quinta-feira, janeiro 31, 2008

Badia di Fora!

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Fonte: http://cronicasdemimparamim.blogspot.com/

"Gosto dos "badius di fora". Gosto daquele jeito bairrista e determinado, do olhar firme, da confiança nas palavras.


Admiro a maneira com sonham sempre mais alto. Invejo a vaidade que colocam em tudo o que fazem, em tudo o que são.


Ser "di fora" é um desafio. É olhar as fronteiras de outra maneira... é não ter fronteiras... e ao mesmo tempo viver na diferença entre o preto e o branco, o rico e o pobre, o verde e o cinzento...e jogar sempre com todas as cores, com todas as possibilidades.


É viajar pelas estradas e caminhos, sem fazer contas aos quilómetros, às horas, aos dias...


Os badius di fora são gente destemida, gente com garra, gente que surpreeende.


Por isso gosto! Gosto dos badius di fora de todo o mundo. Da forma como chegam nesse misto de humildade e orgulho, de pobreza e, porém, uma infinidade de tesouros escondidos.


Gosto dos badius di fora quando só eles conseguem aparecer do nada para mudar o rumo de todas as coisas..."

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Finally, the Cape Verdean American Diaspora?

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It took more than 30 years for us to climb up to this big window with our good people in the US...



I wounder why is that?

Anyway!

The CABO (Cape Verdean American Business Organization) delegation just visited us! Do we really understand who they are and especially how we want them to bring their skills and knowledge?



Please take a look at this list of CABO members:



1. John R. Monteiro - CEO of ASEC Corporation, Boston


2. Nelson Greegor - President of Global Entrepreneurial Endeavors, LP


3. John B. Cruz III - President, CEO Cruz Companies


4. Kristine Allen - CEO Partner Group


5. Dee Rodrigues - Co-Owner of Imperium Realty


6. Jeanne Costa - President of Cape Verdean American Investment


7. Cesar Silva - President of Design Construction and Consulting Services


8. Reginald Sapp - Founder of Two Guys and a Camera


9. Donal Wright - Founder / Owner of D&P Associates


10. Claire Andrade-Watkins - Professor and Filmmaker (www.spiamedia.com)


11. Donald Lopes - President of DAL Enterprises


12. Scott Lima - Cape Verde American Investment Group


13. Nivea Henriques - Architect


14. Patricia Andrade - General Surgeon


15. Vanusa Aguiar- Physical Therapy


A very warm welcome to all of you. Enjoy your stay at your homeland.

Teresinha Araújo em Concerto!

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Local: Auditório do BCA
Data: 01 Fevereiro
Hora: 21 h

terça-feira, janeiro 29, 2008

O trabalho do Ministro Artista!

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Depois de seis anos como ministro da Cultura, o senhor poderia me dizer em que a cultura do país melhorou? Existem números oficiais que provem uma possível melhora?
Jaci Simões, Pariquera-Açu (SP)

Gil - O desempenho de uma instituição pública, incumbida de ajudar os processos culturais a serem desenvolvidos em múltiplas direções requeridas pela sociedade, pode ser traduzido pelos números e pela avaliação subjetiva da sociedade. Tanto os números quanto a avaliação do público mostram um relativo avanço do Ministério.

Os números estão à disposição. Já a avaliação subjetiva é mais uma questão de interesse individual, cada um faz a sua e percebe a dos demais. Entre 2003 e 2007, o Ministério da Cultura ampliou em 130% os investimentos na área cultural, que passaram de R$ 706,2 milhões, em 2003, para R$1,6 bilhão, em 2007. Esses números incluem investimentos diretos do orçamento do MinC e os recursos de incentivo via renúncia fiscal. Hoje, finalmente temos indicadores culturais, graças a uma parceria inédita com o IBGE. Essa parceria já permite fazer uma tentativa de avaliação nacional de nosso trabalho e das outras instâncias de governo. Isso vai permitir que as políticas de cultura se consolidem e se qualifiquem no Brasil.

