sexta-feira, março 30, 2007

Mais Luz à Claridade!

Extracto da Entrevista de João Lopes Filho a Expresso das Ilhas .



JLF – Neste momento discute-se onde é que nasceu a Claridade; a maior parte das pessoas desconhece a realidade. Pelo que é preciso pôr os pontos nos ii, como eu disse no seguinte: quem fundou a Claridade.

Toda a gente diz Baltasar Lopes, Manuel Lopes e Jorge Barbosa. Mentira, não é verdade: a Claridade não foi fundada por eles. Eles aderiram ao movimento; assim sendo vou explicar as origens. Os primórdios que vão chegar à Claridade começam muito antes: a Claridade só aparece na terceira fase do movimento.

Na primeira fase é um grupo de intelectuais que se reúnem em S. Vicente, num quarto em Fonte Filipe, onde discutiam os problemas da cultura cabo-verdiana, a ponto de, em 1922, saírem desses encontros duas conferências que são proferidas no Liceu de S.Vicente, até tenho cópia dessas conferências. Em 1922 já havia um movimento literário, ao qual pertence Jorge Barbosa (tenho poemas dele manuscritos e inéditos de 1922). Esta é a primeira fase. Deste movimento de S.Vicente posso citar alguns nomes como João Lopes, Adriano Duarte Silva e Jorge Barbosa.

Há uma segunda fase, essa então aqui na Praia. Quem vai lançar novamente esse grupo é João Lopes, Jaime Figueiredo e Manuel Velosa. Esses então influenciados pela revista Presença e toda aquela literatura (José Lins do Rego, etc.) do nordeste brasileiro, vão começar a pensar em criar algo semelhante em Cabo Verde que falasse de tudo numa revista chamada Atlanta. Nessa altura regressa Baltasar Lopes de Lisboa e ele é convidado para entrar no grupo. Por motivos de ordem pessoal, João Lopes regressa a S.Vicente. Note bem: o único elemento que está sempre é: João Lopes em Fonte Filipe; João Lopes, na Praia; João Lopes em S.Vicente.


Então nessa altura a revista está toda pronta para sair e Jaime Figueredo que era um infant terrible entre em desinteligências com Baltasar Lopes, retira o seu artigo que já estava escrito para a revista e retira o nome à revista que era Atlanta. Isto contado por parte do Manuel Lopes, numa entrevista que me deu.

À pressa vai fazer um artigo chamado Ponto de vista para tapar o buraco deixado pelo artigo de Jaime Figueiredo; então Baltasar Lopes é que dá o nome à revista, inspirada numa outra chamada Clarté, que é claridade, que lhe dá nome. Baltasar Lopes dá o nome à revista, mas não fundou o movimento. Isto é que é a verdade; este ponto de vista é que está a ser esquecido.

Tanto assim é que, nesse altura, João Lopes, como estava percorrendo as ilhas, é que ficou, durante os três primeiros números como director da revista, Manuel Lopes. Baltasar Lopes regressa a S.Vicente e ele é director da revista até ao fim.

quinta-feira, março 29, 2007

A Curva Normal!



Entrevista de Dany Mariano ao Expresso das Ilhas

Expr.d. i. - Concordas com ideia divulgada que os melhores músicos mindelense e, quiçá, cabo-verdianos, estão na imigração e que é fora de Cabo Verde que se faz a música cabo-verdiana, hoje?


DM - Não, os melhores músicos estão em S. Vicente. Vejamos nas cordas, o Bau, o Voginha. Em qualquer instrumento. Não digo que os que estão na diáspora não tenham qualidade. Mas os melhores estão aqui. Existe algum pianista que toque também a música cabo-verdiana como o Chico Serra, e ele vive no Mindelo; não há nenhum percussionista que toque como o Tey.

Expr.d. i. - Ou seja, a nata dos “tocadores” continua no Mindelo.


DM - Sem dúvida. Mesmo a nível dos cantores. A melhor interprete que é a Cesária vive no Mindelo.

..............

A construção frásica para responder à pergunta reflecte uma métrica que tem fundamentado toda a produção discursiva - o lado soft, da cultura em CV.
Anyways!

Acredito que A TACV daria um grande contributo à Cultura se conseguisse baixar o preço das passagens aéreas. Isso iria permitir um maior trânsito para a música nacional e sobretudo maior interacção entre músicos.
Precisa-se disto, até para ajudar o Dany a conhecer outros músicos de outras realidades das ilhas. Outbound of Morada.
Mindelo também "precisa" consumir outros músicos das ilhas.

