Nkrê un Son más Son...

quinta-feira, setembro 28, 2006

Dança das Ilhas - Pré-Lançamento


Ontem foi dia de pré-lançamento do CD “Dança das Ilhas” de Kim Alves.
Aconteceu no Espaço K e Kim convidou a imprensa, amigos e músicos para dar a conhecer o que ele mesmo considerou ser seu “presente” à música caboverdeana.

Eu sabia que ia ter pré-lançamento. Não sabia era que Kim ia “improvisar” e me convidar para na hora falar sobre “Dança das Ilhas”.
Não pude deixar Kim na mão. Ele que não nega nada, sobretudo a músicos quando lhe pedem para dar o seu melhor.

Assim, achei importante falar da pessoa do músico que é Kim Alves. Alguém que tem dado uma contribuição de valor à música de muita gente. Aquele que acredita sempre no projecto dos outros e o executa como sendo seu. Enfim, aquele ao abrir um Studio tem ajudado a muitos de nós a realizar os seus projectos.

Confesso que este foi o lado fácil da minha conversa.


O difícil mesmo era falar de “Dança das Ilhas”. Mesmo assim procurei deixar alguns comentários. Entendo que este trabalho tem um quê de síntese de muito o que é o repertório ou nuances da nossa música.

Como disse Gamal, “Dança das Ilhas” pode servir como um referencial etnográfico de valor para aqueles que querem estudar o nosso património musical.
Penso que Kim conseguiu conservar de forma inteligente a essência da nossa música tradicional ao mesmo tempo que procurou não trair a si próprio. Ou seja, trouxe a elevação e o elemento diferencial necessário.


Afinal a qualidade do músico, sua capacidade de execução apoiado por uma técnica particular fazem com que “Dança das Ilhas” seja também um corte em relação ao que é normalmente chamado de tradicional.
Aliás, correndo algum risco no comentário, deixei a impressão de que este trabalho conserva a lógica da tocatina ao mesmo tempo em que se distancia anos luz dela.

É que Kim introduz o (outro) segmento complexo à maioria dos temas, reflectindo não só o seu domínio do instrumento (instrumentos) como também o resultado de anos de audição e de exercício da música (“da ku inxada na tchon”). Tudo isso sempre á luz da qualidade, do rigor e da disciplina que o formatou desde casa e nas suas andanças pelo mundo.

Para mim o grande elemento deste trabalho é a dimensão qualidade de execução e o nível de exigência que Kim Alves propõe a si próprio.

Se assim não se entender, então convido a todos a ouvirem a interpretação dada ao hino “Doci Guerra” de Antero Simas.
Penso que para a guitarra este tema já tem uma versão de referência.

Desejo ao Kim saúde, muito sossego na vida para criar sempre e sobretudo à luz da humildade para estar sempre com os pés no chão junto daqueles que no dia a dia o acarinham e o inspiram de forma também simples para a música.

Posted by Picasa

1 comentário:

Anónimo disse...

Kim ... não te conheço... mas estou bastante curiosa... Aquele que é elogiado pelo Grande Gamal ...é digno de curiosidade! Espero que seja algo criativo pois deste lado estamos fartos de reproduções e sim queremos recontruções e/ou descontruções mas não repetições! Brilha bem para puderes brilhar as almas que têm sede do Brilho na noite de amanhã.
RUIVA

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