em laboratórios.
                  A vistoria está a ser quase que geral. Tomate, soja, alface e daqui a nada tudo.
                  Enquanto isso, lixo com os pepinos. E aos montes. Uma autêntica vala comum.

                  Um soco aqui, um pontapé ali, conseguir uma indemnização choruda parece ser um desejo último dos espanhóis. Vai ser duro.

                  Tudo isso acontece, numa altura em que lá em casa estavamos já a fechar o acordo com as crianças de que É COOL comer a salada por causa dos construtores e protectores.

                  Não é que o meu garoto mais novo ao ver na TV tanto pepino jogado no lixo me atirou esta:

                  "Papá, afinal pepino ta máta. Nka ta cumé más!".

                  E eu, peço indemnização a quem...?