Nkrê un Son más Son...

quarta-feira, julho 16, 2008

Hernani - Press Release!

Texto: Rita Vaz da Silva


"Afronamim": Bom Dia Tristeza

Nos dias que se seguiram ao final das gravações de Afronamim, Hernâni Almeida re-escutou, vezes sem conta, as dez canções que compõem este seu disco de estreia. "O que gosto mais de ouvir é o que cada músico trouxe de seu para cada tema. É como se eu fosse um maestro, que construiu a base, e depois cada um dos músicos foi adicionando algo, cada um com o seu instrumento", explica o artista mindelense.

"Afronamim" foi gravado em cinco dias, no final de Agosto de 2006, no estúdio Kapital, na Praia. Hernâni compôs os temas e gravou primeiro a sua parte, em guitarra, e depois pediu a cada um dos músicos, guiando-os, que contribuíssem com o seu instrumento para dar corpo às composições. O resultado, diz, é assim fruto da improvisação entre ele e Miroca Paris, na percussão, Lúcio Vieira, nos teclados, e Zé Paris, no baixo.

"Se tivesse sido eu a tocar todas as componentes das músicas não teria prazer nenhum em ouvi-las, e tenho estado a ouvir as canções vezes sem conta escutando como cada um dos músicos interpretou a sua parte. É isso que gosto neste disco", afirmava, em 2006.


O disco é totalmente instrumental e contém dez faixas, todas compostas pelo guitarrista do Mindelo, cidade da ilha de São Vicente, à excepção de "Na Strada" que foi escrita por Lúcio Vieira.
Durante a fase de edição e mixagem, Hernâni confessava que as músicas são "um pouco tristes". Talvez sejam antes melancólicas, mas daquelas poucas coisas melancólicas a que nos apetece dizer "bom dia".

Nessas dez canções inscrevem-se, tristezas à parte, umas quantas pistas biográficas do autor: a paixão pelos aviões e o imaginário do flight simulator (que tão bem se ouve em Take off e ILS), a raiz cabo-verdiana (Kolanala e Dzem kma sim) e a formação clássica/jazz (Adaggio, Take off).

Mas outros elementos, muito característicos da "sonoridade Hernâni" e que marcaram a diferença nas suas colaborações com Baú e Tcheka, surgem neste primeiro trabalho a solo: a gestão dos silêncios; a atenção aos detalhes; as melodias delineadas como um gráfico, com picos de emoção; as malhas da guitarra que flúem como água, às vezes que soam como pequenas gotas de chuva.

Embora já outros apreciadores da música de Hernâni tenham mencionado esta semelhança sonora à água, o músico entende o seu som mais como o deserto – a paisagem que predomina em Cabo Verde. Mar e deserto estão, contudo, mais próximos do que pode aparentar. Stefano Malatesta, no seu livro "Il grande mare di sabbia", descreve o deserto como quem atravessa o mar – com paixão pela travessia mas com urgência na chegada. O paradoxo é comum a ambos e é curioso como, apesar das suas diferenças, temos percepções semelhantes de deserto e mar.

Na música, as sensações são ilimitadas, comparáveis a tudo e a nada. A travessia de Hernâni Almeida, a solo, inicia-se agora, num cruzamento onde a herança da música tradicional cabo-verdiana, com séculos de vida, se depara com um Cabo Verde cosmopolita e urbano, de olhos no futuro.

"Afronamim"

Ficha Técnica:

Composições e direcção artística por Hernâni, excepto em "Na Strada", composto por Lúcio Vieira.

Guitarra: Hernâni

Baixo Acústico: Miroca Paris

Piano: Lúcio Vieira

Vozes: Miroca Paris e Lúcio Vieira


Gravado no Estúdio Kapital, Praia, Cabo Verde (27 Agosto-2 de Setembro de 2006)

Montagem e edição: Zunga Pinheiro e Hernâni

Produção: Zunga Pinheiro e Hernâni

Co-produção: Miroca Paris


Lançamento em Cabo Verde:

Praia, Lounge do K, Quebra-canela

17 de Julho, 23 horas



Mindelo, Academia Jotamont

19 de Julho, 21 horas



Venda:

Para aquisição do cd (edição limitada) contactar Hernâni Almeida: hernany1978@gmail.com

Mais informações:

http://www.myspace.com/hernani1978



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