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O Son varia com a L´Atitude.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Agu Subi…Agu Dixi…

 
Pa Bryan…

Hoje de manhã, no Plateau, passando pela nossa “querida” praça não sei se vi uma miragem, obra do acaso, realidade, mas o certo é que vi.
O repuxo do tanque da praça Alexandre Albuquerque cuspia água. Muita água e alegremente.

Não deu pra acreditar. Tive mesmo que chegar perto do “tanki” para conferir.
Senti uma coisa boa.
Pelo que eu lembre esta água subiu alto assim, eu devia ter uns 12 anos de idade.
Eu que sou optimista com as coisas, comecei a acreditar que como agua é vida, então significa que a praça vai ter vida.

O que é que isto tem a ver com Son di Santiagu?

Agua, vida, praça, enfim o belo, tudo isto é inspirador e pode levar a alguma criatividade.
Resta é as pessoas que viabilizaram o cano para o repuxo terem realmente a consciência disto. Posted by Picasa
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Triste Experiência!!!


Ontem por volta das 8.30 sintonizei a Rádio Nacional.
Ouvia uma boa voz, por sinal, e o programa era Ondas da Noite.
A linha era directa e eu achei que podia participar. Como? Pedindo uma música.
Que música? Uma música minha, que está no CD Trás di Son…

A conversa foi assim:

RCV - Nô tem mas un ouvinte na linha…
Eu - ncria obi un música…Mindel Mind.
RCV - Mindel o quê?
RCV - Na qual CD quel sai?
Eu - na nha CD Trás di Son
RCV - Trá do quê?
RCV - Mané quê nome dês músico?
Eu - Djinho Barbosa
RCV - Oiá, no ca ta conchêl es CD nem ês músico…

E a linha caiu…

"mindel
nfazebe ês coladera assim..."

Oh, Santos Nascimento? Bô mandá kês CD pa Soncent? Posted by Picasa
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quarta-feira, agosto 30, 2006

Alô Kisó!!! Thanks pa Cabo Verde Multimé(r)dia!


N Fica ta sabi por acaso di criason di blog di Kisó.
Um músico ki pa mi ê un autêntico "vidro" na música di Cabo Verdi.
Son di Santigu ta sta atentu na "bôs move" kisó...

"E simples: jam kansá de oiá, le i uvi asneras na nos komunicação social... !! portanto.. n resolve na abri um espace onde k no pode analisá, diskuti, debate alguns merdarias k ta feito na nos Mé(r)dia! e klaro tambe se tem kosas dret no ta bem falá dele i tambe promovel na nos espace!... ta kun krescimento inkrivel d blogs cabo verdeanos k algum kualidade, ate mais k nos prop meios d komunicação oficial! i kes lá no kre fazes fka konxid i kem sabe.. e mas um forma d informção independente i alternativo... o k tita faze txeu falta na nos terra.
Tud bzot e bem vindo pa komentá i tambe kontribuí!! bzot fka dret."

Cabo Verde Multimé(r)dia! Posted by Picasa
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terça-feira, agosto 29, 2006

Un Zibiu pa a Abilio Duarte - Homenagem ao Artista

Abilio Duarte morreu há 10 anos.
Como se costuma dizer por cá, Cabo Verde perdeu um grande homem.
Pessoalmente perdi uma pessoa que me dedicou uma amizade fora do comum e que confidenciou algumas coisas muito próprias dele sobre a arte e música.
É que Abilio Duarte tinha várias facetas. Como compositor deixou não uma mala de músicas mas algumas que serão eternas.
Em jeito de homenagem gostaria de deixar aqui o que de melhor pude fazer para este grande caboverdiano: música.
Agradeço profundamente ao Albertino e Annie por tornarem possivel o significado que eu desejei para a música que dedico ao artista em Trás di Son:
Un Zibiu pa Abilio Duarte.