Para citar alguns exemplos, estamos zerando o número de municípios sem bibliotecas no país, ainda em 2008, pretendemos instalar 631 novas bibliotecas, já temos os recursos garantidos para 300 e dependemos da votação do orçamento deste ano para garantir as demais. Em 2007, mais de 100 milhões de reais foram canalizados para a cultura por meio de seleção pública – um acesso democrático, sem decisão unilateral de empresas privadas, o que antes excluía boa parte da produção cultural brasileira. Conseguimos descentralizar a distribuição dos nossos recursos, aumentando os investimentos em todas as regiões. Chegamos a ampliar em 10 vezes os investimentos no Norte, por exemplo, sem para isso prejudicar a região Sudeste, que responde por grande parte da produção cultural do país. Atendemos áreas historicamente desassistidas pelo Estado, como as comunidades de periferia e as ações culturais no interior do país, as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, entre outras.

Também conseguimos atender os mais diversos setores da cultura, fortalecendo, por exemplo, a produção independente e os artistas que trabalham com inovação de linguagem. Enfim, estamos em construção e, como tudo que está em construção, com algo novo a cada dia, com ajustes permanentes do que propomos e do que nos é proposto, de acordo com a dinâmica do país e do mundo cultural. Nesta construção, podemos dizer que o Ministério ganhou visibilidade e hoje é respeitado, tem uma política de audiovisual consolidada, que deu novo fôlego à indústria cinematográfica brasileira, fortaleceu o apoio à produção experimental, que democratizou a produção e a circulação do conjunto das obras audiovisuais no país. Temos uma política de museus sendo encaminhada com êxito, só no ano passado, investimos R$ 160 milhões no setor, quase oito vezes mais do que o investido em 2002. Neste ano, continuaremos a fortalecer o sistema de segurança dos museus brasileiros. Também concretizamos uma política forte e abrangente de valorização do patrimônio cultural imaterial no país.

Outro avanço que merece destaque é o Programa Cultura Viva. Em 2008, chegaremos a 2000 Pontos de Cultura no país. Apenas neste ano, investiremos R$104 milhões nesses Pontos. Esse é um número revelador, quando comparado com o nosso primeiro ano de gestão, pois o que investimos nessa ação equivale praticamente à metade do primeiro orçamento do MinC, em 2003.


Leia a entrevista .

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Tempo made in CV!

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Depois de ler que "PARLAMENTO: Uma manhã para definir a ordem do dia", comecei a imaginar quantas voltas teria dar uma "hourglass" para fechar o meio dia dos deputados da nação.

O número certo de voltas não sei, mas que a areia ficaria mais fina, isso de certeza!

Cultive mais sobre tempo aqui.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Breaking News!

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Depois de João Branco na capa do Rolling Stone, encontrei o reporter pelos lados de Palmarejo. O homem estava com sede e pediu agua em minha casa. Ouviu o som que vinha de dentro, não resistiu entrou até chegar ao meu Studio Projetu.

Não deu outra, saí também na primeira página da famosa revista...O reporter anda por aí. Você pode ser o próximo!!!

Dukumentu!

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Ouvi com atenção o novo trabalho do Zezé.

Senti alguma angústia depois da audição.

É que ainda acredito que o Zezé tem um timbre de voz único no nosso meio musical.

Saber usar o seu instrumento vai continuar a ser dos maiores desafios para este músico.

Dukumentu não é o meu novo disco do Zezé.

Ainda é forte, a marca deixada pelas obras anteriores. Disse obra.

Tanto "Guentis d´Azagua" e Onty i Ojy são dois master pieces que constitutem o património musical das ilhas.

Onty i Ojy então, para mim, é um dos maiores discos produzidos pelo criolo.

Coincidencia ou não, os dois discos foram produzidos pr Paulino Vieira, mestre na direcção musical, coisa que a meu ver faltou em Dukumentu.


