100 Palavras...e um gráfico!

2:14 da manhã Angelo Barbosa 2 Comments


No último Casa da Cultura, o Vicente disse umas boas sobre o “estado da arte” da Cultura em Cabo Verde, claro apontando por exemplo o quinhão que esta “pasta” (uma carteira minguada) vai receber do Orçamento Geral do Estado para 2007.

È curioso e vale a pena deixar aqui registado, para aqueles que foram “fintados”, a repetição do programa que normalmente acontece aos Sábados, levou ao ar um outro “Nta Mora Li” que não o da Quarta anterior.

Estas coisas criam-nos alguns grandes macacos e questões mil vêm à cabeça.
Será que houve...?

Numa altura em que toda a comunicação social junta-se para em acto solene pensar o “momento de viragem” é de se perguntar que tipo de viragem é por exemplo esta que aconteceu com o programa que não chegou a sair.

De qualquer forma fica aqui em imagem o que foi dito.

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2 comments:

Anónimo disse...

Cultura é também o que José Hopffer vem escrevendo no jornal Semana. Por isso mesmo vim aqui alertar:

Não reagi às segunda e terceira partes do seu trabalho, porque entendi que eram repetições e redundâncias da primeira parte.

Ja agora tem de ter cuidado com as repetições.

Como disse na reacção à primeira, é excelente o seu trabalho, mas não quer dizer que esteja de acordo com as suas teses, ou antes hipoteses de trabalho.

Eu vivi esse periodo de 74 e os primeiros anos da Independência e não estou de acordo com o que escreve sobre a unidade e a nossa identidade.

Esse coisa da unidade, foi um disparate e uma grave falha de pensamento de Amilcar Cabral. Os crioulos de BARLAVENTO nunca se identificaram nem de perto nem de longe com a Guiné.

Para os mindelenses, Guiné era sinonimo de Africa, de Selva e de macacos. Lembro-me por exemplo duma cantiga de rodas que a gente aprendia na escola e que dizia mais ou menos assim: "preto da Guiné, lava cara com café"...

Ou então quando se falava de alguém preto, a gente dizia que "é um preto da Guiné ou de ANgola".

Preto era o outro que vinha da Africa, pois na nossa mundivivência, CABO VERDE não fazia parte da Africa.

A nossa identidade era crioula e honestamente, não conheço ninguém da minha geração (50 anos ou da geração dos meus irmãos mais velhos 55 anos ou mesmo da minha mãe), que tenha equacionada a sua condição de africano.

Deixemos de fantasias porque era assim mesmo.E com isto não estou a dizer que não sou africano ou renego essa condiçAõ. Até porque estou-me nas tintas. Para mim, ser africano, ser europeu, ou americano, não quer dizer rigorosamente nada.

Estou simplesmente a descrever o que vivi e o que a minha geração viveu e não ha um unico amigo meu que é capaz de me desmentir. Lembro-me, so como anedota, que no dia em que descobri que era africano, que tive essa consciência clara disso, quase que ia morrendo!

Estavamos em 74 e alguém fez um discurso sobre a nossa condição de africano e pela primeira vez percebi que vinha sendo enganado esses anos todos até esse dia.

Mas fiquei triste, porque ao mesmo tempo descobri também que a minha educação não tinha nada a ver com Africa. Toda a minha escolaridade era europeia e até hoje, as minhas referências intelectuais são ocidentais.

Ja tentei, mas não consigo ler autores africanos, pois a mundivivência africana não me diz rigorosamente nada. Culturalmente é um disparate dizer que somos africanos, se os nossos intelectuais com 40 50 e 60 anos e mais, são incapazes de citar cinco obras e cinco autores africanos.

Ou o preto tem de ser forçosamente um africano? E o negro-americano ou cubano ou haitiano?

Para mim nao é um dilema, porque vivo na Europa e todo o meu mundo gira em torno do Ocidente. Mas todos os dias o branco inculto me diz que sou africano, eu que na maior parte das vezes sei mais do que ele da sua propria cultura e não sei quase nada da cultura africana; mas atenção: os negro-africanos, dizem-me também que não sou africano.

E então José Luis?!


Aldemiro silves

Abraao Vicente disse...

Esse é um tema muito interessante:a questao de identidade!As pessoas definem-se pela sua memoria pessoal e colectiva, marcadas pelo seu tempo, mas acima de tudo, cada um constroi a sua identidade por um processo de escolhas que nem sempre é consciente e muitas poucas vezes partilhada por colectivos! Acho que nao faz sentido pensar que todos temos de partilhar a ideia de caboverdianidade e do se ser africano!Muito menos quando essas ideias sao criadas sobre lugares comuns e saudosismos!Nos dia de hoje ninguem é obrigado a fazer parte de nenhuma identidade colectiva com o qual nao se identifica,muito menos importar-se com o discurso discriminatoria do outro!Hoje tal como existem os afroamericanos também é assumido a existencia dos afroeuropeus, ideia mais que legitima de uma realidade bem palpavel!Joaquim Arenas autor Lusocaboverdiano (ele é mesmo lusocaboverdiano) da uma luz sobre esse sentimento de se ser afroeuropeu no seu livro "A Verdade de Xindo Luz".
as melhores saudaçoes
Abraao Vicente