domingo, novembro 26, 2006

A História tem dia, hora e minuto...e pessoas!

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Foi feita a obra de "restauração" da Pracinha da Escola Grande.
Fiquei impressionado com o comentários de pessoas que deixam-me alguma impressão de que afinal a cidade tem jeito.

Este post vai para deixar um registo sobre um momento marcante na vida da cidade.





Deixo ainda o discurso Sr. Napoleão Santos, cidadão atento que aproveitou da ocasião para mandar alguns recados.

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Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal da Praia. Excelência.
Exmos Senhores Convidados
Prezados Munícipes presentes.

Antes de mais gostaria de agradecer o convite formulado pelo Senhor Presidente para tomar a palavra nesta cerimónia, que me transporta a mais de 50 anos atrás.
Lembro-me dos tempos em que esta praça, oficialmente denominada Dr. António Lereno e popularmente baptizada de “praça da Escola Grande” era o local de encontro e convívio das pessoas, onde se escutavam as emissões da então Rádio Clube (iniciativa do saudoso Pantchol Lopes da Silva), lugar onde se contaram estórias, se enamorou e se sedimentaram amizades que ainda perduram.

Recordação que, uma vez mais, me fazem concluir da importância das praças como lugares de lazer, convivência e aprofundamento de laços de pertença à comunidade e de solidariedade entre os seus integrantes.

Enfim, subjacente à construção das praças houve e há sempre uma ideia do público, aliás, ideia essa que encontramos nos primeiros espaços públicos que antecederam as praças modernas, a ágora dos gregos e o fórum dos romanos, com a pequena diferença que, como se sabe, na primeira o debate público era feito em praça aberta e no segundo em espaços circundados por grandes edifícios públicos. Mas sempre presente a ideia do público.

Por isso é com alguma preocupação que vejo o crescimento da cidade sem a construção destes espaços devidamente estruturados e desempenhando o papel que tiveram ao longo da história destas ilhas. Basta uma rápida volta pela nossa cidade que pulula de gente e de vida para se constatar que assim é.

Mas como poderíamos melhorar o convívio social se por todos os bairros, sobretudo os mais recentes, a par dos modernos edifícios humanizássemos a vida que neles se desenrola com a construção e equipamento de praças!

Tudo isso justifica a felicidade com que acompanhei o desenrolar das obras de recuperação desta nossa “praça da Escola Grande” e com regozijo junto-me a todos aqui presentes para saudar a sua entrega aos praienses, mais valorizada e enriquecendo ainda mais o nosso património arquitectónico e histórico.

Contudo, permita-me Senhor Presidente, sem deixar de respeitar e elogiar obras já feitas pelo seu executivo, do mesmo passo manifestar alguma frustração para o estado de degradação em que se encontra o Platô, que tarda em receber as tão anunciadas obras que dele façam, quem sabe, Património Histórico da Humanidade.

Mesmo que não se chegue a tão almejado patamar, em todo caso obras que venham dar mais qualidade à vida dos praienses e que a todos cabo-verdianos faça orgulhar.

O Platô não pode continuar como está!

É imperioso e urgente que se comece a sua recuperação qualificada, se impeçam os atentados estéticos e arquitectónicos que acontecem aos olhos de todos (veja-se, por exemplo, o que está sendo feito no prédio ao lado da Igreja do Nazareno onde no lugar de persianas foram colocadas grades por todas as janelas como se de uma prisão se tratasse, ou ainda o gradeamento e chapeamento das montras de algumas casas comerciais), se devolva os passeios aos peões, os quais foram tomados tanto pelas vendas ambulantes como pelas viaturas.

Enfim, perdoe-me o exagero, mas precisa-se de uma revolução na forma de fazer as coisas para se estancar o processo degradação que ameaça o Platô.
Felizmente que a obra de recuperação desta praça demonstra claramente que é possível fazer coisas boas e bonitas para a nossa cidade, com vontade, criatividade e visão de futuro.

Já agora, permita-se-me sugerir à edilidade a busca de parcerias junto das instituições públicas e privadas sedeadas ou instaladas na capital para que estas dêem um pouco mais à cidade que as acolhe, nomeadamente, na recuperação ou construção de espaços de convívio social, na recuperação de miradouros (Diogo Gomes, Parque Infantil), dos edifícios emblemáticos, enfim uma co-participação activa na modelação da vida da cidade.

É certo que tudo não se resume a realização de obras. Também constitui um desafio, talvez mais do que obras em si, os comportamentos dos cidadãos e das autoridades para com os outros e para com a coisa pública.
E aqui importa chamar a atenção pelo défice do nosso comportamento cívico que demonstra a necessidade de programas nas escolas e nos meios de comunicação social para a interiorização de determinados valores de convívio social e de afirmação da cidadania.

Como deixar passar ao lado um meio tão poderoso como a televisão para veicular informação e formação dos nossos concidadãos!
Senhor Presidente, Senhores convidados.

Não pretendo maçar-vos, apenas quis aproveitar a ocasião para, a par da satisfação da inauguração, trazer algumas preocupações que me vão na alma enquanto munícipe interessado pela vida da sua cidade.

Estou em crer que encontrarão eco no Senhor Presidente e sua equipa pois que convencido e esperançado estou de que todos amamos esta Cidade e queremos vê-la prosperar com rapidez e muita dignidade.

Obrigado
Praia. 19.11.2006 Posted by Picasa
Reacções:

2 comentários:

Mito Elias disse...

Espero q este seja o 1º degrau, na restauração do plateau, q não pode continuar nessa imensa lixeira, q nos vai atolando.

CVmente

Mito

Mito Elias disse...

No meu comentário anterior, por um lapso, esqueci-me de enaltecer o discurso do Sr. Napoleão. Fica aqui o reparo e a comoção.

Mito