Como final thought, deixo a frase uma vez dita por Paulino:

"as notas musicais para serem autênticas, a tua alma tem que estar em paz..."
Foto: Asemana

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Back Home!

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Di volta pa Son di Santiagu...

Feels good!










Foto: Djinho Barbosa

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Not Surprised at all!

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Faço aqui ECO do Poll lançado por João Branco.

Pergunta: Como está o nosso Ministério da Cultura?

Número total de votantes: 52

Pior é impossivel - 20 (38%)
Medíocre - 26 (50%)
Razoável - 5 (9%)
Bem - 0 (0%)
Muito bem - 1 (1%)

Hello Abronis!

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Tem sido dificil dar um sinal. Primeiro o fuso e depois a agenda.

Sei que vais mandar esta, "o que é que esta foto tem de especial?"

Nada. Especial mesmo é o lugar e a sobretudo a mesa.
O restaurante é o Parker House em Boston, que funciona desde 1855.

A mesa?

Meu, foi neste "spot" que JFK pediu a mão de Jackie.
Can you believe it?

Tem mais. Malcom X trabalhou também aqui.


Mais?
Há um criolo (do Sal) trabalhando actualmente no Parker House...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

It´s all White!

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Middleboro, MA - USA

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Desliguei a antena!

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Caros Djs das FMs, queria vos informar que lamentavelmente decidi que a partir de hoje não tomam mais boleia no rádio do meu carro.

Desliguei a antena, cansei do vosso reportório.


Que o Zé Lovi, tome boleia no carro que vem atrás.

PS: A minha estatistica de uma semana mostra que em cada 10 musicas tocadas pelos caros Djs, 8 são da autoria do Zé Lóvi.
As outras duas são do seu primo Kuduru...

Precisa-se alargar o conhecimento do campo musical. Ouvintes são de todo o tipo.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

A ROTA do Amistad!

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Amistad, não passa por Cidade Velha. Disse ASemana on line.
Segundo o jornal houve "falta de sensibilidade das autoridades nacionais, que não conseguiram dar a conhecer com mais profundidade a Cidade Velha aos cientistas norte-americanos que viajam a bordo do navio «La Amistad».

Fiquei de cabelo em pé. Fui investigar aqui para perceber um pouco sobre a rota deste navio histórico.

Na verdade parece haver uma "ignorância total" sobre a Cidade Velha e a sua importância.

Por exemplo, no site não há uma única referência a Cidade Velha. O que há é APENAS isto quando mencionam os portos de visita:
"Cape Verde is an island off the coast of Africa that served as a place to purchase slaves and trade for salt prior to the transatlantic crossing"

Mas isto é o que dizem de Senegal, e claro mencionando Goré (para muitos menos importante que a Cidade Velha):

"Dakar was a central port for exporting slave cargo. One of its islands, Goree, was one of the principal factories in the triangular trade between Africa, Europe and the Americas. The Portuguese first settled the island in 1450. Goree is most known for the "Maison des esclaves", French for House of Slaves. Built by an Afro-French Metis family the house was used as a holding pen and transfer point for human cargo during the trade.

Goree underwent several ruling changes during the slave trade. After the Portuguese the United Netherlands captured the island in 1588, followed by the Portuguese and then the Dutch again before the British established rule in 1664. The French took over in 1677 and held the island until Senegal was granted independence in 1960.

The slave trade of Goree was essentially run by wealthy merchant families in Bordeaux and Nantes, France. Slaves from the island were sent mostly to French colonies in the Caribbean and Louisiana as well as Cuba and Brazil.

In February of 1794 France was the first country to abolish slavery and the trade in Goree stopped. However, in 1802, under Naploean Bonaparte, the French re-instated slavery as the trade was essential to continued profits for the French sugar plantation owners in the Caribbean. Goree officially ended the slave trade in 1815 but the actual practice did not cease until 1848.

