quarta-feira, julho 26, 2006

Um Click no Navega

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Hello Mayra, tenho estado a navegar contigo. Já deves ter recebido muitos comentários sobre o CD e gostaria de poder fazer o mesmo.

Pessoalmente não achei “justo” ouvir-te “contida” no Navega (a expressão é tua).
Para este disco, queria ouvir-te sim a romper, a invadir a expectativa que tu mesma foste capaz de criar em mim (e outros…).
Eu esperava o presente com este embrulho. Mas, claro depois da conversa contigo e das entrevistas que tenho lido entendo…

É que, por exemplo, DimoKransa ficou demasiado samba em vez de ajudar a afirmar o “funambá” do Kaká Barbosa. Quanto às musicas do Pantera, o lado “contido” a meu ver travou a interpretação na linha e espírito do que o Pantera quis para a sua música.
Romper. Afinal, Lapidu na bó ê pa fla lapidu propi…

Fiquei com a impressão de que o Kim Alves também ficou “contido”. Andei as faixas a procurar um rasgo de música com o seu toque de mestre. Enfim, como disse, entendo as opções da direcção musical em Navega.

No entanto espero, que o tipo de audiência e o glamour Parisiense não estejam a te “exigir” um determinado som/sonoridade.

Gosto do tema Navega. Muito. Vejo-te a fazer sucesso sempre com ele, e fico a imaginar cada interpretação tua daqui pra frente.

Um abraço, sucessos, Navega sempre e volte também sempre que puderes.
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Sou Proprietário!!!

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É sempre fixe ser proprietário de alguma coisa.
Acabo de ver registado na Sociedade de Autores em Portugal as músicas que fizeram parte do meu projecto Trás di Son.

Se alguém quiser conferir, peço que vá ao www.spautores.pt e faça uma pesquisa em Autores ou Arquivo de Obras, procurando por Ângelo Barbosa. Esta operação gera uma listagem com todas as músicas.

Fixe mesmo era fazer isto em Cabo Verde. Afinal, ser proprietário em Cabo Verde dá mais gozo. Enquanto a SOCA não surgir firme, vamos é ficar a torcer para que esta instituição fundamental dê “MILHO” logo logo. Posted by Picasa

quarta-feira, julho 19, 2006

Uma pergunta

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Hoje, não sei porquê acordei com esta “louca” na cabeça.

Por que razão não um centro cultural brasileiro na Praia (em Cabo Verde) ?

Não há interesse do Brasil, Cabo Verde não quer…
De uma coisa estou certo. Este novo centro poderia trazer um outro “agito” à nossa pacata cidade.

Agradeço deixarem aqui alguma opinião sobre isto… Posted by Picasa

sábado, julho 15, 2006

Tabanka Djazz perde Caló Barbosa

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Em Maio, estive em Lisboa. Fui ao Casa da Morna para ouvir música.
Não havia música, mas tive o prazer de jantar com o meu amigo Paló.

Depois do jantar Paló convidou-me para acompanhá-lo ao BLEZA onde ia fazer o som dos Tabanka Djazz. Fui. Afinal era uma oportunidade para rever malta amiga desde os tempos de finason numa famosa viagem a Bissau.

Fui já perguntando pelo Mikas, Ju, quando o Paló deixou-me saber do estado de saúde do Caló. Na hora, a noticia não teve assim tanto impacto.
Chegamos ao BLEZA e no Pátio de Edifício pusemos à conversa com o Mikas.

Depois chega o Caló a conduzir. Não deu para esconder que fiquei triste ao vê-lo. As marcas que o cancro lhe vinha impondo eram visíveis. Quando me viu, deu-me um abraço forte e ainda os parabéns pelo Trás di Son. Perguntei-lhe como se sentia, respondeu: “hoje estou bem, vou até tocar. Fica para ouvir”.

Mas Caló conservava a mesma presença nas músicas do Tabanka Djazz e naquela noite mantinha ainda a simpatia e uma delicadeza que lhe é muito própria.

