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terça-feira, outubro 02, 2007

Cidade Velha - Património para Quem?


Não que eu seja pé frio e queira chumbar a candidatura do berço da nação crioula a património mundial.

Acredito sériamente que não vale a pena sermos empurrados pelos outros para passarmos no exame.
Património Mundial devia significar antes património nacional. De São Antão à Brava, todos os caboverdeanos devem fazer a prova global Cidade Velha no sentido de conhecerem e perceberem o valor deste património.

Enquanto não houver uma certa forma de "perigrinação nacional" aos locais, uma necessidade de reencontro com a nossa história nos becos deste passado criolo, o caboverdeano continuará a ser coxo, manco mesmo.
Na equação da falada identidade há de faltar variáveis fundamentais.

Pessoalmente, sinto que não temos uma corrente nacional à volta do projecto. E muito menos uma paixão louca por este "dossier".
Quando é assim fica dificil convencer aqueles cujo papel é ficarem convencidos do nosso "case".

Assim sendo, que Deus nos abençoe nesta candidatura.
Foto: asemana

3 comentários:

Cesar Schofield Cardoso disse...

Há questões ainda mais básicas que esse pessoal do Património podia, pelo menos, piar: a própria noção de Património. Como dizes, é preciso que o estrangeiro nos diga: "aquilo é Património": para passarmos a repetir que é Património? E Património é vasto: é arquitectónico, é cultural, é humano, é social...temos vários aspectos do Patrimónios que estamos puro e simplesmente a cagar. Fala sério!

ariane Morais-Abreu disse...

Paixao tem a ver com o "pathos", o coraçao, a subjectividade, o saudosismo... neste dossier precisamos de realismo e razao para entender o porquê do desinteresse do povo cabo-verdiano. Este talvez ja compreendeu ha muito, intuitivamente e com o seu bom senso, que em si esta candidatura nao tem sentido porque representa um passado que afinal ele nao integrou como ser seu, e que mais uma vez fagocita o seu presente, o patrimonio humano vivo que quase ninguém, fora os "loucos" indomptaveis, pensam preservar. Também porque as pedras das ruinas permaneceram pedras...

jeff disse...

Djinho,

Tens toda a razão quando dizes que enquanto não houver uma "peregrinação nacional" aos locais que se querem patrimônio as pessoas continuarão coxas. Mas o que é que podemos esperar se, até certa forma, mesmo as pessoas em posições de responsabilidade na matéria demonstram um certo desinteresse em relação ao verdadeiro valor deste "patrimônio"? Quantas vezes, por exemplo, é que os responsáveis pela área foram ver em primeira mão os tesouros desenterrados durante as escavações arqueológicas realizadas no decorrer do último ano? Se se fala da importância do "patrimônio" e da "cultura" só da boca para fora, sempre se repetirão situações embaraçosas do tipo que nem vou descrever prolongadamente aqui para não ser expluso do país, mas todos os que sabem do que eu falo têm consciência disso.

Mas tudo isto se resume à falta, como dizem os brasileiros, de "tesão" pela coisa com que se trabalha. Já cheguei a pensar que deveria ser obrigatório para qq pretendente a titular político visitar certos lugares em Cabo Verde - Chã das Caldeiras, Cova de Paúl, Cidade Velha, etc. - mas cheguei à conclusão que não adiantaria obrigar às pessoas, deveriam ir porque querem, porque sentem a vontade de ver esses lugares, porque sentem "tesão" (no sentido tupiniquim da palavra, é claro) por eles. E, infelizmente, acho que isto não existe, nem no caso da Cidade Velha, nem no caso do "patrimônio" em geral.