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terça-feira, fevereiro 05, 2008

O Trabalho do Ministro!

















Fonte: Asemana

– Kriolidadi – Em termos culturais, qual o balanço que faz do ano 2007?

– Manuel Veiga – Antes de mais, gostaria de registar que o ano de 2007 foi muito profícuo, em termos culturais. É certo que a cultura ainda não atingiu o patamar que merece e não conseguiu ainda dar o grande salto sonhado e desejado. Porém, a situação mudou, significativamente, e novas ideias de mudanças pairam no horizonte.

Com efeito, começa a ganhar contornos mais defi nidos uma nova percepção de cultura, interpretada como um complexo unitário de elementos complementares, mas distintos, onde sobressaem várias vertentes, entre as quais: a faceta identitária, a de estética e criatividade,
a de investigação e interpretação do real, a de salvaguarda e interiorização patrimonial, a de lazer e de manifestações artísticas, a de organização ética, política e religiosa das várias formas e
conteúdos do existir humano, a de gestão económica, empresarial e promocional das diversas indústrias de cultura.
Em poucas palavras, a cultura vem sendo entendida, de forma cada vez mais abrangente e globalizada, como resposta, visão e interpretação do real, como atitude ética, estética, histórica, pedagógica, ambiental, lúdica, jurídica, política, económica e religiosa do homem, na complexidade do seu existir. É em sintonia com essa percepção dinâmica, transversal e unitária da cultura que gostaríamos de apresentar o balanço governamental do sector.

Foram inúmeras as realizações levadas a cabo, entre outras: o Simpósio Internacional sobre a Geração Centenária do Movimento Claridoso, na Praia; o Dia Nacional da Cultura sob o signo da Claridade, em S. Vicente, no Fogo, na Brava e em Santo Antão; a participação numa Feira do Livro em Fortaleza, no âmbito das celebrações claridosas centenárias; a participação no centenário de nascimento de Baltasar Lopes organizado pela Câmara de Ribeira Brava; a conferência internacional sobre “Cidade Velha – O Futuro do Passado; a
elaboração do Dossier de Candidatura da Cidade Velha a Património da Humanidade; a inauguração de três Igrejas restauradas, respectivamente, Nossa Senhora da Conceição, em S. Filipe (Fogo), Nossa Senhora do Rosário, na Ribeira Brava (S. Nicolau) e Nossa Senhora
do Rosário, na Ribeira Grande, em Santo Antão; o restauro do antigo Centro Nacional de Artesanato, já na fase fi nal de conclusão; a requalifi cação de algumas casas históricas na Rua da Banana, na Cidade Velha; a visita da Ministra da Cultura de Portugal a Cabo Verde;
a realização do VI Encontro dos Ministros da Cultura da CPLP em Cabo Verde; a realização de feiras do livro em vários pontos do país; várias edições de obras signifi cativas, destacando-se a História Concisa de Cabo Verde; a recuperação, organização, digitalização e microfilmagem de vários documentos históricos; a organização de várias exposições no domínio da arte e da história; a concessão de vários patrocínios à arte e à cultura, tanto no aspecto de criatividade,
de interpretação, de animação, de formação e de divulgação, dentro e fora do País.

– Que projectos o Ministério da Cultura tem para 2008?

– 2008 vai ser um ano de várias novidades, na área da cultural.
Desde logo, o Dossier de Candidatura da Cidade Velha a Património da Humanidade será entregue à UNESCO; o Dia Nacional da Cultura será celebrado sob o signo da música e haverá dois concursos, sendo um para a descoberta de talento jovem e outro para a reconfirmação e distinção de conceituados artistas. Os galardoados serão conhecidos numa grande gala musical, no seguimento dos concursos de apresentação e de promoção das respectivas obras.
Outro projecto-bandeira para 2008 é o Fórum sobre a Economia do Desenvolvimento Cultural, onde se vai discutir e partilhar a experiência de Cabo Verde com experiências mais avançadas da África, Europa e América, no tocante à promoção e fi nanciamento da cultura, no concernente à industrialização da cultura e ao combate à pirataria no campo do audiovisual, tendo por objectivo fundamental a procura de auto sustentabilidade cultural. Constitui ainda novidade para 2008 a institucionalização de uma bolsa de criatividade cultural, lançamento de concursos para a concepção do Monumento à Liberdade e do Memorial ao Capitão Ambrósio e, ainda, a celebração
do Décimo Aniversário do ALUPEC.