ZIBIU PA ABILIO DUARTE
Muzika y Letra: Djinho Barbosa)

es morna e un segredo di meu
un Son un lamentu
di nha coraSon
oji N xinti un bater mas forti
un pulsar un vibraSon sinseru
un sonhu un melodia
ki ta inbalan nha inspiraSon
ta mostran luz di kriaSon
muzika e sangue e sentimentu
nha morna e un konsedju
di un grandi amigo
un conpromiso ku nha coraSon
oji N xinti un bater mas forti
un pulsar un vi braSon sinseru
un orkestra un melodia
notas di un dosi violão
muzika e más ki mi menor
e un pauta xeio di memoria
N kre dexa un fluido novo
ki ben di un riu xeio di rikeza
ponta gosto pa norti di BLeza
un sonho un melodia
notas di un dosi violão
ta mostran ton di kriaSon
muzika e sangui e sentimentu
N kre dexa un fluido novo
ki ben di un riu xeio di rikeza
ponta gosto pa norti di BLeza
un orkestra un melodia
notas di un dosi violao
ta mostran luz di kriaSon
na brilho di un serenata Posted by Picasa
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segunda-feira, agosto 28, 2006

Concerto de Maria de Barros - 12 Retratos

Dificil falar do concerto de Maria de Barros
Não pela música, mas sim pela expressão de palco que ela consegue, que a meu ver é igual à pessoa com a qual conversei no hotel praia mar antes do show.
Uma pessoa, aliás, uma estrela tão simples, tão doce esta senegalesa, esta mauritaniana, esta californiana de Beverly hills, esta criola de fala mansa “di djabraba lá ó”…

Son di Santiagu agrade a Maria de Barros por nos trazer este grande concerto de Sábado, que começou como uma grande pedrada da música de Djoy Amado (fiquem de olho no “garoto”!!!), seguida de uma apresentação de talento e charme de Abraão Vicente.
Enfim, houve música, houve a reportagem incansável de Stieve Andrade, os músicos deram aquela força, e um público que vibrou com Maria.
Um espectáculo que esta artista bem merece.

Não vou dizer mais, deixo-vos com sensibilidade da Margarida Fontes.

“Creio ser o show de Maria de Barros, ocorrido no Sábado passado, uma celebração da cabo-verdianidade no sentido mais puro e simples da questão. O país global e diasporizado estava ali naquele palco. A cantora que nem nasceu nas ilhas ofereceu-nos uma noite cabo-verdiana, das mais genuinas vistas por estas bandas. Morna, coladera, funaná, presença, voz, charme, simpatia, the last, but not the least, competência. A cantora que nasceu no Senegal, canta também em francês, e balança o corpo dir-se-ia que dos ventos da Mauritânia, onde cresceu. Celebra a sua latinidade. Abraça as suas origens.”

Só falta dizer que neste dia até choveu “rei di bedju” pelas bandas da várzea.
Avé Maria, cheia de graça….volte sempre para nos trazer a tua música e tua alegria.

Maria, feliz pelo regresso...

Maria, chamou e as criolas subiram ao palco...

Público...houve muitos aplausos...
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Stieve garante o registo deste grande concerto...
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Maria de Barros, simplicidade e charme em palco...
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A Banda...Jim Job, Calú Monteiro e Zé Rui garantem a seiva criola...
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Vadu e Jim Job trocam ideias...

Mitchell Long, Grecco e Sandro felizes por finalmente conhecerem a terra de que Maria tanto lhes fala...
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Maria recebe aquilo que pediu: beijos, abraços e muito carinnho de todos...
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Abraão Vicente fez uma apresentação que Maria merecia...simples mas com charme!!!

Djoy Amado...uma grande abertura para um grande show...
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A satisfação de Jim, Calú e Zé Rui depois do Show.
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sábado, agosto 26, 2006

Na noti di onti Lua, Tunuca, Preta, Trás di Son, Maria de Barros…ma na

Na Praia não passa nada.
Isso dizemos todos, todos os dias, vinte quatro horas por dia, 365 dias ao ano, com especial agressividade às quintas, sextas e sábados. Mas há quem não desiste, e mesmo concordando que na Praia não passa nada, sai à procura de alguma das pequenas coisas que se compõem as noites não programadas da Capital.

