Nta Mora Li - De Paris

12:10 da manhã Angelo Barbosa 2 Comments


Continuo sem entender porque é que os nossos ex-colonizadores continuam a pensar que somos objectos exóticos para exibir.
Eu que ando por aí de boca cheia chingando aos portugueses e vem os franceses e me saem com esta. Nouvelles Africainnes…Bom, não vou negar que é bom passar em certas ruas de Paris e ver as minhas fotos penduras por ai !
Sim mas isso é vaidade minha, no fundo detesto ser usado e além de mais ter de ser políticamente correcto. Pronto, devo confessar que estou um pouco irritado e diz-se que quando assim é convêm não falar do tema por algum tempo.

Para me acalmar vou comendo todos os museus e monumentos da Cidade: Louvre, Concorde, les Champ Elissés, todas as pontes, Notre Dame, Centro Pompidou (que maravilha para os olhos e para os sentidos), museu de Orsay, Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris, mais maravilhas que só visto.
Hoje finalmente Museu de Quai Brandly.

Sim, essa gente é completamente louca. Para se ver um Museu é preciso literalmente um dia inteiro, tanta é a quantidade de obras expostas e tão variada a qualidade (sempre do bom para o magnífico) que chego a casa com os pés doloridos de tanto estar “saquedo” conversando com todos os mestres da arte desde os tempos que não me atrevo a nomear.

Como o Caboverdiano “e rei di bom” chamar aos outros de bazófo, não me vou pra aqui a dizer nomes, basta dizer que estão literalmente todos, basta abrir um livro de história universal da arte e já está; aqui os encontrei a todos.
Pronto, não resisto apaixonei-me completamente pela pintura (que desconhecia) de Eugene Carriere e fiquei abismado pela surpresa de visitar uma exposicão de Dan Favlin. De cada Museu/Exposição saio com a sensação (apesar dos bilhetes serem caros, mesmo para bolsos do parisiense comum) de que valeu a pena.

De resto, como não podia deixar de ser, mulheres. Chamem-me nomes, botem pragas mas para mim a mulher é sempre um barómetro para qualificar qualquer cidade.
E Paris…meu Deus, Paris tem de tudo, se houvesse um catálogo, Paris seria a cidade onde o maior número de espécies (raras e não raras para não dizer vulgares) haveria.

Não me admira, que em certa altura aqui vinham parar todos os grandes artistas, à procura de inspiração, como não. Não há um minuto que seja, que não se me surpreende os sentidos com uma destas aparições, sim mas que frieza, que stress…Paris… depois de cumprir a minha agenda diária de visitas a museus e monumentos (guardo pormenores sobre a cidade em si para outra altura) ando pelo Metro ( lugar onde muitas descobertas antropológicas podem acontecer) ou me sento sereno num largo, jardim, praça à espera que me assombre a alma !…

Tudo isso, mas contudo as mulheres de Paris se lhes iguala a beleza e a tristeza, o encanto ao aborrecimento… mil vezes minha caboverdiana.

No Metro ando com o ouvido afinado a ver se oiço algum criolo… mas nada.

Fui ao Torre Eiffel e confirmei sua existência, ainda pensei em subir lá em cima e gritar uma palavras em criolo, já sabem, manias de badiu, mas bastou-me ver a fila gigantescas de pacientes japoneses, italianos e mais gente com mais hábito de turismo cultural que o caboverdiano (na verdade aqui sim sou uma espécie rara), para decidir que me contento com essa visão colossal do dito primeiro mundo: um monstro metálico que ergue sobre nossos pensamentos e nos consome.

Deito-me na relva, a sombra da torre e tenho uma revelação: o que Cabo Verde precisa é justamente uma torre Eiffel. Fazer com que os turistas italianos e os ingleses que hão de chegar, subam a exactos trezentos e vinte metros e por ai permaneçam.

Nós cá em baixo poderemos seguir tranquilos nossas vidas.

Abraão Vicente
trapitchicana@hotmail.com Posted by Picasa

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2 comments:

Maria disse...

abron ami ora kin cria n kre ser moda nho!

Anónimo disse...

ca bu squeci tra foto bu manda, num post claro.

tipo "+1 criolo na frança", remembering Bana e otos artistas a Paris

:)))