A morte de Caló toca-me e de certeza toca a todos que de alguma forma conviveram com ele.
Aproveito em nome da malta do Finason para enviar um abraço forte a todos os amigos do Tabanka Djazz.
Que haja mais música em memória a Caló Barbosa.

quinta-feira, julho 13, 2006

Vale Lembrar 20 anos atrás

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Algures em 1986, um músico caboverdiano ficava entre os finalistas do concurso “Decouvert” da Rádio França Internacional. E a música era Mãe d´Fidje.

Em 1987, este mesmo músico, concorre de novo, ao mesmo tempo que com vários outros compositores da nossa praça e chega ao segundo lugar da “prova”. Desta vez com a música “Sodad tem Pena d´Mi”.

Nesta altura o músico preparava-se para contribuir com um autêntico rasgo na abordagem da música chamada tradicional, nos campos da Morna e Coladeira.

Anos depois os Tubarões, na voz de Ildo, regista o tema “Mãe d´Fidje” em disco, assim com vários outros temas que se tornaram eternas melodias na voz de vários artistas de nome.

Realmente o rasgo continua a se confirmar.
Há dias saiu o disco do Dudú Araújo e deste constam mais três músicas desta gaveta de retratos únicos que este músico e compositor consegue criar.

Mas Nhelas Spencer não é só isto, ele é também “Quarteto em Si”. Isto é um outro lado do músico. E disso, falamos depois.

Tenho o privilégio de conhecer e ser parceiro de sons deste músico “fiteiro”, que mexe na música quando deve haver música, ou como ele mesmo diz: “quando a unha crescer”…

Parabéns, parceiro pelo “premio” de há 20 anos.
Deixa-me saber o ensaio é para quando… Posted by Picasa

terça-feira, julho 11, 2006

Danae - Em Onda Intimista

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Son di Santiagu foi ver Danae no Takanka Mar.
Uma artista que, com os instrumentos que tem, voz e violão, pode criar um caminho próprio. È que Danae cedo preocupa-se em cultivar estes instrumentos e a partir deles partir para a composição.
Danae veio para este concerto com uma “onda mais intimista”. Esta postura obriga a procuras várias. Um caminho que certamente vai permitir a Danae a se descobrir melhor e criar melhor ainda.

Apreveito para dar uma força à Danae, ao excelente guitarrista Miguel e ao nosso “Houss” que mais uma vez mostra a sua toda a sua versatilidade como percussionista, adaptando-se bem aos temas do repertório.

Do concerto ficou-me no entanto a reconfirmação de alguns factos.
Ambientes para audição musical é um sério problema ainda nesta cidade.
Como é possível ter-se ou criar-se “um ambiente intimista”, se a audiência comporta-se como se estivesse num desfile de modas, a conversa gritada é infinita e sobre temas dos mais estúpidos, os telemóveis soam a cada minuto e o barulho do serviço do bar impõe uma maior atenção sobre o whisky do que a própria música…

Fico a torcer para realmente termos algum dia um espaço “dedicado” para se ouvir música. Pessoalmente, acredito que isto tem e muito a ver com qualidade. Posted by Picasa

Praia e a Barulheira Sinfónica

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A Cidade(?) da Praia tem vivido “concertos generalizados” muito especiais ultimamente. O instrumento é praticamente o mesmo.
Trata-se dos geradores de corrente eléctrica. Estes passaram (passam) a ser “mobiliários” obrigatórios nas casas da cidade.

Este fim de semana tive a curiosidade de assistir alguns destes concertos e pude constatar que o diapasão marcou MI MAIOR para esta barulheira Sinfónica que comanda a Cidade, sob a competente batuta (ou batota?) dos Maestros da ELECTRA. Posted by Picasa

Assomada Nocturna: Posfácio de Maria Armandina Maia

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Quando o passado reescreve o futuro

Viver sob o sol é a nossa condição irreversível. E também sob a sua sombra.
José Luís Hopffer C. Almada in “O Parto da Sombra ou Confissões do Autor”, À Sombra do Sol, volume I, Praia,1990

Tendo seguido de perto o trabalho de José Luís Hopffer Almada, como investigador, editor e divulgador da cultura caboverdeana, cumpre-me, antes de mais, registar a qualidade do seu trabalho nestes diferentes domínios, que o tornam um nome de referência no que respeita à difusão do património cultural de Cabo Verde. De facto, a profunda coerência com que tem exercido este ofício de agente cultural em permanente missão, acabou por impor o seu nome, como o de alguém inexoravelmente ligado à tarefa de tornar visíveis as vozes que ainda não vemos.

