Nkrê un Son más Son...

terça-feira, dezembro 18, 2007

Temos Medo, Djinho!

Caro Djoy, este teu comment é um antêntico post. Obrigado por isso!

Temos Medo, Djinho!
Questão 1: “Onde estão os intelectuais, artistas, igrejas, políticos, estudantes, ONGs, empresários...o escritório dos Direitos Humanos, os defensores da onda cívica, e sobretudo as vítimas?”

Nós, os intelectuais, temos medo porque não nos fica bem participar em passeatas e depois correr o risco de não reunir patrocínio para o próximo livro ou o convite para moderar ou apresentar uma comunicação numa conferência de grande nível.

Nós, os artistas, não fomos à passeata por medo de sermos vistos no Telejornal e ficarmos de fora dos festivais, de convite para animar jantares e fecharmos algumas portas importantes para a produção do próximo CD.

Nós, os religiosos, não estivemos lá porque tivemos medo que os nossos fieis, pensando que agora resolvemos descambar para a política, rumassem para outras confissões.

Nós, os estudantes, temos medo do papá e da Mama, que não nos querem ver em actos que podem bater de frente com os seus respectivos chefes.

Nós, as ONGs, temos o receio de dar a cara nestes casos, pois podemos ser conotados com Partido A ou B, e isto pode significar menos capacidade de mobilização de recursos ....

Nós, os empresários, achamos por bem não aparecer na medida em que poderia pôr em causa importantes connections...

Nós, os políticos, tivemos receio em estragar a manifestação com a nossa presença, pois os adversários iriam dizer que o nosso partido estaria por detrás do acto.

Nós, as vítimas, tivemos medo de dar a cara, ainda com sinais de maltrato, e sermos motivo de chacota no trabalho, na rua....

Questão 2: “O crioulo indigna-se com o quê?”

Nós também temos medo de nos indignarmos, e ponto final!

5 comentários:

Cesar Schofield Cardoso disse...

...e os posts do Djoy são autênticos artigos. Visita ao seu blog é obrigatório.

Quanto ao medo, só não temos medo de uma coisa: de sermos ridículos; patéticos. Disto não temos medo.

A cada dia que passa somos violentados das mais diversas formas. O Kasu Bódi é só a parte que explode; toda a violência vem de raízes muito mais profundas, que começa com o Estado de desigualdade, de inpunidade e de subversão de valores que estamos a promover nesta terra. No entanto, quando um grupo de cidadãos resolve tão somente mostrar a sua indignação, a maioria fica a ver a caravana a passar com ares de patetas autênticos. E ainda há quem faça piada. E ainda há quem repudie!!!...Que estamos a tentar manchar a actuação do Governo e da Câmara, que há muito mais coisas positivas a destacar!!!...Não estamos a ser demasiadamente ridículos? Não devíamos ter medo de estarmos a cair na incoerência?

Enquanto isso dou um abraço a todos os cidadãos de mente livre, que sentem medo das coisas que realmente é de fazer medo.

Cidadania!

Eileen disse...

Fant�stico! S� que na hora do tal asssalto, os bandidos n�o distinguem quem � isto ou aquilo, n�o � E se verterem sangue, � vermelho e d�i em toda a gente...

Paulino Dias disse...

Alo, Djinho/Djoy,

Penso que a questao podera ser vista de um outro angulo. A passeata foi posicionada para algo percebido como abstracto (lutar contra a violencia), apesar de todos os depoimentos de pessoas que ja lhe sentiram o gosto na pratica. Sendo assim, facil se torna adoptar o comportamento de "nao eh nada comigo", "isso eh la com os outros", "tenho uma coisa importante a fazer agora, nao posso faltar por isso...", etc. etc.

Uma alternativa seria direcionar a manifestacao para combater claramente as causas do aumento da violencia urbana. Manifestar-se contra os pais que estao a falhar na educacao dos filhos, manifestar-se contra o sistema educacional que esta a falhar na transmissao de valores morais e eticos, manifestar-se contra a excessiva benevolencia das autoridades em relacao a certas formas de criminalidade, manifestar-se contra a impunidade nas "pequenas" infracoes (outro dia passei num alto deputado da nacao, sem cinto de seguranca e a falar ao telemovel enquanto dirigia...). Atacar as causas e nao os efeitos. Chamar os bois pelos nomes proprios, apontar o dedo sem hesitacoes. Assim, mesmo que as pessoas nao participassem, sentir-se-iam incomodados e mesmo que intimamente poderiam fazer a sua analise de consciencia. Mesmo que nao participassem, a manifestacao teria cumprido o seu objectivo de provocar, de perturbar, de levar as pessoas a reflectirem. Um pouco de marketing.

Um abraco a todos, e ja agora, um Feliz Natal.

PD

Miro disse...

Simplesmente sublime, Djoy (queria dizer isso também em relação à quantidade de pessoas presentes na marcha, mas se nem eu me lembrei disso...) Abraços, AR

Anónimo disse...

Alguêm o disse, e disse-o com todas letras. Raramente concordo e desta vez concordo plenamente com o "Post" "temos medo, Djinho".

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