Goree is a UNESCO World Heritage Site.

Hosts: Government of Senegal ".

Penso mais uma vez nest post...Deus nos acuda!

terça-feira, janeiro 08, 2008

Tempo CV!

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O tempo médio nas filas CV, you name it, Bancos, Electra, Telecom, Seguradoras, TACV, quase todo o tipo de serviço é de 30 a 60 minutos?

Discorda? Da próxima vez que estiver numa fila tire a "prova dos nove".

Há dias alguém me dizia "no stress, man li ê Cabo Verde".

Enfim, temos um tempo também tipo PMA, culturalmente adaptado...

Veja ainda a versão JBvc (João Branco - versão cartoon).

Tó cria Conhecimento e Alerta!

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A tese que o Tó acaba de defender, entre outras coisas, é de uma actualidade impressionante.
Mostra que a história de Cabo Verde tem sido de ciclos de oportunidade de desenvolvimento.
A falta de estratégia gerencial e de uma elite local atenta terá posto em causa em momentos cruciais outras dinamicas de desenvolvimento, que acabaram por beneficiar, por exemplo, as Canárias.


Será que hoje, face a uma nova vaga de oportunidades terá Cabo Verde aprendido as lições da sua própria História?

Obrigado Tó pelo conhecimento criado, pela tese e pelo alerta.
PS: Veja o artigo do asemana e sobretudo alguns comentários desta nossa provincia...é de matar qualquer um!

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Grande Salto!

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Ontem assisti ao Grande Salto da nossa TCV.

O assunto era Cultura. 2007 e Perspectivas.
O painel era de luxo. Humbertona, Mário Fonseca, Leão Lopes e João Branco.

O que me ficou depois do Grande Salto?
Pelo menos 3 dos convidados afirmaram que em termos de Cultura, ainda não demos...

o salto.

Somos um PMA (Pais Menos Avançado) Culturalmente.

Veja a crónica do João Branco a este propósito.

E ESTA!

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Opinião: O declínio francês, visto dos Estados Unidos

Antoine Compagnon*

"A morte da cultura francesa": esta é a manchete da capa do mais recente número da edição européia da revista "Time" (3 de dezembro de 2007).

A edição americana, por sua vez, não considerou relevante reproduzir o artigo: a sua abstenção confirma que, do ponto de vista da Entertainment Industry (a Time Warner é também proprietária do AOL, da HBO e da CNN), a cultura francesa está desde já devidamente enterrada - decididamente nula e desprovida de qualquer interesse.

Este antigo refrão está bastante surrado. Há três anos, a revista literária "London Review of Books" publicava dois artigos contundentes de Perry Anderson sobre "A decadência da França" (nos dias 2 e 23 de setembro de 2004). O sociólogo marxista da UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles) relatava a existência de um grande número de livros franceses a respeito do nosso declínio em todos os setores do conhecimento e da cultura. Estávamos vivenciando um final de reinado.

Depois de alguns meses de observação, a eleição de Nicolas Sarkozy parece não ter mudado nada. Isso porque nós costumamos oferecer o chicote para sermos castigados por quem se dispuser a isso, especulando sem parar a respeito do nosso próprio crepúsculo. Por que então os meios de comunicação estrangeiros não se mostrariam sensíveis a esses apelos?

Don Morrison, o diretor responsável da edição européia da "Time", não encontrou nenhuma dificuldade para enumerar os sintomas do mal cultural francês:

- 727 novos romances chegaram às livrarias francesas na volta às aulas de 2007, mas menos de uma dúzia de obras costumam ser traduzidas nos Estados Unidos anualmente;

- Cerca de 200 filmes por ano são produzidos na terra de Asterix, mas uma proporção de 50% das receitas de bilheteria no circuito francês é faturada pelo cinema americano;

- Paris foi abandonada pela criação musical e pelo mercado da arte (a gente se consola como pode, por exemplo, com a atuação de François Pinault como proprietário de casa de leilões Christie's).