Correspondendo ao muito velho habito nosso de improvisar, D. Ália e 5al da Musica, sem agenda nem nada, ainda dão-se ao luxo de reunir no mesmo espaço artistas de portes gigantescos.
Que me dizem de um palco com Princesito e Vadu no seu melhor. Vadu sta di corpu ritchu. Princesito eufórico confidencia-me Vadu é o melhor interprete que conheço de Tunuca. Sim Tununa fica-lhe bem a Vadu.


Lua aparece noite tarde já. Pincesito é o melhor intérprete que conheço de Lua. Mas Prince tem nos olhos outras luas, histórias de meninas encantadas e muitas razões que justifiquem o facto do homem caboverdiano ser pouco romântico, já bem o preço do petróleo, a conjuntura internacional pouco favorável, bla bla bla bla.

Outras figuras da novela Praia Capital passaram também na noite desta quinta feira no quintal, interpretando papeis diversos, entre eles a nossa mais recente estrela americana Maria de Barros, encantada com aqueles sons dos nossos badius bem amados.

Pelo palco também passaram Djinho Barbosa, Kako Alves, Zé Rui, Kalu Monteiro e tudo isso a preço de um ponche ou uma cervejinha bem gelada, isso para quem quisesse consumir, porque no quintal a quinta essência da nossa música é de consumo Grátis.
Maria de Barros deve ter pensado isto aqui é grátis e o meu show ta valendo mil paus!? Espero que no final tenha oferecido a cada artista uma entrada para o concerto de sábado no auditório nacional. Enquanto isso suponho que noutras paragens mais “ins” a discussão seria Praia digital, Praia capital inteligente, Thugs, Soy loco por ti América, soy loco por i de amores, quem será a sucessora de Cesária? e a violência indiscriminada nas ruas. Além dessas noites improvisadas, sábado Maria de Barros no Auditório Nacional (mil escudos não é assim tanto para fazer-nos perder o único evento do mês na Capital),na Praia não passam nada meu, só Kasu body…

Abraão Vicente
trapitchicana@hotmail.com Posted by Picasa
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Stieve hosts Maria

Mais um hit no Secção da Música.
No Programa de amanhã Stieve vai conversar a partir da 10, com Maria de Barros.

Esta caboverdiana linda, de sorriso largo e fala doce “di djabraba”, que anda a fazer sensação pelos lados da Califórnia nos states e por conhecer aqui nas ilhas. Veja, mais em os momentos, com a Margarida.
Son di Santiagu conversou já um pouquinho com ela. Sem falar da sua música, deu pra sentir que é uma pessoa cheia de graça mesmo.

Convite especial do Stive. Todos à escuta. Posted by Picasa
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sexta-feira, agosto 25, 2006

O Bar do Ney - Para não falar ainda do Ney



Há dias, à noite dei uma volta pela Praia Capital.
Fui parar ao Bar do Ney. Melhor, Ney di Belinha.
Um bar com algo de especial e único, porta 29 numa esquina de uma das 5 ruas do Plateau.

Ali, segundo consta não há lotação esgotada, apesar das 4 mesas.
A música, escolhida a dedo, é som ambiente e outras vezes há apenas silêncio. Pode-se ouvir, claro, nos momentos em que acontece, um simples violão acústico.
Talvez porque o dono gosta mesmo de música e de mar.
Pode-se dizer que a decoração do espaço é música, mar e o próprio Ney di Belinha.