Esta menção à restante obra de José Luís Hopffer Almada reveste particular importância na leitura de Assomada Nocturna, dado que todo o trabalho poético deste autor se integra numa linha de preservação patrimonial, bem patente nas três publicações anteriores: À Sombra do Sol, volume I e À Sombra do Sol, volume II (Maio de 1990) e Assomada Nocturna (s/d, 1993?).

A edição de Assomada Nocturna, assinada pelo próprio José Luís C. Hopffer Almada, reaparece aqui, sob o mesmo título, não obstante a distância temporal que separa as duas edições.
No entanto, a obra reunida nesta “nova” Assomada Nocturna é-nos apresentada como um único poema, de NZé di Sant’ y Águ, que vem absorver, substituindo-o como uma sua variante mais complexa, o nome literário Zé di Sant’y Águ ,criado em 1978, em Assomada, como “personalidade (....) profundamente ancorada no chão telúrico de Santiago e de Cabo Verde”, nas palavras do autor ortónimo e, aqui, reiterada como “responsável pela escrita poética em crioulo e por aquela poesia lusógrafa de maior substancialidade telúrica ou em que, interrogadas as matrizes da condição humana, se detecte uma indagação estética da universalidade fundada na pretensão de uma autenticidade cabo-verdiana, historicamente situada”. Referindo-se a Zé di Sant’y Águ, diz José Luís Hopffer C. Almada em “O Parto da Sombra(...)”, que esse “heterónimo” (...) simboliza a sacralização dos elementos essenciais da nossa mitologia: os santos (em primeiro lugar o S. Tiago (...) e a Água; a ilha, a raiz do arquipélago. Zé sou eu. Um simples signo de Adão e Eva, petrificados no Piku Ntoni, o patriarcal Monte de Santiago de Cabo Verde”. Santiago, Sant’ Iago, S. Tiago, pois, como premissas histórico, memorialística, telúrica,, toponímica e identitária para a afirmação sustentada da personalidade literária e da respectiva obra. Diz ainda o autor ortónimo, em texto ainda inédito: É essa pretensão de afirmação que é plenamente assumida e incorporada neste livro com a fusão/integração do N (o eu forte e afirmativo, a primeira pessoa do singular cabo-verdiano) e do Zé, associado à vizinhança, à proximidade e à intimidade e que se confunde com o nome próprio e o nome comum (nominho e nome de casa) dos seres humanos do nosso escalavrado chão em cumplicidade com a banalidade das coisas e a vulgaridade dos dias, as quais, por sua vez, se fundem na individualidade identitária do cidadão, do actor social, do autor, do sujeito poético. O NZé, pois, para significar também a busca de uma sacralidade que, sendo um dom cobrado e arrancado ao labor do artífice do verbo, pretende afirmar-se como deliberação de mestria da palavra, como sugere o swahili. Fica pois implicitamente dito que NZé di Sant’y Águ representa uma personalidade poética que se quer plenamente amadurecida e capaz de superar pelo seu aperfeiçoamento a linguagem e a escrita poéticas de Zé di Sant’y Águ, nas suas modalidades lusógrafa e crioulógrafa, superação essa também testemunhada pela aguda maturidade da nova “Assomada Nocturna”, em edição, agora, consideravelmente revista, aumentada e, assim, refeita.

