terça-feira, junho 30, 2009

Um debate alargado para as Artes e as Cidades

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Artigo publicado no jornal A Nação de 25/06/09

Nestas semanas têm sido calorosos e em boa hora os debates sobre a questão da cultura, da arte nacional e da gestão da cultura. Neste momento de formação da universidade pública no país, a UniCV não podia ausentar-se desta arena. Por este motivo o recém-criado Centro de Investigação em Desenvolvimento Local e Ordenamento de Território da Universidade de Cabo Verde (CIDLOT), vem a público engordar o debate.

Assumimos o CIDLOT trazendo a nossa formação transdisciplinar, a nossa larga experiencia em arquitectura, desenvolvimento urbano e cultura, as nossas teses de mestrados e doutoramentos, e principalmente, a nossa vontade de suscitar um aprofundamento de questões importantes para a consolidação de uma reflexão urgente no país: arquitectura, cidades e identidade. A urgência não é apenas uma questão interna, mas é saber como Cabo Verde vai se posicionar face às fortes pressões internacionais em tempos de globalização. Qual será a capacidade argumentativa quando empreenderores estrangeiros e organismos internacionais vem oferecer os seus préstimos? Será Cabo Verde o país que tudo aceita? Ou será um país pronto para negociar em pé de igualdade o direccionamento que pretende para si? Estas são algumas das perguntas prementes para nós.

Se alguns artigos já foram escritos sobre a produção artística, aproveitamos para adicionar ao debate a produção arquitectónica e das cidades. Sabemos que a arquitectura é a materialização espacial dos valores simbólicos e culturais de um povo. Como tem vindo a ser a produção arquitectónica de Cabo Verde nos últimos anos? É possível imaginarmos que estas produções podem representar o país em debates internacionais? Qual é o alinhamento e aprofundamento entre o respeito às tradições e inovações contemporâneas propostas? E as cidades, como estão a ser ocupadas? Como é que Cabo Verde se posiciona no contexto lusófono, africano e mundial acerca destas temáticas? Devemos aceitar em nome do “desenvolvimento” projectos que já se mostraram devastadores em outras partes do mundo? Como tem sido feita a reflexão crítica dos governantes, ordens profissionais, formadores de opinião e população a este respeito?

Acreditamos ser a universidade uma plataforma por excelência para a construção deste diálogo, para a desconstrução daquilo que é imposto com poucos questionamentos. A universidade é o lugar das dúvidas, por excelência. Neste sentido, procuramos trilhar, no CIDLOT, um caminho de transposição das certezas universais, do certo e do imutável. Juntamente com as nossas experiências que colocamos a este serviço, pretendemos trazer uma ampla rede de colaboradores locais e externos, não para apresentar soluções, mas para alargar o debate interno sobre questões de desenvolvimento local, ocupação de território, cultura, arquitectura, artes, cidades e identidade.

Dentre os vários eventos que vimos propor ao público nacional ao longo deste ano, começamos com um pequeno debate sobre Arte, Ocupação de Território e Desenvolvimento Local, com cinco artistas, activistas e documentaristas internacionais, que, com artistas e activistas locais, estarão reunidas numa oportunidade única, na cidade da Praia e em Mindelo nos primeiros dias de Julho.

A relação entre arte e ocupação de território tem sido um intenso debate internacional pelo menos nas últimas duas décadas, quando a ocupação do território (urbanos ou pequenas comunidades) passou a constituir uma relação simbiótica e indiscernível com a arte. Trata-se menos de construir objectos e mais de produzir conhecimento e relações sociais, numa dimensão na qual é cada vez mais delicada a separação arte, ocupação do território e vida. Quem tem acompanhado esta discussão sabe o que significam os trabalhos de Krystof Wodizcko, Antoni Muntadas, Okwui Enwezor, Josep Subiros, Mauricio Dias e Walter Riedweg, Dennis Adams, Richard Serra, Robert Smithson, Rosalyn Deutsche, Rosalind Krauss, e projetos como Arte/Cidade, InSite e TAMA, para citar alguns.