Nesse Sábado, quando cheguei, o dono, que já esteve nos halls de Berklee College of Music, em Bóston, estava do lado de lá do pequeno balcão navegando nas escalas do seu violão.
Depois do “greatings” e do “what´s up” que nos é habitual, Ney não me pergunta “o que é que tomas” comum num bar comum.
“Man, sabes que um acorde com Ré# (tónica), Lá#, Dó e Sol é também um Dó- ?”.
O violão confirmou com os dois acordes.

Isto, na verdade, faz parte dos contínuos “findings” deste músico estudioso da guitarra, amante do jazz e da música inteligente, que acredito ter sido como que uma central eléctrica para Orlando Pantera.

Posted by Picasa
Pois é, longe de qualquer tipo de spot light e do pretenso chic praiense, o homem que veio de Berklee curte o seu espaço, seus standards e os seus amigos clientes que vão chegando. Poucos de cada vez, mas aparecem.

Enfim, estive num Bar em que há uma sensação no ar de que também vendem-se acordes para além de uma cerveja fresca.

I´m coming back for the next finding, doctor!
See u.
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quarta-feira, agosto 23, 2006

Uma Outra Página

Esta outra página vai me servir mais na frente.
Convido a todos a gastarem um tempinho com esta leitura.


"A história da Bossa Nova é a história de uma geração.
Uma geração de jovens artistas brasileiros que acreditaram no futuro e conseguiram realizar o sonho de levar sua música aos quatro cantos do mundo.
As primeiras manifestaçôes do que viria a ser conhecido como Bossa Nova ocorreram na década de 50, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Ali, compositores, instrumentistas e cantores intelectualizados, amantes do jazz americano e da música erudita, tiveram participação efetiva no surgimento do gênero, que conseguiu unir a alegria do ritmo brasileiro às sofisticadas harmonias do jazz americano.


Ao se falar de Bossa Nova não se pode deixar de citar Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Candinho, João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell, Luizinho Eça, os irmãos Castro Neves, Newton Mendonça, Chico Feitosa, Lula Freire, Durval Ferreira, Sylvia Teiles, Normando Santos, Luís Carlos Vinhas e muitos outros.

Todos eles jovens músicos, compositores e intérpretes que, cansados do estilo operístico que dominava a música brasileira até então, buscavam algo realmente novo, que traduzisse seu estilo de vida e que combinasse mais com o seu apurado gosto musical.


Impossível precisar quando a Bossa Nova realmente começou. Mas é certo que o lançamento, em 1958, dos discos Cançâo do Amor Demais, com Elizeth Cardoso interpretando composições de Tom e Vinicius, e Chega de Saudade - 78 rpm, com o clássico de Tom e Vinicius de um lado e Bim-bom, de João Gilberto, do outro -, nos quais João surpreendeu a todos com a nova batida de violão, foi o resultado de vários anos de experiências musicais. Experiências empreendidas não só por João mas por toda a turma que se encontrava nas famosas reuniões na casa de Nara Leão. "

Fonte: http://www.geocities.com/SunsetStrip/Palms/2102/bossap1.html Posted by Picasa
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A Página 78


Esta é a lista dos eleitos para o TOP 10 conforme A Revista da A Semana:

Isidora
Gil Semedo
Ivon Paris
Constantino
Paulinha
Beti Fonseca
Sandro Monteiro
Alcides e Vanir
Sandro e Joceila

E este é parte do texto: “E, para os ouvidos de qualquer um, fica evidente que o zouk love é que está a dar nos tops de música caboverdiana.”