Julgo que valeria a pena aprofundar, noutro espaço que não o deste posfácio, o modo de produção de José Luís Hopffer C. Almada, bem como a integralidade que subjaz à heteronímia que reivindica no seu trabalho poético. A este propósito, sublinho a fundamental importância de “O Parto da Sombra ou Confissões do Autor”, texto de abertura à obra À Sombra do Sol, Volume I, para uma maior compreensão das “várias almas” que sustentam a sua escrita.

Outras pistas poderiam – e deveriam - ser verificadas, na construção do trabalho que aqui nos é apresentado: a dinâmica do mundo rural, não só como contraponto da mundividência urbana, de alguma forma presente na Vila da Assomada, mas ainda como espaço de dupla insularidade, um espaço em que a Assomada, de costas para o mar, é do tamanho do mundo, a sua medida e a sua única proporção.
De igual modo, mereceria um estudo mais alongado a universalidade deste poema, criada a partir de uma geografia íntima e regional. Apesar do muito que já se disse sobre esta matéria, creio que valerá a pena explorar a qualidade literária que se assinala nesta obra, restrita mas não restritiva e, por isso mesmo, capaz de propor uma nova e necessária dialéctica do regional e universal.

A dualidade, entre as indagações, próximas da oralidade, Lembras-te? é ritualmente co-respondida por uma outra voz, indiciada no texto pelas marcas de Todos nós éramos, que intersecta, recria, amplia e transforma o olhar virginal e cristalino dos meninos, as crianças circulares de beleza que povoam a Assomada e a tomam de assalto ardendo vegetalmente, que ocupam um território primordial na economia do poema de NZé di Sant’ y Águ.
As evocações constantes aos meninos com quem cresci, para usar palavras do próprio autor (edição de Assomada Nocturna de 1993), assinalam a função iterativa dos companheiros invocados, Lembras-te?, como testemunhos de uma mundividência tão forte quanto viril, tão insular quanto protectora, tão secreta quanto codificada.
O chamamento do autor é de tal forma imperioso que reescreve o seu tempo, o tempo em que se edificaram, como uma fortaleza, na sua singular condição de crianças sedentas de galgar as exaustas margens das ribeiras para se fazerem árvore do planalto.
Mas os meninos heróis são-no também pela sua constante vigilância, de fisgas retesadas/ fundas preparadas(...) espantando (...) os corvos os macacos as monas, dupla vigilância, aliás, para iludir a severidade da tutela familiar, sem perder nunca de vista o seu cinema paradiso, espaço de sigilo e liberdade.
A voz “outra” contextualiza as personagens e cenários desta infância livre e proibida, estabelecendo-se como paradigma de exigência e rigor históricos, revisitados com o valor acrescentado da maturidade e compreensão de fenómenos que os olhos de meninos da Assomada, bolas velozes apavoradas poderiam apenas pressentir.

É assim de crucial importância procurar na aparente hibridez do deslumbramento da evocação da infância, as linhas doloridas com que ela se coseu. Nem a alegria dos corpos nus, nem a agilidade em galgar espaços, nem as improvisadas jangadas, obliteram os meninos alimentados a batata assada/ café escasso e leite dormido, perante a covarde indiferença/dos senhores dos paços do concelho/ entretidos com o clube/ e as concubinas os jogos de fortuna/e as noites longas da Assomada?

A função evocativa da memória é amplificada pela fidelidade e minúcia exaustivas, enquadradas por uma adjectivação também exaustiva, em que se reiteram o afecto, a generosidade, a audácia e a beleza como elementos preciosos e primeiros, no refazer de uma memória colectiva: Todos nós éramos/guardiões leais das sombras/ de quem estimamos(...) como medor e outros cães/ (...) guardando-nos as covas de milho/os muros das hortas/o branco caiado dos quintais. A fusão dos seus passos com os espaços da natureza, exuberante e quase violenta, de tão quotidiana e banal, confere um movimento vital imanente ao poema:

Todos nós éramos/ espectros tímidos/ circulares de beleza/ ardendo vegetalmente/ ante o mistério da magnólia da madalena/ da gardénia da margarida da dália da rosa/ e das outras plantas/ e das outras flores crescendo/ exuberantes cuidadas nocturnas/ nos jardins da Assomada.

