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terça-feira, outubro 13, 2009

O Poeta nas Vinhas


Aqui, beira; acolá, eira – eis o pobre, entrementes.
Tendo por fortuna apenas leira de nada, este poeta
Acordou, de solzinho a pôr-se a prumo e, sem fumo,
Nem mandado, foi-se às vinhas na farra dos verbos…

Posto, prontos quartetos (dois) e tercetos (idem dois),
O asceta, ao soneto, anarquizou-lhe o rio das rimas
E sodomizou-lhe depois, entre tantos alexandrinos,
Decassílabos a pingarem de tristíssimos marmóreos…

Quis o malogrado ver no vasto mundo em cárcere,
O que o ser pode de tão, livre em paredes (quatro),
Quão prisioneiro se, de poiso apartado, voar alto …

De alado, como em translado, o poeta que finge
Bem lá no fundo esfinge e, por ele, tresloucado,
Vai às vindimas pisar a parra das palavras tintas…

FILINTO ELÍSIO

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