Quando é que Djoy Amado (Fogo), Annie (Assomada) ou Tibau (Maio) serão conhecidos em Mindelo.
Segundo a lógica da Curva Normal de Dany, nunca!

quarta-feira, março 28, 2007

Overlooking!


Li a coluna do Germano Almeida no Asemana de há dias e no final passei pelo "resto" de texto que o escritor achou que Abraão Vicente merece tendo em conta o artigo que o homem de Nta Mora Li escreveu.

Fiquei com a impressão de que Germano manifestou uma coisa tipo "mei tiston ca tem troco".

Será que o texto de Abraão é assim tão irrelevante para Germano.

Overlooking can be a good strategy!

terça-feira, março 27, 2007

Kiso, Raul "Houss", Angelo e Ricardo! Subversivos!


Estes rapazes semearam em 1993 uma grande revolução na música cabo verdiana.
Será que é coincidencia que é pelas mãos destes músicos que Pantera esplodiu, Mayra Andrade emergiu e que Tcheka "Argui"?
Repararam bem nos nomes?
Estamos a falar do que de mais ousado tem surgido ultimamente no nosso reportório musical.
Pois é gente, por detrás destas estrelas, outros astros estão.
A música e sobretudo a forma "subversiva" que Kisó no baixo, "Houss" na bateria, Angelo na guitarra e Ricardo nos teclados criaram e formataram em tempos, marcará para sempre a história da música em Cabo Verde.
Para mim, ARKORA mais do que música foi uma atitude perante a música!
Um grande thanks ao pessoal todo.

Katchás...Bulimundo...Sempre!

Qual o valor que este homem tem para cultura local e caboverdiana?
Se alguém tiver alguma reflexão sobre isto, agradeço o texto para publicar.
























































quarta-feira, março 21, 2007

IV Semana Inter Cultural Canarias-Africa

A Universidade de La Laguna, Canarias, promove momento de interacção
cultural e marcamos presença com:













António Correia e Silva, que vai falar sobre a Universidade de Cabo Verde










Kaká Barbosa, que vai falar da poesia e música de Albely Bakar.









e Raiz di Polon que vai mostrar o Don Quixote das Ilhas e Duas Sem Trés.



















Son di Santiagu deseja aos representantes sucessos e boa estadia nas ilhas vizinhas.

Quando a Cultura da Cidade fica muito mais pobre!

Normalmente fica mais chique dizer deste modo quando alguém da cultura morre.
Mas a verdade é a seguinte. Há pessoas que sabem criar espaços e defendem ideias que marcam.







Vicente, conseguiu criar a Casa da Cultura, vista por todos, e o Nta Mora Li que ficará na memória por muito tempo. O Program saiu do ar e ninguém sabe porquê!















Cesar e Baluka criaram o Casa Bela. Movimentou a Cidade por muitas semanas. Pelo que eu sei, desde há uns as portas estão fechadas.







Kisó, o Kibass, resolveu sair desta Cidade e fazer pouso na outra mais a Norte.
Deixa um buraco enorme nesta do Sul.
Aqueles que apreciam o Kisó e sabem o quanto nos deixa falta, sabem do que estou a querer dizer.

Isto é também pobreza, gente!!!

Kim Djazz nos States!

Pelas news recentes Kim Alves está a bater forte nas portas do Djazz.
Participou há dias no grande evento na Florida e tocou com muito boa gente.
Kim Alves foi convidado para participar em vários festivais.

Força nha Primu!






sexta-feira, março 09, 2007

Desconstruindo...Mme Meintel Said!


The cultural distinctiveness of the Badius made them the subject of negative stereotypes that tended to legitimize racist treatment at the hands of the authority figures such as landlords, administrators and police.

Both colonial authorities and other Capeverdeans perceived Badius as the bearers and representatives of an African heritage, and thus as the most “backward” sector of the Capeverdean society.
However, they seemed to strike a chord of ambivalence in the popular imagination, at least at the time of the field work.

On one hand, Badius were seen, in Brava, Fogo and the more distant Leeward (Barlavento) islands, as somewhat mythical, knife wielding savages…Badius, then, represented something both opposite to and opposed to “Portuguese-ness”, something disdained, yet on occasion admired (p. 142).

MEINTEL, D.
Race, Culture and Portuguese Colonialism in Cabo Verde.
FACS, Syracuse University, 1984, 200 pages Posted by Picasa

quarta-feira, março 07, 2007

Eco a Adeus às Vacas Sagradas!



Caro Vicente,

Son di Santiagu leu e percebeu o teu primeiro e segundo textos .
Também leu e percebeu os comentários decorrentes do primeiro.