A memória cumpre-se neste texto de modo magistral, a partir da reconstrução “infalível” do lugar de origem, como fundador de um espaço de liberdade e colectividade fulcrais. Mas é o valor acrescentado desta mesma memória que confere ao poema a sua dimensão única, em termos patrimoniais. José Luís Hopffer Almada repõe as suas origens no quadro social e familiar de um Cabo Verde revisto e revisitado:

Todos nós éramos/atentos sedentos ouvintes/dos amigos retornados/aos lugares tantas vezes nomeados/da pátria desfraldada/espectaculares nos seus fatos impecáveis/sapatos polidos cabelos luzidios/tristes porém e amedrontados/pelo olhar condescendente meticuloso/ dos parentes dos primos metropolitanos/ sobre os éres pouco carregados/ na sua timidez ultramarina e insular/os is resplandecentes de Santiago/pavoneando-se estranhos e pardos/ entre o reboliço vário/o esquisito bulício de Lisboa/ dos colégios internos/ do exílio de nós.

À luz da sua função testemunho, este “guardador de rebanhos” chega ao lugar de infância sem nunca de lá ter saído, com a mesma ternura e a mesma fragilidade com que o viveu. Mas também com “o outro olhar”, a outra voz, dolorosa consciência de si e do mundo que o leva a intercalar os territórios da infância com a sua inexorável interpretação.
O diálogo entre as vozes Lembras-te? e Todos nós éramos não visa estabelecer uma função dicotómica, mas antes uma unidade (pro)funda, uma circularidade épica entre todos os momentos vividos, na sua candura iniciática ou na sua condição de solilóquios de pedras nuas/velando a geometria encarcerada da vida.

No monodiálogo entre as duas vozes, que mais não são do que o outro de si, vai impor-se, de forma crescente e visível, um território crítico e audacioso, em que se renova a tessitura da insularidade e da emigração:
Todos nós éramos emigrações/inscritas no esqueleto das montanhas/navios de todos os atlânticos/ancorados na fisionomia/raquítica e contorcida/das purgueiras ao sol/da rala vegetação/nas raízes da fome e da carestia.

José Luís Hopffer C. Almada e NZé di Sant’ y Águ constroem assim uma dupla invencível, capaz de restaurar uma dinâmica algo saturada entre “o partir e o ficar”, de que se tem alimentado muita da crítica sobre a cultura caboverdeana.
Mantendo intactos os lugares e figuras que lhes pertencem, como pedras basálticas, desfilam perante o leitor, num rosário de contas cuja litania quase se ouve, as histórias de vidas mínimas, vidas de ninguém que nunca fariam história, se não pertencessem a este lugar que José Luís Hopffer Almada consagra no poema, na intenção evidente de salvar do esquecimento todos quantos pertencem àquela origem, por mais desviados ou inglórios que tenham sido os seus caminhos como esse relojoeiro lendário hermafrodita/temido incendiário das casas da pobreza/da cobardia e da rotina do quotidiano/por seis anos escorraçado do convívio/da decência dos homens honrados/ e da intimidade da folhagem/do poilão da boa entrada.

Neste texto, lucidamente contemporâneo, refazem-se (e reconciliam-se?) outras trágicas dimensões da humanidade roubada, aqui evocada com uma integridade que tornam este livro um objecto precioso, pelo resgate de heróis a que deu vida, através de uma senda luminosa que conduz o tempo ao Tempo:
navegando lestos/quais pérolas do oceano/sulcando ríspidos/sobre os morgadios/ e sobre a infame ousadia/dos que podem mercadejar/ com os tempos de ser Tempo/nas noites longas da Assomada.

Está assim cumprido o desígnio desta Assomada Nocturna, a assinalar um marco literário, um legado que NZé di Sant’ y Águ nos pôs nas mãos no dia em que (por acaso ou destino?) se assinala a Independência de Cabo Verde.