Com o objectivo de melhor compreender esta relação é necessária uma digressão acerca do espaço urbano, e das suas composições e configurações contemporâneas, que serão fortemente trabalhadas por alguns artistas a partir do último terço do século passado. Ao mesmo tempo, vale a pena se deter num panorama geral de como as questões espaciais tem sido tratadas na arte, desde uma preocupação representacional até ao uso do espaço como agenciador de relações e de activismo. Alguns projectos originados nas artes visuais, com fundamentos teóricos e estéticos decorrentes da experiência minimalista e conceitual a partir dos anos 60 e 70, têm colaborado para a formação de um conhecimento sobre a cidade nos dias de hoje, aferida como um grande sistema em movimento. Há um ganho de complexidade, nas últimas décadas, na relação contemporânea entre arte e espaço urbano, na qual a cidade deixa de ser o ‘locus’ para disposição de ‘obras de arte’ para ser ela mesma a dimensão simbiótica entre arte, política e vida.

É num cenário de ocupação espacial desigual entre os mais abastados e aqueles totalmente despossuídos que as relações são intensificadas e os contrastes do processo de globalização económica aparecem. Será que a arte contemporânea tem-se configurado como um importante instrumento de resistência e reflexão crítica destes processos ou tem-se submetido à força da produção económica sob o modelo neoliberal? Como é que estas questões podem ser debatidas em Cabo Verde?

As experiências trazidas por Nele Azevedo (Brasil), Célia Antonacci (Brasil), Dominique Malaquais (França), Kadiatou Diallo (África do Sul) e Nazia Parvez (Serra Leoa), em debate com trabalhos desenvolvidos por artistas nacionais nos ajudarão a reflectir sobre esta questão, amadurecendo uma interface de colaboração em Cabo Verde, entre arte, ocupação do território e desenvolvimento local.

Ao promover uma série de debates, a partir das mais diversas abordagens, sobre desenvolvimento local e ordenamento de território, a Universidade de Cabo Verde, através do CIDLOT, vem trilhar um importante papel no cenário público nacional ao mesmo tempo em que se posiciona internacionalmente sobre questões contemporâneas.



Andreia Moassab e Patrícia Anahory,

do Centro de Investigação em Desenvolvimento Local e Ordenamento de Território da Universidade de Cabo Verde.

sexta-feira, junho 26, 2009

Bye MJ

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MJ e Cidade Velha!

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Morre Michael Jackson e cidade velha é património da humanidade.
Não sei se estes dois acontecimentos estavam programados para serem coincidentes. Mas foram.
O artista, dos maiores de sempre, que juntou sangue negro e pele branca para ver que mistura dava, acaba por morrer nesta procura quase que esquizofrénica, no mesmo dia em que um dos maiores laboratórios de mistura humana foi "eleita" património universal.

Que descanse em paz o MJ e que Cidade Velha seja definitivamente o simbolo que deve ser.
Parabéns a todos aqueles que deram várias horas dos seus dias e sobretudo seus sonhos para que isto fosse possivel.

terça-feira, junho 23, 2009

Sayko Dayo - Sucessu na Japão!

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sexta-feira, junho 19, 2009

Entrevista do Veiga - Endorsing it?

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Há um provérbio de um país qualquer que diz: "não mate o teu adversário, senão ficas sem jogar..."

Tudo isto é uma grande luta sim, mas não é de forma alguma um campo de linchamento público de pessoas. Acho!

SexTA Suggestion!

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Leia a entrevista do Ministro da Cultura no "A Nação". Acho que o Veiga tentou ajudar sobretudo os guerreiros da luta anti-alupec (leia-se criolo badiu - expressão muitas vezes utilizada com sentido pejorativo e discriminatório - variante Santiago) a verem um filme completamente diferente em relação à lingua caboverdiana. Uma coisa é certa: criolo é um item forte da agenda nacional actual. E o Veiga tem mérito nisso.

Turismo e Impacto ambiental!

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"Este é o Hotel Rio na Boavista que foi construído nas dunas da praia de Chaves tendo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) sido apresentado depois da sua construção.

Agora estão com um grave problema... a areia está invadindo os quartos construídos

E agora, o que fazer?"

Fonte: Por email

segunda-feira, junho 15, 2009

Música - Bate papo no CCB - CV!

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quinta-feira, junho 11, 2009

Dor de Morte!

