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O post da Eillen é NORMAL?


A Eillen fez este post, que para registar transcrevo.

"Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Em Badio é que nos entendemos?
Fui até à Praia esta semana e foi com surpresa que me dei conta de que a assistente de bordo nos dava as boas vindas em Badio, para depois se nos dirigir em Português, Francês e Inglês.


No final da viagem, perguntei a uma das assistentes acerca desta novidade e ela disse-me que vai ser introduzida em todos os voos da companhia, até Janeiro.


E perguntei logo: mas vai ser dita em Badio?

E ela:- Eu já lhe disse que não sei dizer isso em badio, quando for a minha vez, direi em crioulo de São Vicente. O pior é um colega meu, que é "di fora". Quando ele fala, ninguém percebe.-


Pois, imaginei......Isto assim é complicado...

E levantou outra questão:-

Mas porquê?- Porque há muita gente que não percebe o Português....


Eu até acho o Badio uma língua bonita, viva, mas que não a percebo toda, lá isso não. E sei que há muita gente no mesmo bote. Barco. Navio. Que é que pensas disto? "


Pessoalmente chamou-me atenção o espanto da Eillen nesta viagem até este Pais que se fala uma lingua de nome Badiu.
Que eu saiba, aqui falamos uma coisa chamada CRIOLO.
Deixo em destaque os pontos que penso merecem uma "discourse analysis".


Por essas e por outras, acho que o disco do Badiu Mario Lucio, de nome Badyo, pode trazer contribuições válidas.

É a criação do elemento estético associado ao Badio, contrapondo àquele lado pejorativo e negativo que ainda impera.


Isto vai levar tempo mesmo assim.

Comments

Unknown said…
de facto o normal em CV é falarmos criolo. Eu tb já tinha lido e fiquei com a sensação de que somos todos estranhos, vários povos e várias linguas nesse nosso único CV.

convenhamos que é sim possivel de não entendermos determindadas palavras, mas kriolu e um so. Ka par sen ma Eilen ka intendi.

Bali
Anonymous said…
Para quem adopta ambas as variantes (badiu i soncent) com igual à vontade e gosto, é triste saber que muita gente do norte ainda olha para o badiu, e para "os badios" (tem que ser dito), com muita "desconfiança".

Pois: a assistente de bordo falou em badiu (por ser badia), em português (para os portugueses e restantes criolos que não entendem o badiu), e, para completar, em francês e inglês.

Mais: a outra assistente de bordo disse, e bem, que quando for a sua vez falará em soncent, por ser ser essa a sua variante.

Pergunto: MAS ONDE ESTÁ O PROBLEMA? Não é tudo criolo e não somos todos cabo-verdianos?
Anonymous said…
Djinho

Teremos de fazer um belo dia (e que n�o demore) uma grande reflex�o sobre a intoler�ncia bairrista (ou ser� racista?) de alguma gente e colocar as verdades todas (e as suas consequ�ncias) em cima da mesa. Pessoalmente, sou cabo-verdiano integral e aceito (sem posturas de atrevida e falaciosa hegemonia) qualquer express�o dialectal de Cabo Verde. O nosso pa�s � uno (na diversidade, ora) e indivis�vel...

L�gia
Anonymous said…
as vêz nô ta uvi cada uma , que ...enfim !!mais espantode um fca é que um pessoa que ta autotitula "escritora" têm um desconhecimento tão grande da sua(s) lingua(s) criola,pra não dizer cultura capaz de cometé um fora de jogo dess tamanho!!!!!! é pena mas também é reflexo dum confusão geral que tem na cabeça de tcheu caboverdiano...
ass:Soupe de Lettres
Anonymous said…
...Riqueza d 'nôs lingua é sês diferença...
Vocês desculpem, mas não fui eu quem inventou chamar badio ao crioulo de Santiago. Desde pequena que ouço dizer "tal pessoa fala badio", para fazer contraponto a quem fala outra variante. A verdade é que nunca se ouve dizer "crioulo de Santiago", talvez porque, sendo o mais antigo, foi o que ganhou nome. Também todo o cabo-verdiano sabe que embora se fale crioulo nas ilhas, não temos nenhuma, mas nenhuma mesmo, dificuldade em identificar a ilha de origem de cada um, só pelo seu crioulo. Daí se dizer "crioulo do Fogo, ou "Badio". Não sendo linguista, não me sinto na obrigação de deixar bem claro "na ilha de Santiago fala-se crioulo, na variante da ilha, muito pouco diferente de outras, no entanto, susceptível de não se fazer entender a pessoas de outras ilhas, principalmente nas vestidas de preconceitos completamente infundados."
Anonymous said…
Sou Badiu(o) e de facto comprendo perfeitamente a ideia de Ellien. E uma tremenda disparatada fazer um anuncio em Portugues e Criolo, sendo Portugues a nossa Lingua oficial. Querem forcar a Lingua badia como a primeira lingua de CV verde de uma forma camuflada mas é preciso perceberem que nao resulta. O criolo nao é uma “lingua”. É apenas um pacote de dialectos que contem varios variantes. Para exemplificar é como a Microsoft Office. Nao é um programa, é apenas um pacote de software. Nao me venham com tretas de estudos enviesados.
Anonymous said…
Gosto da forma audaz como a Eillen coloca algumas questões, porém, no blog dela,quando responde num dos seus comentários: "Por mim, as coisas tal como estão estão bem: uso o Português ou os seus susbtantivos sempre que o assunto é mais sério e formal - e uso o crioulo para o dia-a-dia, com amigos, com tudo o que é mais familiar", fico com a impressão de que, para ela, o crioulo é a nossa lingua de brincadeira. Será que para assuntos sérios o crioulo não serve? Será o crioulo uma lingua menor, ou "algo" da nossa reminiscência escrava que não se desvaneceu com o progresso e a civilização. Tomemos muito cuidado com essa forma de pensar...
Os nossos crioulos, porque não é só o criolo da Santiago e de São Vicente que existe, devem ser valorizados. Há outros crioulos na nossa terra tão belos também de apreciar e de estudar.
De quaquer forma foi bom esse assunto ter vindo à baila...
Força Djinho estamos juntos nesta luta para tentar apaziguar este bairrismo descabido.

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