Maria Armandina Maia
Lisboa, 5 de Julho de 2005 Posted by Picasa

sábado, julho 08, 2006

Ramiro é Sempre Benvindo

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Pra mim tem sido sempre proveitoso as vindas de Ramiro Mendes a Cabo Verde.
Quando preparava o “Trás di Son”, o Ramiro deu dicas interessantes. Na prática criou o canal de contacto com o irmão João Mendes que dispensou todo o conhecimento que a MBRECORDS tem nos States (Bóston no caso) para que o “Trás di Son” pudesse sair.

Há dias numa outra conversa com Ramiro, falávamos da música e das tendências actuais e particularmente do problema crítico que é a distribuição de obras musicais.
O nosso RA vive hoje na Califórnia, no meio deste “big business environment” em contacto com importante “cabesons” da industria de produção e distribuição musical.
Considero que uma grande embaixada caboverdiana está montada no West Coast.
Espero que desta iniciativa do RA saia projectos e que deste lado se tire algum proveito.
Que haja inteligência pra isto!

Da conversa, Ramiro deixou algumas dicas.

Hot Hints!!!

Pois é, parece que já existe uma “indústria” montada especialmente para quem pretende fazer coisas no estilo independente. Esta “indústria” está a consolidar, ganhando cada vez mais adeptos e tem a ver exactamente com as possibilidades criadas pela Internet.

A IODA (INDEPENDENT ONLINE DISTRIBUTION ALLIANCE ver http://www.iodalliance.com) desponta como a líder neste mercado.
Ela define-se como uma distribuidora digital, cujo objectivo principal é disponibilizar música digital via Internet.

Estou a explorar esta dica para o meu projecto “Trás di Son”. Quem sabe consiga fazer chegar o som ao Tibete antes de São Vicente, São Antão, Fogo, interior de Santiago e etc…
Sim, é que por aqui a distribuição é dose para elefante.

quarta-feira, julho 05, 2006

5 de Julho - Frase

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"A independência é um acto de cultura" Posted by Picasa

Reconhecimento a Músicos

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Na véspera de mais um aniversário da independência das ilhas, o Estado de Cabo Verde reconhece atravês de um decreto presidencial o trabalho dos nossos artistas destacando que "dentro e fora de Cabo Verde, vários artistas contribuíram para a renovação sucessiva da nossa cultura através dos seus ensinamentos, dos seus desempenhos e das suas obras. E o resultado espelha-se hoje no despontar airoso da nova geração."

“Esses homens e mulheres constituem referências no panorama cultural do nosso país e merecem o reconhecimento de toda a Nação”.

Aqui fica a lista dos condecorados.

1. Adalberto Higino Tavares Silva (Betú)
2. Albertina Alice dos Santos Rodrigues (Titina)
3. Antero Gonçalves dos Santos (Tey Santos)
4. Antero Simas
5. António Ramos (Toy d’Bibia)
6. António Roque Evangelista Évora
7. António Vaz Cabral (António Dente d’Oru)
8. Aristides José Paris (Tito Paris)
9. Carlos Alberto Barbosa (Kaká Barbosa)
10. Celina Pereira
11. Daniel Pereira da Rocha e Silva
12. Emanuel Lima (Manu Lima)
13. Emanuel Maria Dias Fernandes (Zezé di Nha Reinalda)
14. Epifânia de Freitas Silva Ramos Évora (Tututa)
15. Francisco José Coelho Pereira Serra (Chico Serra)
16. Gabriel António Costa (Nho Kzik) (a título póstumo)
17. Gregório José Gonçalves (Ti Goy) (a título póstumo)
18. Henrique Teixeira Oliveira (Djick)
19. Humberto Bettencourt Santos (Humbertona)
20. Jean da Lomba
21. Joaquim Fernandes de Pina Alves (Kim Alves)
22. Joaquim Soares Almeida (Morgadinho)
23. José Arlindo Duarte Couto (Zeca Couto)
24. José Augusto da Silva
25. José Bernardo Dias Fernandes (Zeca di Nha Reinalda)
26. José Vieira Duarte (Djosinha)
27. Manuel Tomás Cruz
28. Mário Lúcio Sousa
29. Norberto Tavares
30. Orlando Barreto (Pantera) (a título póstumo)
31. Pedro Rocha
32. Ramiro Mendes
33. Rufino Almeida (Bau)
34. Teodolindo Ledo Pontes (Minó di Mamá) (a título póstumo);
35. Valdemiro de Jesus Ferreira (Vlú).