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Dá, assim, uma dor de morte quando, como caboverdiano e do outro lado do mundo que a Cidade Velha ajudou a nascer e a construir ouvimos coisas como estas:

"Carlos Carvalho, presidente do INIPC diz-se confiante no trabalho da comissão técnica, mas desvaloriza a ansiedade dizendo aos jornalistas que “se não ganharmos a candidatura, ninguém vai morrer”. As coisas são como são, diz o poeta e somos forçados a concordar."
Fonte: Os momentos

Enfim, não me resta nada mais do que lembrar o "Combates pela História" do Correia e Silva - Tó.

É de se perguntar se Carvalho leu o livro...

quinta-feira, junho 04, 2009

Un Son para a Bloga!

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Vejo que a bloga em geral vai meio "xatiadu si". Vai este son até para se ter um fundo musical.


Your butt is mine
Gonna take you right
Just show your face
In broad daylight
Im telling you
On how I feel
Gonna hurt your mind
Dont shoot to kill
Come on,
Come on,
Lay it on me all right...

Im giving you
On count of three
To show your stuff
Or let it be . . .
Im telling you
Just watch your mouth
I know your game
What youre about

Well they say the skys the limit
And to me thats really true
But my friend you have seen nothing
Just wait til I get through . . .

Because Im bad, Im bad-come on
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad, Im bad-you know it
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad, Im bad-come on, you know
(bad bad-really, really bad)
And the whole world has to answer right now
Just to tell you once again,
Whos bad . . .

The word is out
Youre doin wrong
Gonna lock you up
Before too long,
Your lyin eyes
Gonna take you right
So listen up
Dont make a fight,
Your talk is cheap
Youre not a man
Youre throwin stones
To hide your hands

But they say the skys the limit
And to me thats really true
And my friends you have seen nothin
Just wait til I get through . . .

Because Im bad, Im bad-come on
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad, Im bad-you know it
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad, Im bad-you know it, you know
(bad bad-really, really bad)
And the whole world has to answer right now
(and the whole world has to answer right now)
Just to tell you once again,
(just to tell you once again)
Whos bad . . .

We can change the world tomorrow
This could be a better place
If you dont like what Im sayin
Then wont you slap my face . . .

Because Im bad, Im bad-come on
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad, Im bad-you know it
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad, Im bad-you know it, you know
(bad bad-really, really bad)

Woo! woo! woo!
(and the whole world has to answer right now just to tell you once again . . .)

You know Im bad, Im bad-come on
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad, Im bad-you know it-you know it
(bad bad-really, really bad)
You know, you know, you
Know, come on
(bad bad-really, really bad)
And the whole world has to
Answer right now
(and the whole world has to
Answer right now)
Just to tell you
(just to tell you once again)

You know Im smooth, Im bad, you know it
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad, Im bad baby
(bad bad-really, really bad)
You know, you know, you
Know it, come on
(bad bad-really, really bad)
And the whole world has to
Answer right now
(and the whole world has to
Answer right now)
Woo!
(just to tell you once again)

You know Im bad, Im bad-you know it
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad-you know-hoo!
(bad bad-really, really bad)
You know Im bad-Im bad-you know it, you know
(bad bad-really, really bad)
And the whole world has to answer right now
(and the whole world has to answer right now)
Just to tell you once again . . .
(just to tell you once again . . .)
Whos bad?

Vem aí o Rei...

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e noto alguma piada na logistica intensa para se preparar a estadia que segundo dizem vai ser de apenas 30 horas...não há casa na capital digna do homem, obras relampago foram necessárias, limpeza geral de ladeiras e ruas, pintura e cosmética a ferro e fogo, tudo para que o his magesty se sinta "em casa".

welcome to the island and enjoy your stay, king!

A Coragem de A Nação!

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É preciso coragem para colocar Arménio Vieira como manchete.
Este facto constitui um pioneirismo em termos de o que é e deve ser noticia destaque nos jornais de Cabo Verde.

É que Arménio não vende! Ou será que vai vender?

quarta-feira, junho 03, 2009

Prémio Camões!

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Arménio Vieira, o Poeta da Pracinha Escola Grande, levou o mais importante prémio da lingua portuguesa.
Há coisas espectaculares!

"«O Prémio Camões não é para consagrar uma pessoa, é para quem já é consagrado. É um super-prémio, uma pós-graduação”. Fonte aqui.

segunda-feira, junho 01, 2009

Fronta Maria!

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