Tudo isso apesar de um orçamento desproporcional para a cultura (1,5% do produto nacional bruto - PNB -, contra 0,7% na Alemanha, 0,5% no Reino Unido, 0,3% nos Estados Unidos). Resumindo, nós temos uma cultura que respira com ajuda de aparelhos, amplamente subvencionada pelo Estado, as regiões ou os municípios, mas que não apresenta interesse algum fora das nossas fronteiras.

As causas deste isolamento foram lembradas: o francês decaiu e não passa mais da décima segunda língua falada no mundo; a cultura de Estado desestimula as iniciativas privadas; os subsídios fazem com que a criação siga vivendo na pobreza no interior do país e incapaz de enfrentar o mercado mundial; o Novo Romance e a teoria literária esterilizaram a ficção, de tal forma que os franceses preferem ler romances americanos épicos.

Sem dúvida poderíamos argumentar que Paris continua sendo o destino predileto dos turistas de todos os países, dos norte-americanos em particular, que o francês continua sendo a principal língua estrangeira ensinada nos Estados Unidos (uma vez que o espanhol deixou de ser uma língua estrangeira neste país); ou ainda que o livro "Suite Française" (Suíte francesa), de Irène Némirovsky, que obteve o prêmio da tradução da French-American Foundation (Fundação Franco-Americana) em 2006 - eu sou membro do júri -, figura há muitas semanas na lista dos best-sellers do "The New York Times".

Será que alguém percebeu que três dos principais eventos musicais deste outono em Nova York foram protagonizados por criadores franceses, começando com Pierre Boulez, que substituiu Claudio Abbado na direção da Orquestra do Festival de Lucerna (Suíça) para conduzir a Terceira Sinfonia de Mahler no Carnegie Hall; seguido pelo pianista Pierre-Laurent Aimard, que interpretou Haydn, Mozart e Beethoven com a Orquestra de Câmara Mahler; e terminando com Natalie Dessay, em sua estréia no Metropolitan Opera, com a sua interpretação em "Lucia di Lammermoor", de Donizetti?

Contudo, a bonita revanche obtida por Irène Némirovsky não recompensa a literatura viva, enquanto Boulez há muito deixou de ser um jovem rapaz. Por isso, seria uma insensatez ignorar o veredicto dos nossos amigos norte-americanos a respeito da pane da cultura francesa. Considerados a partir do outro lado do Atlântico, depois do existencialismo e do estruturalismo, depois de Malraux, Sartre e Camus, ou Barthes, Foucault e Derrida, os artigos publicados em Paris não mais inspiram a vanguarda intelectual. Eu mesmo estou lendo os mais recentes livros de Philip Roth, Pynchon ou DeLillo, que suscitam em mim um interesse muito maior do que qualquer auto-ficção recém-produzida no bairro de Saint-Germain-Des-Près, qualquer brincadeira minimalista, ou ditado pós-naturalista produzidos em nossa capital.

Há três anos, nós atribuímos o prêmio da French-American Foundation à tradutora de "Silbermann", de Jacques de Lacretelle, um romance curto, porém intenso de 1922 a respeito da descoberta do anti-semitismo por um colegial. A escolha não foi ditada pela falta de outras traduções bem cuidadas, e sim pela inexistência, em meio às traduções submetidas ao júri, de obras contemporâneas substanciais.

Ora, o dilema vem se repetindo praticamente todo ano. Segundo Douglas Kennedy, citado pela "Time", enquanto "a ficção americana se preocupa com a condição americana, os romancistas franceses fazem coisas interessantes, mas o que eles não fazem, é abordar o que acontece na França".