Son di Santiagu, tira o chapéu ao gesto...Reconhecer é obra!!! Posted by Picasa

terça-feira, julho 04, 2006

Danae está de Volta com Condição de Louco

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A última vez que eu vi Danae foi na varanda da casa onde morava na Terra Branca.
Ela tinha um violão ao colo e resmungava qualquer coisa.
No inicio deste ano, o pai me deixou saber que ela tinha gravado um CD e na Internet se fazia boas referências.

Tive realmente a curiosidade de pesquisar a net e constatar que muito se vinha dizendo em Portugal sobre este outro som que a Danae produz. (ver www.danae-online.com, www.centrodeartesdesines.com.pt)

Danae vem a Cabo Verde para lançar “Condição de Louco” um disco que parece ser mix de muitas viagens desta jovem caboverdiana e também cidadã do mundo.
Estou curioso para rever e ouvir esta artista que pela forma como carregava o seu violão naquela varanda transmitiu-me muita sensibilidade e paixão pela música.

Deixo aqui um texto enviado pela produção pedindo que se divulgue a “Volta da Menina Artista”.
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DANAE - O REGRESSO DA MENINA ARTISTA


Danae foi uma das mais surpreendentes estreias musicais do ano de 2005/2006.

Nasceu em Cuba, e desde os três anos de idade que vive em Cabo Verde e escolheu ser caboverdiana. DANAE é filha de músicos e cresceu no meio dos mais prestigiados artistas deste arquipélago africano. Cantando em crioulo e em português com sabor a Brasil, DANAE apresentou ao mundo o seu primeiro álbum, "Condição de Louco" (Ed. Valentim de Carvalho). Ao longo do disco de estreia de DANAE, encontramos um trabalho notável que revela uma escritora de canções extraordinária e uma voz que nos envolve e cativa à primeira audição. “Condição de Louco”, é uma colecção de deliciosas canções que revelam uma modernidade e uma universalidade surpreendentes, sendo a simplicidade, o bom gosto dos arranjos e as interpretações personalizadas da jovem autora absolutamente arrebatadoras.

Num regresso há muito desejado a Cabo Verde, DANAE tráz na bagagem um dos discos mais apreciados pela crítica portuguesa que vicia a cada nova audição, e que retrata na perfeição o talento de um dos mais promissores nomes da canção contemporânea.

Acompanhada por 2 músicos, num formato acústico de apresentação, DANAE conta com 4 actuações marcadas nas Ilhas de São Vicente e Santiago, a convite do grupo hoteleiro Oásis Atlântico, onde irá mostrar ao público, o resultado do seu trabalho.

Após participação em vários programas da televisão portuguesa, de onde se destaca a participação no programa da RTP 1 que antecedeu o jogo amigável PORTUGAL - CABO VERDE, DANAE continua com rotação intensa na Antena 1, Antena 3, TSF, Rádio Comercial, Rádio Renascença e com críticas excelentes no Expresso, Público, Diário de Notícias e Blitz, Danae apresenta-se ao vivo com o mesmo perfume musical do extraordinário disco de estreia.

Contamos com a presença de todos porque…DANAE, ESTÁ DE VOLTA!

AGENDA:

4 de Julho 2006 – Bar Lobby – Hotel Oásis Atlântico Porto Grande - 23.00h
5 de Julho 2006 – Bar Lobby – Hotel Oásis Atlântico Porto Grande - 23.00h

7 de Julho 2006 – TABANKA MAR – Hotel Oásis Atlântico Praia Mar – 23.00h
8 de Julho 2006 – TABANKA MAR – Hotel Oásis Atlântico Praia Mar – 23.00h


Informações e Marcações de Entrevistas e Espectáculos:
manager@danae-online.com - 00 351 966 627 430 Posted by Picasa

Linhas di Pensamento - Recado di Paló

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Djinho Barbosa, nha amigo, colega, nha mano, pidim pam screbi uns linhas pa si blog.