Vários outros projectos estarão na agenda de 2008, como o concurso para o Grande Prémio “Cidade Velha”, a criação de uma Casa de Cultura no Maio, a recuperação de vários elementos do património cultural em diversas ilhas e concelhos do país, a requalificação do Bairro de S. Sebastião e o projecto da segunda fase da Sé Catedral, na “Cidade Velha”, a segunda fase da recuperação da Capitania Velha, em S. Vicente.
Vai ser feita a musealização do Museu da Tabanca e do da Resistência, a inauguração e musealização do Centro Nacional de Artesanato. Serão várias as obras a serem editadas como: as Actas do Simpósio Claridade de 1986 e de 2007, Claridade na Palavra dos Outros, o Ano Mágico de 2006 – Olhares retrospectivos sobre a cultura e a história cabo-verdianas, Três Décadas de Artes Plásticas, reedição e publicação de algumas obras no ALUPEC e de alguns clássicos já esgotados, como ainda a edição do Dicionário Bilingue Crioulo-Português; participação na Feira do livro de Lisboa, em que Cabo Verde será País tema, organização de uma feira cultural em Boston, patrocínios e incentivos vários à arte, à investigação e à formação, na área cultural.

2 comentários:

Alex disse...

Olha, olha. Ainda há dias eu sugeria isto mesmo. E não é que o Homem falou mesmo! Vou ler mais atentamente, mas à primeira leitura direi que o nosso Manuel Veiga está definitivamente a precisar de ajuda para fazer mais e melhor trabalho, mas sobretudo para clarificar as ideias (tudo muito confuso, uma verdadeira calambetxada a resposta à primeira pergunta). A única coisa que ressalta do que aí vai dito (e eu desconheço o resto da entrevista)é o seguinte: 1)ficamos por saber no que consiste a política cultural do Governo (um punhado de realizações avulsas só para marcar a Agenda das efemérides, ausência de uma linha de rumo, e de políticas de fundo, nenhuma marca visível e consistente); 2) ficamos por saber que ideias tem o Ministro para a cultura, e da cultura(para além do previsivel e de geralidades, não se aproveita uma ideia clara, consistente, e estruturada, tudo muito confuso). Muito pouco, e muito pobre. Voltarei a este assunto. Mas creio que o nosso Ministro está 'sem gás'.
José E. Cunha

Alex disse...

ERRATA
Esqueci-me de deixar a seguinte sugestão ao Sr. Ministro da Cultura.
Caro Dr. Manuel Veiga, por favor consulte regularmente os nossos escritores, os nossos bailarinos, os nossos actores, os nossos músicos, os nossos artistas plásticos, os nossos intelectuais, os agentes culturais, as associações, o poder local, oiça-os com regularidade, não no espírito da "geraldida" mas criando grupos de trabalho (pluridisciplinares ou especializados) que o ajudem a pensar, definir, programar, realizar e controlar as actividades que o parco orçamento de que dispõe lhe permite realizar, e que, a meu ver, pede muita criatividade. Partilhe as suas preocupações, envolva-os na gestão das dificuldades, e verá que medidas mais criativas, e soluções mais eficazes poderão ser encontradas. Crie, se necesário, um Conselho de Opinião, um Observatório para a Cultura, um Conselho Consultivo, prepare uma agenda consistente de políticas e realizações a curto, médio e longo prazo, pratique uma política partilhada com os agentes culturais, e verá que os resultados vão aparecer, e só poderão ser melhores. Tenho para mim que, nem sempre, o que se pode, e se deve, fazer pela cultura, resume-se a questões de tesouraria. Saber ouvir, e querer partilhar, mais do que virtudes de um bom governante, são atitudes naturais de um homem de cultura.
Força!
José E. Cunha

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