Uma vez que as regras do jornalismo americano exigem sempre "valorizar um ponto de vista positivo", o editor europeu da "Time" ainda assim nos reconforta, nos devolvendo algumas boas razões para ter esperança, na conclusão da sua matéria de capa. Afinal, não devemos nos esquecer de que nós realizamos, de vez em quando, alguns bons filmes, como os mais recentes de Luc Besson, além de "O Albergue Espanhol" ou "Amélie Poulain".

Acontece que eu pude assistir a todos eles (eles fazem parte daquela categoria de filmes aos quais a Air France expõe os sujeitos presos em seus aviões), mas eles não me fornecem razões particulares para ter esperança. De uma maneira mais séria, houve um período inicial durante o qual nos acertamos as nossas contas com o colonialismo (mesmo se o nosso demônio nacional nos incentivou muito recentemente a vangloriar as suas benfeitorias, com a lei de 23 de fevereiro de 2005, que seria anulada posteriormente). Uma vez que esta fase foi considerada como encerrada, a França tornou-se então "um bazar multi-étnico de arte, de música e de escrita, das periferias e dos recantos mais disparatados do mundo não-branco", o que faz dela "um paraíso para os apreciadores das culturas estrangeiras".

Portanto, a cultura francesa precisa parar de choramingar sobre a sua decadência para começar a procurar a sua inspiração nas suas margens; além disso, ela também precisa se abrir sem restrições para a globalização. Tais são as recomendações da "Time". Basta que adotemos a receita multicultural e nós estaremos salvos. Ainda assim, nós precisamos ter um cuidado redobrado. Como metrópole pós-moderna repleta de diásporas, como capital mundial do século 21, Paris nunca conseguirá competir com Nova York, nem no plano cultural, nem no terreno das atividades da Bolsa, nem naquele das salas de leilão.

Será que a luz no fim do túnel do declínio passa pela reforma completa da formação escolar; pela reabilitação da leitura como uma atividade na moda; pelo ajuste das discrepâncias entre a literatura e o mundo; pela introdução de um ensino artístico no segundo grau; pela concorrência das universidades, ou ainda pela liberalização das questões culturais, conforme prescrevem o presidente da República e seus ministros da educação nacional, do ensino superior e da cultura? É possível. Mas, o que nós precisamos fazer, sobretudo, é apostar, para desmentir todos os Perry Anderson e os Don Morrison da vida, que o romance da França contemporânea está sendo impresso neste exato momento.

*Antoine Compagnon é professor de literatura francesa no Collège de France.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

...............
TRECHOS DA TIME
O artigo da revista "Time" tem trechos de pura ironia ao descrever o cenário atual da cultura na França.

A retratar o cinema do país, o texto destaca que a indústria francesa, que era a maior do mundo há um século, não conseguiu mais voltar a ter a influência dos anos 60, quando diretores como François Truffaut e Jean-Luc Godard reescreveram as regras da sétima arte.

"O único filme francês a ter algum sucesso nos Estados Unidos este ano foi a animação "Ratatouille" - "oops, ela foi feita na americana Pixar".

Um entrevistado ajuda a corroborar a ironia do artigo, também ao falar de cinema.

"O típico filme francês dos anos 80 e 90 tinha um bando de pessoas sentadas comendo e discordando umas das outras", diz o escritor Marc Levy.

"Uma hora e meia depois, elas ainda estão sentadas comendo; algumas estão em acordo e outras ainda estão em desacordo", completa.

...................
MAIS IRONIA
Ao tratar da música popular francesa, o artigo também usa de ironia. "Cantores e cantoras como Charles Trenet, Charles Aznavour e Edith Piaf eram ouvidos no mundo todo. Hoje, americanos e britânicos dominam a cena pop. (...) Poucos artistas [franceses] são famosos fora do país. Teste: diga o nome de um pop star francês que não seja Johnny Hallyday"

O texto justifica a discussão da suposta decadência da cultura francesa da seguinte forma: "Seria apenas outra extravagância - como a baixa taxa de natalidade na Itália ou o apego da Rússia pela vodka - se a França não fosse a França. Trata-se de um país no qual promover a influência cultural tem sido uma política nacional há séculos, e filósofos controversos e museus pomposos são símbolos de orgulho e patriotismo".

quinta-feira, janeiro 03, 2008

CD Poll Results!

