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O Son varia com a L´Atitude.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Baluka Brazão e Geração Pantera

Pela relevância do tema e da informação Son di Santiagu retoma um texto de Baluka publicado no asemana on-line.
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Há dias, numa das minhas divagações sobre o estado da cultura na nossa querida ilha de Santiago, escrevi um artigo, neste jornal, intitulado “Dêem-nos Música”, no qual me referi ao Pub Cruzêru e à antiga gestão do Quintal da Música, como exemplos na promoção de jovens talentos da nossa ilha.

A minha intenção era mostrar a necessidade de haver, em Cabo Verde, palcos onde os jovens talentos se possam mostrar e interagir com outros músicos experientes, para poderem ter alguma projecção.
Uma vez que não existem quaisquer escolas - a não ser o Pentagrama, a quem temos que reconhecer o esforço que tem feito para continuar a formar músicos cá na Praia - e as instituições estatais que poderiam ajudar nesse capítulo funcionam muito aquém das suas possibilidades e obrigações. Não me posso pronunciar sobre as outras ilhas, mas julgo que o panorama é idêntico ou pior do que se vive em Santiago.


Nesse meu discurso e pela reacção que pude observar nos média locais, pareceu-me ter sido injusto com a actual gestora do restaurante Quintal da Música. Devo dizer que não foi minha intenção criticar o que de bom se tem feito, mas sim, realçar o bom trabalho que se conseguiu fazer na altura, numa cooperação entre o Quintal da Música e o Pub Cruzêro. O ponto mais alto dessa cooperação foi o Festiquintal de Jazz, onde tivemos a oportunidade de apreciar bons concertos de músicos de renome internacional e nacional, bem como usufruir do convívio com esses mesmos artistas.
De facto, o que é importante realçar, é que esta nova geração de músicos de Santiago - a maior parte residente na Praia - aos quais se apelidou de Geração Pantera, e de quem nos podemos orgulhar, chegaram onde chegaram por terem usufruido de uma dinâmica pró-música existente na altura da sua projecção (deles músicos) na nossa urbe. É claro que talento é fundamental! Mas sem as oportunidades de se mostrar e poder conviver entre eles e com outros músicos de valor reconhecido, dificilmente chegariam onde hoje estão.


É exemplo disso o Tcheka. Músico que se tornou num amigo e com quem tive o prazer de compartilhar os primeiros passos como músico profissional. Falar da Geração Pantera ou Geração Ayan, implica falar obrigatoriamente de Orlando Pantera. Sem dúvida, uma das maiores referências da música de Santiago, juntamente com Carlos Martins (Catchás).
Pantera, como era conhecido pelos amigos e no mundo do espectáculo, foi um dos exemplos de como a formação e a interacção no campo artístico e musical se tornam num factor importante para o desenvolvimento das capacidades do artista. Quando o conheci, Pantera já era um reconhecido compositor e músico. Na altura, tinha frequentado aulas de jazz com o Ney Bettencourt e tocava no quarteto formado por: Ney Bettencourt (Guitarra); Pantera (Baixo); Raul Ribeiro (Bateria) e Casimiro (Trombone). Pantera era um baixista virtuoso, mas estava ainda longe de ser o músico e artista em que se viria a tornar. Terá sido por essa altura que Pantera começou a sua investigação sobre a música do interior de Santiago, usufruindo da oportunidade de estar a viver nesse tempo em Santa Catarina. Daí, Orlando Pantera partiu para uma temporada em Portugal, inserido no projecto de teatro de Clara Andermatt, juntamente com outros artistas cabo-verdianos, entre eles: Voginha, Malaquias e Nhelas.


Para mim essa foi a fase mais importante para a curta carreira de Orlando Pantera. Curta, porque apesar do legado que nos foi deixado por este músico de eleição, acredito que muito mais ficou por conhecer e apreciar pois apesar da sua já vasta obra, Pantera preparava-se para gravar o seu primeiro trabalho a solo acompanhado pelo grupo ARKORA, do qual também fazia parte.
Como dizia... para mim a experiência adquirida por Pantera na sua estadia em Portugal, revelou-se de extrema importância para a viragem que se viria a dar na sua carreira artística. Aí, ele aprendeu a cantar e a projectar a sua voz, bem como a expressão corporal em palco. Isso viria a fazer de Pantera um cantor imbatível actuando ao vivo. Para além de passar a cantar as suas composições - coisa que antes não fazia - Orlando Pantera conseguia transfigurar-se em cada um dos personagens que cantava nos seus temas. Em 1998 - se a memória não me trai - Pantera vem até Cabo Verde em digressão com o grupo de Clara Andermatt, para a apresentação da peça “A História da Dúvida”, na Praia e no Mindelo. Nessa oportunidade, Pantera fez algumas demonstrações dessa sua nova faceta artística no Tex, onde surpreendeu a todos quantos tiveram o privilégio de assistir a essas actuações ao vivo, acompanhado tão-só pelo seu violão e pelo Nhelas tocando percursão. O fenómeno não passou despercebido. Nem podia!
O Centro Cultural Francês - instituição atenta na promoção de talentos em Cabo Verde - convida Pantera para um concerto no seu espaço cultural no Platô e outro no Centro Cultural do Mindelo. Para esse efeito Pantera reúne três músicos: Ângelo, Raul e Kisó, colegas e amigos que já tinham um projecto em comum e formam o Grupo ARKORA. Ficou ainda combinado um terceiro concerto a realizar-se na Praia, após o regresso do grupo de Mindelo.