Queria pedir-te Filó para, das antenas do Radar convidares então o Sr Ministro da Cultura e todos aqueles que têm cantado este refrão de que a musica é o nosso diamante para mudarmos de filão e garimparmos em outra área.
Filó, é que como a revista também circula fora das ilhas, fico a imaginar todo este pessoal que tem assistido os concertos de Tcheka, Mayra, Lura, Cesária, Ildo, Paulino, Tito, Mário Lúcio etc, a procurar o seu favorito neste nosso ranking gostoso.
Hits do Verão.
Brincadeira tem hora, como diria meu colega Varela.
Há que passar por muita escala até chegar a pedras preciosas e sobretudo há que respeitar o ouvido de cada um.
Filó, está de pé aquele teu tempinho (que nunca tens) para falarmos um pouco do que é que não estará a funcionar bem nisto? Vou levar o “expert” Stieve Andrade da secção da música comigo. Posted by Picasa
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terça-feira, agosto 22, 2006

Gilberto Gil Trás di Son


Hey galera do Trás di Son!
Vai este post para vos deixar saber que o som que fizemos está a fazer parte da audição do também criolo Gil.
A preciosa encomenda foi entregue pelo meu mano Cheto Barbosa há poucos dias.

Um inté ao Gil e que venha mais som do lado de lá...

...Andar com fé
eu vou, a fé não costuma falhar... Posted by Picasa
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domingo, agosto 20, 2006

Sobre a Apresentação de Son di Santiagu

Para aqueles que acompanharam o post sobre este assunto, a apresentação aconteceu.
Tinha dito que a expectativa era alta. Procurei um bluff para mim mesmo. Esperava muito pouca gente.
Imaginem! Um sábado às 5 da tarde…

Pois é, a sala não estava lotada mas veio muita gente sobretudo malta mais jovem.
Assim, aproveito para, a partir de Son di Santiagu, agradecer a todas as pessoas que estiveram presentes e participaram.

Fiquei surpreendido com a audiência e aproveitei bem a oportunidade para falar do Blog, da minha motivação da sua criação, dos objectivos neste momento e o que eu gostaria de poder fazer no futuro. Ainda mais se houver participação dos artistas de uma forma geral.
Claro.

A parte mais interessante ainda foi a conversa que continuou para além do tempo previsto. Muitas perguntas, muitas questões. O que devia, o que poderia, enfim deu-se uma pincelada em alguns pontos que parecem ser importantes para alguma discussão ou reflexão.
Mas mais uma, fica-se com a sensação de que como não existe uma prática e experiência com este tipo de encontros fica-se muito pelos lados do “achismo.” E certos temas não convivem bem com apenas o que “eu acho”.

No entanto, para mim ficou claro que iniciativas do género, que provoquem o encontro de pessoas que lidam ou se interessam pela arte nas suas diversas dimensões poderiam constituir num dos pratos fortes do Palácio da Cultura. Custa quase nada e poderiam servir para ajudar a despontar uma coisa tão essencial como uma efectiva comunidade de artistas na nossa praça.
Com consciência, comprometida com a arte, com a criatividade e a busca do novo, e sobretudo capaz de contribuir para a definição de um sentido ou porque não, um movimento estético tão necessário ao nosso espaço geográfico que é Santiagu.

Como disse o nosso grande António Correia e Silva, “recentemente, vários estudos…mostraram que a capacidade das regiões e cidades resolverem os dilemas de acção colectiva, de segurança, de desenvolvimento económico e da CRIAÇÂO DE DINAMISMO CULTURAL, depende muito da disposição dos seus habitantes em se constituírem em comunidade cívica.”

Assim, uma comunidade artística ela é sem duvida uma comunidade cívica.
Este é o desafio e isto é Son di Santiagu. Posted by Picasa
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sábado, agosto 19, 2006

Son di Santiagu no Palácio da Cultura

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Son di Santiagu vai ser apresentado no Palácio da Cultura amanhã às 17h.
O convite foi feito por Helder, animador das actividades no Palácio.
Com esta apresentação, espero divulgar ainda mais o conceito associado ao Blog, e com isso talvez criar uma interacção necessária entre elementos importantes da comunidade artistica em Santiago.
A minha expectativa é alta. O Convite está feito. Apareçam todos os que acham esta ideia interessante. Posted by Picasa
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terça-feira, agosto 15, 2006

Existir: o desafio da cimboa

Son di Santiagu agradece à Glaucia Nogueira pela informação e texto.
Termina hoje em Ribeirão Chiqueiro um atelier de construção de cimboa.
Nho Manu Mendi, conhecedor da Cimboa trabalha com quatro jovens aprendizes da localidade e conta com o apoio do Pascoal Fernandes (militar, músico, de S. Domingos) para passar o seu saber.
Gláucia Nogueira também participou no atelier como formanda enquanto estudante de antropologia.
...................