Estas ilhas carregam até hoje um problema que se resolve a meu com uma catarse colectiva. Não com uns e outros a se acharem divinos e de alma branca.
As reacções ao texto mostram e dão indicação à dor que esta terapia obriga à nação crioula, e particularmente à grande parte dos nossos intelectuais onde estiverem.
A norte, a sul, em qualquer quadrante.

Inda bem ki monti graciosa pari Princesito pa fla:


Ka por si
Ki n´aci negru
N´fazedu scravu
Nganadu mar
Ma goci djan ganha
Fica screbedu na céu di mundu
Ma nôs ê más forti
Ki pedra diamanti
N´ton nu ta limia


Falta intendi gô! Posted by Picasa

sábado, março 03, 2007

SANTÂGUIA SANTIAGO!







Pa Mimória di Pantera

Manenti…Aláno
Porfiado ta bira-l strela
Tinta fincado ta bira-l tela
Gota-gota ta bira-l legrête
Sima teimosia bedjera

Manenti… Aláno
Sol-a-sol ta po-l cende
Tenpo ardedo ta ganha tenpo
Dia agendadu ta po-l rende
Sima teimosia bedjera

Manenti…Aláno
Brio di panu terra na torno
Ta mata tontura di sperança
Pa santâguia Santiago.

Si kâ! Culpado ka santo…
Ka mi… ka bó ...
É más ki silencio bu coba.

Kaka Barboza

2007-03-02 Posted by Picasa

sexta-feira, março 02, 2007

Orlando, inda Lapidu!







Caro Pantera,

Hoje é o ano 6 do teu silencio. Duro Silencio sobretudo para aqueles que te admiraram antes da "partida".
De ti guardo com carinho as fotos do dia daquela grande feijoada do AACB no Bomba H.
Lembro ainda da conversa que tivemos no trajecto, entre a rotunda do Centro Social 1º de Maio e Bomba. O projecto do disco e o "drama de sempre" de como conseguir fazer acontecer a ideia.
Claro a frase que me deixaste:
"ta parcem ma ninguem ca ta interessa pa kusas ke di nós...ê kela ki ncre fazi."

Pois, é Orlando, há 6 anos atrás os papeis que eu tinha na mão cairam, quando soltaram a bomba:
Pantera morri!

Continuas sim Lapidu na nós! Posted by Picasa

Arménio Vieira!



Um anti-claridoso na literatura caboverdiana pós-independência.

Ver mais no texto de José Luis Hopffer Posted by Picasa

E li!
















Essa firmeza nos teus gestos delicados
Essa certeza desse olhar lacrimejado
Haja virtude, haja fé, haja saúde
Pra te manter tão decidida assim

Que segurança pra dobrar tanta arrogância
Que petulância de ainda crer numa esperança
Quem é o guia que ilumina os teus dias?
E que te faz tão meiga e forte assim

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Como te atreves a mostrar tanta decência?
De onde vem tanta ternura e paciência?
Qual teu segredo, teu mistério, teu bruxedo
pra te manter em pé até o fim?

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Como te atreves a mostrar tanta decência?
De onde vem tanta ternura e paciência?
Qual teu segredo, teu mistério, teu bruxedo
pra te manter em pé até o fim?

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Texto de Ivan Lins Posted by Picasa

Ultimas do Anónimo Mediocre!



Há que deixar registado!
Transcrevo aqui a reacção do nosso anónimo Bouquinhas ao texto escrito pelo Abraão Vicente

"...Na Europa ocidental, incluindo mesmo Portugal, esse pais atrasado onde você estudou, os finalistas de Sociologia, vao regra geral para o desemprego.

Sociologia é um curso de alunos mediocres e rascas!
Conclusao: nao esteja aqui a enganar ninguém, porque eu venho de longe e ja percorri o mundo inteiro.

Nao é assim que Cabo Verde vai para a frente. Apesar de ter dito no passado, que é um rapaz que sabe umas coisas, mas ha que relativizar.Sabe umas coisinhas mas em Cabo Verde.
Se sair de Cabo Verde, sem cartas de recomendaçao e padrinhagem, apenas com o seu diplominha de 4 anos de Sociologia, nao terà mesmo em Portugal todo esse protagonismo que tem naquelas Ilhas!

Experimente e ha-de ver! Mas antes, um conselho: dê um saltinho a Soncente e va aprender umas coisas com esse Monstro Sagrado que Santiagu nao tem e que se chama Joao Vario, ou TT Tiofe se quiser!

Fique bem e merda de gote prêt, tamporal de Snhôr Son Jon!"


Alguém quer reagir? Publico! Posted by Picasa

quinta-feira, março 01, 2007

Admirason!



Nhôs sabi más sobre ês caboverdianu ki nta admira tcheu na http://frikifraki.blogspot.com/ Posted by Picasa