Esse concerto realizou-se no então Clube Náutico da Praia, e Deus sabe as dificuldades que tivemos para conseguir um patrocinador para esse evento. Foi um concerto memorável, para os que se deram ao trabalho de se deslocar ao Clube Náutico nessa noite. Pantera, cantou, dançou, brincou e encantou, pela forma como interpretou o repertório baseado no Batuko, Finaçon e Tabanka. Confirmava-se o nascimento de um novo Pantera.

As saudades da família que deixara em Cabo Verde e este sucesso inesperado, levaram Pantera à decisão de abandonar o projecto de teatro no qual já participava há cerca de três anos e regressar à terra-mãe, para começar a trabalhar no seu próprio projecto. Iria assim dar continuidade ao que escolheu fazer para o resto da sua vida. Envolveu-se em espectáculos, workshops e ensaios, visando não só transmitir os conhecimentos que adquirira, mas acima de tudo, preparar-se para a gravação do primeiro álbum a solo, acompanhado pelo seu grupo.

A esta nova geração de talentosos artistas que tinham apostado na música tradicional de Santiago, Pantera trouxe a mensagem: “BATUKO STA NA MODA”. Para eles, foi como uma afirmação das suas convicções e os resultados estão aí para todos os que se interessam pela música de Cabo Verde: Tcheka, o caso de maior sucesso neste grupo - cantor, músico e compositor extremamente engenhoso - já conta com dois discos gravados e que para além de ter ganho o prémio RFI, tem sido alvo de óptimas referências da critica internacional, bem como uma agenda bem recheada de concertos;

Vadú prepara-se para gravar o seu segundo disco e tem conseguido viver do seu talento; Mayra conseguiu um contrato com a Sony Music e prepara-se para gravar o seu primeiro trabalho a solo, para além de ter sempre uma agenda de espectáculos bem preenchida, tanto quanto consta; Gamal e o grupo Obá preparam-se para gravar o seu segundo disco e presumo que também eles irão incluir neste álbum algum tema de Pantera; Os Djingo, continuam na sua tranquila caminhada, aperfeiçoando aos poucos o seu estilo musical com raízes na música de Catchás. Espero que quando chegar o momento certo tenham os apoios necessários para conseguir gravar um disco. Talento não lhes falta!

Posted by Picasa

Princesito, um dos maiores talentos deste grupo e que em conversa de amigos já foi referenciado como o sucessor de Pantera, parece caminhar cada vez mais no sentido da sua confirmação. Falta-lhe uma banda suporte à altura. Pela sua participação em alguns discos em que tem participado, conseguiu fazer-nos crescer água na boca. Aguardamos ansiosamente pelo seu primeiro trabalho a solo.

Neste grupo, podemos ainda incluir o grupo de dança contemporânea Raiz di Polon, com o qual Pantera chegou a trabalhar após o seu regresso de Portugal. Pelo sucesso que já tinham alcançado, fazendo dança contemporânea assente nos ritmos do Santiago profundo e por terem sempre acreditado no seu talento inquestionável, são obrigatoriamente uma referência neste movimento que se gerou à volta deste Senhor da música de Cabo Verde. Até mesmo Lura, que não chegou a conhecer Pantera, acabou por usufruir desta aura que se gerou no seio deste movimento em prol desta nova génese da música crioula.

Pantera morreu a 2 de Março de 2001 em circunstâncias trágicas - no dia em que devia embarcar para Lisboa onde iria gravar o seu primeiro disco - deixando-nos suspensos na dor de ter perdido muito mais do que um grande amigo. A sensação foi também a de perder um artista singular que vinha mudar por completo a perspectiva que se tinha da música tradicional de Santiago e da musica cabo-verdiana, abrindo grandes oportunidades a toda esta geração chamada de “Geração Pantera”.
Posted by Picasa
Hoje, Pantera é a ponte que nos liga às nossas raízes! Para trás ficou o sonho de uma vida dedicada à música e à cultura. Mas ficou também a obra, a humildade de um espírito iluminado, e a frustração de não se ter feito o suficiente para manter viva esta chama que se acendeu na cultura cabo-verdiana.
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3 comentários:

KriaSon disse...

musika di Kabuverdianus sta passa pa un rivoluson grandi. E sata kontisi na Kabu Verdi, na Merka, y na restus di paisis undi ki Kabuverdianus sta.
Obrigadu Son di Santiago pa trabadju ki nhos sata fazi pa divulga nos muzika y nos artista.
Sta txeu grupo di jovens artistas na Merka ki sta fazi txeu pa nos kultura mas poku arguen ki sabi. Djudanu mostra nos trabadju. Nos e SondiSantiagu tambi.

Baluka

Anónimo disse...

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