Ausente da música cabo-verdiana contemporânea, há muito tempo que se diz que a cimboa tem os dias contados. Se vier a desaparecer, o que provavelmente acontecerá se a música actual não lhe der uso, ficará o registo do seu papel enquanto elemento do património imaterial de Cabo Verde, já que um projecto de salvaguarda dessa memória está em curso.

Salvaguardar a memória colectiva à volta da cimboa é o objectivo um projecto que está no momento a ser levado a cabo pelo Instituto de Investigação e do Património Culturais (IIPC), sob a coordenação do historiador Charles Akibodé.

A iniciativa prevê a realização de ateliers de construção e restauração de cimboas, para que Manu Mendi – apontado como seu único tocador e construtor na actualidade – passe o seu saber para outras pessoas. O músico e artesão de Rubon Chiqueiro, município de S. Domingos, irá também, naturalmente, ensinar a tocar o instrumento, acompanhado de um professor de música.

“Não há dúvida de que o instrumento está em iminente via de desaparecimento em Cabo Verde e com ele toda a memória colectiva à sua volta”, escreve o coordenador do projecto no texto de apresentação do mesmo. E questiona: “Porque desapareceu pouco a pouco?”

Entre as hipóteses que Akibodé refere para o declínio da cimboa está o facto de se tratar de um instrumento de pobres, nunca aceite nos salões das classes mais altas e, por isso, facilmente suplantado pelos instrumentos de corda europeus. Também por isso, possivelmente causador de alguma vergonha aos tocadores, refere o investigador. São hipóteses para estudo.

Contudo, é de referir que a falta de prestígio perante a classe dominante e mesmo a repressão sofrida no passado por autoridades administrativas e religiosas não foram suficientes para acabar com manifestações como o batuque, a tabanca e o funaná. Pelo contrário, vão todos bem de saúde.

Outro questionamento subjacente ao trabalho sobre a cimboa é que, sendo um instrumento de corda, porque nunca era tocada a solo como em outros países africanos? Os relatos em que o instrumento aparece inserem-no sempre numa roda de batuque. É, aliás, associado a um nome fundamental do batuque e do finaçon, Nha Bibinha Cabral, que aparece o penúltimo tocador de cimboa, Nho Henrique (ver caixa).

No seu livro “Cabo Verde - Apontamentos Etnográficos” (1976), o antropólogo João Lopes Filho insere o texto “Berimbau e Cimbó - Dois Instrumentos Musicais em Vias de Desaparecimento no Arquipélago de Cabo Verde”, naquele que é um dos raros documentos a falar sobre a cimboa e que há 30 anos já apontava o instrumento como uma peça de museu.

Segundo Charles Akibodé, pretende-se que o projecto tenha abrangência nacional, pelo que as câmaras municipais são convidadas a enviar participantes para os cursos – artesãos ou músicos – bem como a colaborar com o envio das matérias-primas necessárias.

Este, aliás, é um dos problemas para que a cimboa continue a existir: Santiago, último reduto onde ainda se encontra o instrumento – considera-se que já existiu em outras ilhas – praticamente já não produz cabaças e a crina de cavalo com que se faz a corda está a ser enviada do Uruguai.

Parece ser difícil comprar este material aos proprietários de cavalos em Cabo Verde. Teve de vir do Brasil, numa oferta informal, a crina para ser utilizada numa outra iniciativa de valorização da cimboa, realizada no ano passado no Centro de Juventude de S. Domingos, quando Manu Mendi teve durante dois meses um grupo de aprendizes. Quanto à cabaça, teve de vir da ilha do Fogo.

