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terça-feira, julho 15, 2008

Hernani - Taking off!



Texto de Rita Vaz da Silva - Jornalista

Hernâni Almeida lança primeiro álbum a solo esta quinta-feira

"Afronamim", primeiro álbum de originais de Hernâni Almeida, chega esta semana ao mercado nacional.

Gravado em Agosto de 2006, este trabalho totalmente instrumental é, nas palavras do artista, "como voltar a nascer". "Normalmente, uma gestação demora nove meses, mas no caso do meu disco posso dizer que foram 30 anos (a idade de Hernâni) de gestação em que o nascimento é o lançamento do disco. Foi este tempo que precisei para crescer, e para, na altura certa, mostrar as minhas notas", afirma o guitarrista e produtor musical à Inforpress.

Hernâni "renasce" assim em dois concertos de apresentação de "Afronamim", trabalho que, por enquanto, estará apenas disponível em Cabo Verde: na Praia, o concerto está marcado para quinta-feira, 17, às 22h30, no Espaço K; no Mindelo, será no sábado, 19, pelas 21h00, na Academia Jotamont.

Os músicos que actuam nestes dois espectáculos, ao lado de Hernâni, não são os mesmos que com ele gravaram nos estúdios Kapital, de Zunga Pinheiro (um dos produtores do disco). N'du (que já acompanhou Tcheka) vai estar na percussão, Vando Pereira é o baixista e Carlos Pereira, com apenas 15 anos, é o teclista.

No estúdio, há dois anos atrás, em apenas cinco dias, "Afronamim" surgiu de algumas "jam" entre Lúcio Vieira (teclados), Mirocas Paris (Percussão e bateria) e Zé Paris (baixo) – os dois últimos pertencentes à banda de Cesária Évora.

"Daqui para a frente espero poder tocar com músicos diferentes, tocar novas músicas e fazer novos concertos e começar a trabalhar no próximo disco", avança o músico mindelense.

Hernâni Almeida, que nos últimos dois anos se tem destacado como director musical e arranjador (trabalhou nos discos de Vadu, Princesito, Eder e ainda está a concluir a produção do primeiro trabalho a solo de Isa Pereira), quer, já a partir desta quinta-feira, concentrar-se mais no seu projecto. "Estou a pensar trabalhar menos com outras pessoas e apenas aceitar projectos em que realmente possa ganhar algo emocionalmente, em que possa crescer. Durante todo este tempo usei as minhas ideias, a minha sonoridade para desenvolver o trabalho de outros músicos e acredito que chegou o momento de guardar as minhas ideias para o meu projecto", adiantou à Inforpress.

Este primeiro disco de Hernâni, que contou ainda com o apoio do empresário Gugas Veiga, é uma edição de autor e estão apenas disponíveis, até ao momento, mil cópias. "Quero evitar um pouco o circuito das lojas, mas se alguém quiser o disco basta me contactar e eu farei com o disco chegue a essa pessoa", garante o artista.

A internacionalização é uma hipótese para "Afronamim", mas Hernâni, diz, que quer "ir devagar". "O único projecto internacional que tenho em marcha envolve o Centro Cultural Francês, e poderá levar-me a uma digressão pela costa ocidental africana no próximo ano", avança.

Afronamim tem dez faixas inéditas, compostas por Hernâni e, uma delas, por Lúcio Vieira. O disco, que a Inforpress já pôde ouvir, tem uma sonoridade que combina a música tradicional cabo-verdiana com o jazz, destacando-se a inspiração de Lúcio (que empresta às canções o ar denso de uma sala de jazz cheia de fumo de tabaco e muita melancolia), a africanidade na percussão de Mirocas e o baixo de Zé Paris, que é vital na fabricação do ritmo de "Afronamim".

Mas, ouvindo uma e outra vez, à parte da simbiose alcançada na improvisação dos quatro músicos, escutam-se fios de água a escorrer por uma encosta, o mar batendo na areia, gotas de chuva e aviões a descolar (Hernâni dedica o disco aos pilotos de todo o mundo). Sensações a descobrir no disco ou nos concertos que se avizinham!

Foto: Hernani in myspace

1 comentário:

Anónimo disse...

esse gajo é um musico do caraças , muito bom..espero ansiosamente por essa obra

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