Dispôs di amadureci quel ideia duranti dôs dia, m’ resolvi screbi alguns linhas di pensamento sobre vários aspectos di vida musical dês praia maria di nôs.

M’ sta contenti e impressionado cu qualidadi e quantidadi di jovens artistas qui sa ta disponta. Talvez más quantidadi qui qualidadi, má simé cusas sta tcheu.

Um bês, gravaba um disco na cabo verdi era cusa sô pa alguns. Nem tudo alguem tinha possibilidadi di baba merca ou portugal, ou mesmo frança, pa contrata músicos, pa grava e pa poi disco na rua.

A partir di más ou menos 1997/98, cu studios di gravaçon qui cumeça parci na praia, grava disco bá ta bira cada vez más fácil, ti qui hoji sta fácil ti pa dimás. Hoje em dia, cu evoluçon di equipamentos digital, softwares di computador e otus piquenos cusas, grava disco ê um cusa fácil.

E ess facilidadi ta arrasta otu cusa: má qualidadi. Tem tcheu artistas qui di ARTISTA êss tem sô quel nomi mé. Bu ta obi músicas cu letra mariado, más exatamenti cu falta di letra, cu frasis qui ca ta fazi xintido, cu uso e abuso di palavras “cretcheu”, “nha mor”, “bô” – há dias m’ obi um música qui tinha palavra “bô” ripitido más di trezi bês (m’ sta fla trezi pamó mi mé m’ fazi um música qui foi gravado pa djedjê di memezinha qui ta ripiti palavra “bô” trezi bês. Quel quim obi na rádio passam di longi… ná, dam xitada propi…)

Otus tem qui, para além di letra gaiato, tem voz gaiato. Tem quem qui ta disfarça cu quel efeito di voz di telefoni, tem quem qui ta usa quel afinador di voz na sê máximo qui ta poi voz mó voz di quess computador di filme di “fricçon” científica cheio di “defeitos especiais”, ma enfim, cada quenhi tem direito a si quinze minuto di fama. Problema ê qui às vez quel quinzi minuto di fama ta tomass cabeça e dja bu ta odjas cu atitudis menos bonito, às vez ta tchiga na falta di ruspeto pa más bedjo.

Tem també alguns minis di 16, 17, 18 anu qui sta canta e toca pa um casa família.

Sim cu senhor! Cusa sta bom!

Rapazis sta num onda di soul americano adaptado pa músicas qui ess ta toca, cuza qui ta exigi um técnica vocal qui ca ê muto fácil, não senhor.

Más m’ tem um cusa pa flâ quês mocinhos li: m’ tem stado ta obi tcheu rapazis cu tcheu potencialidadi ta canta Djavan e alguns outu artistas brasilero. Cá gó êss ta fazi queston di da show cu quêss músicas. Bom, nha opinion sobri queli ê qui, si nhôs odja dretu, nhôs sta ta perdi tempu. M’ ta atcha má nhôs divia tentaba criaba nhôs música, nhôs composiçon, pa apresentaba dispôs na concertos, espectáculos, na quintal di música ou na palácio di cultura, ou undi qui for.

Ou enton nhôs fazi sima outus colegas di nhôs qui ta panha músicas di tera ta dal outu orquestraçon, outu interpretaçon.

Más na fundo m’ sta contenti tó quim ta odja tcheu rapazis cu mininas ta enfrenta um público cu um microfoni na môn.

Nhôs continua, pa frenti ê quê caminho.

Más di zimola, nhôs toma atençon, ca nhôs dâ passo más grandi qui perna di nhôs.

Nhôs manti fixi!

Paló

Ah! Otu cusa: si nhôs mestem pa algum cusa, nhôs conta cu mi. Posted by Picasa