O atelier com Manu Mendi deveria já ter sido realizado, segundo o técnico do IIPC, mas segundo as suas previsões será possivelmente ainda em Abril. Por outro lado, a equipa de investigação vai realizando entrevistas e recolhendo material documental, num trabalho de Akibodé pretende seja multidisciplinar e não confinado aos cânones académicos.


O último, o penúltimo e o futuro

Mano Mendi (Pedro Mendes Sanches Robalo) é natural de Chaminé, S. Domingos, onde nasceu em 1927. Vive em Rubon Chiqueiro. Em 1998, quando fomos entrevistá-lo, tinha o seu próprio grupo de batucadeiras, suas vizinhas, além de participar de apresentações com o grupo de batuque de Ntoni Dentri D´Oru, em cujo disco participa. O disco, editado em França pela Ocora/Rádio France em 1998, resulta de gravações para uma emissão da France Culture feita no ano anterior pela equipa de etnólogos Jean-Yves Loude/Viviane Lièvre.

Mano Mendi disse-nos na altura ter aprendido a tocar com nove anos. O seu pai tocava e construía cimboas, disse, mas não foi com ele que aprendeu, pois morreu nessa época, em 1937, tinha o filho Pedro 9 anos. Então aprendeu com quem? “Com Ernesto, que morreu em 47”. Sobre outros tocadores de cimboa, referiu, além do pai e de Ernesto, os nomes de Lelé e Joaquim Fonforon, este último só de ouvir falar, não chegou a conhecer.

Recentemente, e já no âmbito do projecto do IIPC, em entrevista aos técnicos do instituto Mano Mendi não se lembrou de nomes de outros tocadores, segundo Chalés Akibodé, o que pode se justificar com o facto de ser agora quase um octogenário. A outra entrevista foi feita há já oito anos. Por essa razão, este registo, que inclui solo de cimboa e acompanhamento do grupo de batuque, será oferecido ao IIPC para constar do projecto de salvaguarda da memória da cimboa.

Mano Mendi reclamava, em 1998, do facto de, devido à seca, não haver mais cabaças (buli), daí a necessidade de usar coco. Quanto menor a caixa de ressonância, mais alto é o som, explica, especificando que a corda é feita de fios de crina de égua: “Se for de cavalo macho tem o som mais baixo. A pele de cabra recobre a abertura feita na cabaça e a pele é presa com pequenos espetos de cana.”

Nho Henrique (Henrique Tavares), por sua vez, nasceu em 1905 e morreu no início dos anos 90. Funcionário da Câmara Municipal do Tarrafal, foi varredor de rua, só deixando esta actividade por doença, já bastante idoso. Em “Ña Bibiña Kabral - Bida y Obra” (1988), livro em que regista dados biográficos e cantigas de finaçon de Nha Bibinha Cabral, o investigador Tomé Varela da Silva insere entre os anexos uma entrevista com o tocador.

“Iles du Cap-Vert – Les Racines” é um disco de recolhas de música tradicional cabo-verdiana, realizado por Manuel Gomes e editado em 1990, em França, pela editora Playasound. Traz um solo de cimboa com Nho Henrique, naquele que é, possivelmente, o seu único registo. E a provável última cimboa de Nho Henrique pertence ao acervo do Centro Nacional de Artesanato, em S. Vicente.


Por outro, lado, no âmbito do recente movimento musical de apropriação e recriação do batuque, Princesito, um dos nomes da nova vaga, anunciou há tempos – e confirma agora – que no seu disco de estreia aparecerá a cimboa. O disco ainda não foi gravado e o artista não sabe quem irá tocar o instrumento, se o próprio Mano Mendi ou algum dos seus discípulos, caso o projecto do IIPC dê certo e forme novos intérpretes. Ficamos à espera – dos novos tocadores e do disco

Gláucia Nogueira Posted by Picasa
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