Nkrê un Son más Son...

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Assim também NÃO!



Tenho acompanhado a “movimentação” à volta da entrevista do meu amigo Tito Paris e da reacção do Ministro da Cultura.

Pessoalmente achei interessante a manifestação de Tito. Conheço o Tito desde garoto.
Sou convicto de que se trata de uma alma cabo-verdiana rara, um músico e cantor de grande qualidade.

Achei a reacção do Ministro de grande nível. Aliás Veiga, pode até não vir a ser o Ministro da Cultura que se quer que seja, mas é um Cabo-verdiano finíssimo e grande homem de cultura.

Isto para deixar claro que entendo que tanto Tito como Manuel Veiga estão na mesma arena e com as mesmas armas: Projectos numa mão e Cultura na outra.

Muito diferente de outras pessoas que se mostraram “INDIGNADOS” e mandando um veemente “ASSIM NÂO” perante a resposta do Ministro, e saindo “xatiadu si” defendendo o nosso Tito.

O projecto do Tito é sem duvida um grande projecto. Trazer uma orquestra para acompanhá-lo em Cabo Verde. Estou a torcer para que aconteça. Serei dos primeiros a dar-lhe os parabéns quando conseguir realizar a obra.

O que me parece que o Sr. Deputado não sabe é que existem outros tantos projectos de qualidade nesta área que também não têm o patrocínio que merecem.

Zéze e Zeca di Nha Reinalda há anos que tentam levar a sua música e o funaná a Cabo Verde e ao mundo. Não conseguem porque não há um esquema claro de promoção de artistas.

O Orlando Pantera a uma semana da sua morte me confessava que parecia que ninguém acreditava no seu projecto. Vi lágrimas “lapidu na sê rostu”.

Princesito anda por ai a tentar fazer um projecto de nome simples, Lá Lá Lá, mas de grande interesse e valor para a etnomusicologia cabo verdiana.

Gamal tem em mãos uma preciosidade e praticamente perambula pelas ruas da capital tentando convencer patrocinadores que sabe exactamente o que quer.

Tó Alves acabou de lançar “Oh Mãe más Justa”, um tributo a Cabo Verde, uma obra sensível, mas que lhe custou os olhos da cara.

Ricardo de Deus, que contribui diariamente para a educação musical do caboverdiano, produziu um riquíssimo trabalho dividindo seu tempo entre a criação e uma verdadeira caça ao patrocínio.

As batucaderas di Santiagu, praticamente se esfolam para conseguir manter vivo o batuku. Esta coisa que garantem, lhes alimenta a alma.


Sinto algum à vontade para falar disto porque eu próprio em 2006 lancei um trabalho, Trás di Son. Até hoje sonho com a ideia de levar as músicas para vários espaços de Cabo Verde.

Senhor Deputado, quando é que vai sair em defesa também desta gente e dos muitos que não mencionei e que têm projectos para mostrar? Tem algum interesse na causa destes?

Tito e Manuel Veiga nunca terão problema entre eles. São almas boas, estão na mesma arena e com as mesmas armas. Projectos numa mão e cultura na outra. Aliás, Tito já marcou data para tomarem um café.
Os dois, são sim, vítimas de um sistema que existe hoje, que vem desde sempre e que reflecte claramente a nossa incapacidade em por de pé uma engenharia digna para a cultura nacional.

Portanto, o buraco fica muito mais em baixo. E neste buraco não se quer realmente mexer.
Pelo contrário, manipula-se. Posted by Picasa

6 comentários:

João Gomes disse...

Eu já não posso ver escrito nem ouvir nada que relacione alguém com o seu local de nascimento! Defender alguém só porque, por acaso é do norte, é dum bairrismo tão primário que chega a dar dó! É de um primitivismo arcaico e redutor que chega a ser confrangedor. Ficamos sempre sem saber se o artista ou a pessoa de forma geral é, intrinsecamente, competente, ou afinal o local de nascimento deu-lhe uma carga genética especial, fazendo-o (a) também ser especial!
Devemos ter um carinho incondicional, incentivar e na medida do possivel patrocinar todos os artistas de qualidade, como forma de valorizarmos aquilo que temos de mais importante, a nossa música (que não é tão nossa assim!)! O vector deve ser apenas a qualidade e não o local de nascimento.
Tito é ne verdade um grande artista, devendo ser estimado por "nortenhos" e "sulistas". É um bom artista caboverdiano, não por ser do norte, mas por ser um bom artista. Ou seria um mau artista se, por "azar dele" nascesse nalguma ilha do sul? Que azar tiveram Anu Nobo (ST), Cathás (ST), Ramiro Mendes (Fogo), Eugénio Tavares (Brava), Betú (Maio) Zeca e Zeze di nha reinalda (ST), Kim e toda a familia Alves (ST), Zeca Couto, Tcheka e Susana Lubrano, O ENORME ORLANDO PANTERA, Albertino (com uma voz extraordinária), Mário Lucio, enfim...? Curiosamente, Tcheka e Susana Lubrano foram recentemente premiados a nível internacional, mas não andaram a chorar porque do Governo não houve nem sequer um "Hello, hello, Cabo Verde hello". São todos do sul, mas também não foram nem têm sido alvo de apoios. Como se pode ver, os artistas do Sul nunca tiveram qualquer apoio, não obstante serem, João Medina dixit: "nossos herois que merecem todo o carinho, respeito e reconhecimento de todos os cabo-verdianos"! Ou não? Estarei enganado? Essa de arvorar a bandeira do local de nascimento, já foi chão que deu uva, hoje só dá parra! Vamos apoiar e acarinhar os nossos artistas por serem nossos e serem de qualidade (os que o sejam)e não porque, circunstancialmente, nasceram aqui ou ali. Longa vida aos nossos artistas, de S. Antão à Brava!

Anónimo disse...

guerra norte-sul foi há 3 séculos atrás na merca, e ti há 2 décadas atrás na CV.

ma política, sim política, na criolo como povo inda imaturo, ta justifica tudo.

e mi qui sta pensaba ma poliCUs des terra dja começaba toma juiz?! (inda tem muto poco excepçon!!)

qdo ê qui ta começado manda boca co responsabilidadi e objectivo própios?!

enfim ...

da caps

Anónimo disse...

O Tito procurou e achou... mas é bem feita para o Ministério da Cultura com quantas pessoas mais necessitadas e vai dar logo ao Tito que é empresário... pelo amor de deus... pequenos artesãos precisam as vezes de 50 contos e não há. Mentalidade de pedinte é que os artistas têm nesta terra

Stautira disse...

Sr João Gomes:

Assino por baixo.

Paló

Anónimo disse...

Hey paló

Tratar-me por Sr. João Gomes? Que é isso? Sou o JJ, teu compincha de longos carnavais, meu baterista maluco? Sabiam que o Paló foi um baterista num grupo "os independentes" no qual eu era viola ritmo/voz? Ele era tão maluco que dava "rapicadas" nas mornas! Grandes tempos! Aquele abraço, Paló!

Stautira disse...

HAHAHAHAHAHAHA

Ganda JJ.

Sabia de início que eras tu, a intenção foi picar-te mesmo.

E é espantoso como a tua memória ainda está fresca.
Já agora, p.f., manda-me um email com a formação do pessoal na altura.

PS: Djinho: esta música no blog é mesmo assim ou é "invasão alheia"?
É que cansa....

Paló