Nkrê un Son más Son...

segunda-feira, maio 26, 2008

Guenny Pires - The Journey of Cape Verde


Vi há dias este documentário do foguense realizador Guenny Pires.

Vi várias estórias relacionadas com a história do criolo das ilhas e da diáspora.

Mas o que retive mesmo foram os momentos em que Guenny pergunta "o que é a caboverdianidade?".

Um adulto diz que não sabe.

Uma criança diz: "keli inda n ca inxinadu na scola..."!
Apenas um outro percurso a fazer, creio!

1 comentário:

Alex disse...

Duas respostas plenas de sabedoria e fascínio.

-"Um adulto diz que não sabe."

-"keli inda n ca inxinadu na scola..."

Um não sabe que já sabe a resposta.
O outro já sabe que ainda não sabe a resposta, só não sabe ainda porquê (ou seja, não sabe o insustentável peso desse AINDA; não sabe ainda, que o NÃO SABER é também uma forma de sabedoria)!

1- Desafio quem souber responder melhor do que eles que o faça!

2- A minha resposta: Eu sei o que é! Não sei (é dizê-lo)! Não me ensinaram! GRAÇAS A DEUS!

1 abr
ZCunha

NOTA1: Lembras-te daquele sugestão de leitura que fiz a ti e ao Abraão num dos Post’s dele há dias atrás? O conto “A Herança” do Virgílio Avelino Pires?! Esse “textozito” ensinou-me a compreender o que é a (minha) caboverdianidade, mais e melhor do que toda a história da filosofia, da literatura, das artes, da religião, fizeram, ou algum dia farão. Mas, insisto, não me perguntes O QUE É(?). O que quer que ela seja, sei que um dia, há já muitos anos, o encontrei nesse texto. A leitura desse conto foi o meu Big-Bang. Lendo-o, algo deflagrou em mim. É por isso que esse texto é mais do que um simples texto, é, para mim, algo do domínio do sagrado (mas sem idolatria). Lê-lo tornou-se um quase ritual. Há ali uma voz essencial que se insinua, muito para além do que está dito (e que é escasso), que até hoje nunca encontrei/escutei em qualquer outro texto. Uma revelação, uma verdade, uma grandeza e uma nobreza na sua aparente simplicidade, que é a um tempo, material e espiritual, ontológica e metafísica, estética e ética. Há ali algo que escapa à racionalização, e que é da ordem do indizível, da emocionalidade, da revelação.
NOTA 2: Este teu Post foi motivo para uma reflexão mais extensa, que não cabe no âmbito deste comentário, e será publicado noutro espaço um deste dias. A tese que aí defendo fará luz sobre a minha resposta de hoje.

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