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Ficou assim o resultado do "Vote no CD que mais gostou!"
Agradeço as 47 pessoas que votaram.

Tcheka - 16 (34%)
Kim Alves - 11 (23%)

Mario Lucio - 6 (12%)
Tó Alves - 6 (12%)
Nhonhó Hopffer - 5 (10%)

Vadu - 2 (4%)
Zeca Nha Reinalda - 1 (2%)

Breaking News!

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"62 (Sessenta e dois) Cds vendidos na sessão de lançamento, 300 (trezentos) numa só tarde e quase 600 (seiscentos) em 15 dias, numa média de 5 Cd’s por dia a retalho, só em Santiago, são os dados de venda do Cd Badyo de Mário Lúcio registados pela harmonia em menos de um mês.

Em comparação com o histórico de venda de todos os artistas nacionais e internacionais distribuídos no país, o máximo de vendas registado num lançamento tinha sido de 25 Cd’s, e num período de 15 dias o máximo tinha sido de 300, quantia que o Cd Badyo de Mário Lúcio vendeu numa única tarde, no dia 6 de Dezembro.

Badyo foi posto no mercado no dia 2 de Dezembro, e o lançamento aconteceu no dia 13 de Dezembro, no Farol da Praia e no dia 20 no Mindelo. Do lançamento a esta data, 31 de Dezembro, isto é, em 15 dias, Badyo é o Cd mais vendido de todo o ano 2007, e o mais vendido de sempre em igual período de tempo, encontrando-se esgotado neste momento."

Fonte: Harmonia

1º de 2008 - Um grande ECO a João Branco!

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Queria começar o ano com esta sintonia e fazer também meu este post do João Branco.

"O que eu gostaria que acontecesse em 2008:

1. Que o Cine-teatro Éden Park fosse adquirido pela Câmara Municipal de S. Vicente e, após obras de remodelação e adaptação, fosse transformado em Teatro Municipal;

2. Que o Auditório Nacional fosse capacitado e entregue a uma equipa artística, com orçamento próprio do Governo de Cabo Verde, constituída por um produtor, um programador e uma companhia de dança e teatro residente, pagos pelo Estado. A experiência da Companhia Raiz di Pólon seria uma fantástica vantagem;

3. Que os artistas de Cabo Verde criassem plataformas de discussão, conversa, partilha, para melhor se conhecerem, como artistas, como homens e como cabo-verdianos;

4. Que a Lei do Mecenato fosse mais divulgada entre os agentes económicos e investidores interessados e/ou já como projectos para Cabo Verde;

5. Que o Centro Nacional de Artesanato fosse finalmente inaugurado, com todas as obras do seu espólio, numa cerimónia em que seriam também homenageados os seus grandes obreiros, responsáveis pela primeira (e única?) grande recolha etnográfica realizada em Cabo Verde;

6. Que por cada estádio de futebol anunciado (ou inaugurado), fosse anunciado (e inaugurado) também uma sala de espectáculos polivalente, para servir os grupos locais, porque a infra-estruração cultural não é (ou não pode ser) menos importante do que a desportiva;

7. Que abrissem livrarias em todos os concelhos do país, com oferta actual e diversificada e preços competitivos, que pudessem servir não apenas como espaços comerciais, mas também locais para tertúlias e encontros entre artistas e interessados;

8. Que se realizasse em Cabo Verde uma Bienal de Artes Plásticas e Design, com competência, criatividade e profissionalismo;

9. Que fosse incentivada nas rádios, locais e regionais, a realização de programas de música alternativa, onde se pudesse ouvir um pouco mais da dita música clássica e erudita ou conhecer um pouco mais da história do Jazz;

10. Que fosse implementada numa reforma do Sistema Educativo, a obrigatoriedade de aulas de Expressão Dramática, Expressão Corporal, Expressão Plástica, Expressão Musical, História de Arte e Cultura Cabo-verdiana, nos diferentes níveis de ensino. Ou seja, uma reforma de ensino compatível com a importância e a presença que todos reconhecemos à cultura, na sociedade cabo-verdiana;


O que provavelmente irá acontecer em 2008:

1. O Éden Park será destruído, meia dúzia de vozes se levantarão indignadas, mas de pouco adiantará. O progresso e o desafio de Cabo Verde enquanto Pais de Desenvolvimento Médio não são compatíveis com nostalgias antiquadas. O país e a cidade precisam, com muito maior urgência de mais um complexo hoteleiro e/ou Centro Comercial;

2. O Governo de Cabo Verde continuará a atribuir uma verba praticamente simbólica ao Ministério da Cultura, e portanto, as infra-estruturas culturais continuarão a ser alvo de processos de privatização, ou melhor, de auto-sustentação concessionária;

3. Continuaremos a assistir, com grau de assiduidade variável, a discussões sem conteúdo, sem interesse e sem nexo, sobre badios e sampadjudos e a importância ou desimportância de cada faceta para o desenvolvimento de Cabo Verde. Dois ou três amigos de longa data ficarão alguns meses sem se falar;

4. Continuaremos a ver muitos agentes culturais a bater de porta em porta, a gastar fortunas nos telefones, a tentar falar com o «senhor Administrador», a propósito de um apoio para uma actividade cultural concreta. Continuaremos a depender da boa vontade e bom senso de uns quantos gestores bem intencionados;

5. Um representante do instituto responsável visitará a cidade do Mindelo, e anunciará com grande satisfação e gáudio geral, em conferência de imprensa realizada para o efeito, a inauguração do novo Centro Nacional de Artesanato, para data a anunciar brevemente.

6. Não se prevê a inauguração de nenhum teatro, ou cinema, ou sala de espectáculos, ou sala de ensaios para grupos locais, em nenhum concelho do arquipélago. Não está previsto, sequer, o lançamento de primeiras pedras para o efeito (sempre era uma esperança);

7. Provavelmente, vamos continuar que ter que esperar por uma ida ao estrangeiro – e à FNAC – para encontrar o tal livro, ou quando muito, aguardar pela Feira do Livro, e esperar que esse título esteja no grupo dos seleccionados. Livrarias continuarão sendo muito raras e havendo-as, tem os livros a preços absurdos, comparativamente com os do local de origem;

8. Vamos continuar a ir a exposições de artes plásticas – interessantes, algumas; apenas bem intencionadas, outras – mas com obras expostas sem qualquer critério e/ou preocupação estética. A esperança de ver uma exposição colectiva com a participação de alguns dos nossos melhores artistas plásticos, é bastante remota;

9. O tipo de música passada nas rádios continuará a ser o mesmo de sempre; se, por acaso, ouvirmos música clássica na rádio, com certeza que é porque alguém importante morreu;

10. Vamos continuar a ter alunos do ensino secundário e/ou superior a procurar artistas ou intelectuais para entrevistas, onde, entre outras banalidades, se pergunta o que é o teatro ou a música e como apareceram certas manifestações culturais em Cabo Verde. Felizmente, já existe bibliografia especializada sobre o assunto, o que torna tudo mais fácil."

Mindelo, 30 de Dezembro de 2007

terça-feira, janeiro 01, 2008

Na 2008...

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"N´CRE VIVI
DI RISU I MUSICA
NA RITIMU DI UN SONHU VERDI
PA NOS VEIA KA CORRI
UN MELODIA FALSU..."

Versu di Tranzi - Trás di Son (2006)

N´ta spera consigui trazi Son di Santiagu em CD...

Saúde a tudu nós i un anu ki nu ta mereci.

Feliz 2008