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terça-feira, março 28, 2006

Tcheka - Entrevista na Paralelo14



Tcheka: “Nunca vou trocar Cabo Verde por nenhum país do mundo”

domingo, 26 março 2006
Tcheka está a “rolar no mapa” (Corsino Fortes) sobre as rodas do seu talento (e um empurrãozinho do Djô da Silva), como tantos outros artistas cabo-verdianos. Em Portugal, onde voltará a estar no África Festival, na Torre de Belém, a 7 de Julho, deu esta entrevista ao “Expresso África”, que “P14” transcreve com a devida vénia e muito orgulho. E reparem que “P14” nunca transcreve entrevistas. Só mesmo o carinho por Tcheka.Como começou a cantar? Comecei em casa com meu pai aos 9 anos. Ele necessitava de músicos. Inicialmente fui obrigado a aprender mas depois até fui pedir ao meu irmão mais velho para me ensinar. Quando fiz 18 fui para a capital, a Cidade da Praia, e a partir daí comecei a ouvir novas músicas e a aprender novos sons. Cabo Verde não é só mornas, embora elas sejam uma importante parte da nossa cultura. É conhecido pelo seu batuque. Como surge nas suas músicas esse som que antigamente era tocado pelas mulheres e proibido pela igreja? O batuque é muito característico da ilha de Santiago, era aí a maior concentração de escravos. Gostei do som e comecei a trabalhar nesse sentido. Antes só tocava morna e achei que devia tocar uma coisa diferente. Também porque fui impulsionado pelo meu amigo jornalista Júlio Rodrigues. Nunca estive numa escola para aprender, portanto foi tudo por ouvido. O seu primeiro álbum foi produzido por José da Silva, empresário de Cesária Évora. Conte-me como foi esse encontro? Estava a tocar num bar com esse meu amigo jornalista, e o José da Silva viu e achou interessante, disse-me que seria bom gravar um CD. Para ser sincero, eu nem sabia quem ele, só muito depois é que soube que ele era o empresário da Cesária. Nunca o levei a sério, até porque só soube dele passado quatro anos desse primeiro encontro. Depois voltaram-me a propor gravar uma maqueta, mas tal como da primeira vez as coisas só se concretizaram passados dois anos. Antes disso ainda fiz duas compilações uma delas a "Ayan". Fale-me do seu primeiro álbum “Argui”. Esse disco foi uma grande experiência para mim, até porque gravei com uma equipa muito boa. Incuti vários sons, porque a minha intenção na música é fazer coisas novas, ritmos diferentes, sem perder a base cabo-verdiana. A tchabeta foi um dos ritmos que utilizei. Assim, trouxe a música dos escravos, o batuque misturado com a guitarra. Canto em crioulo e não é por acaso, tenho mesmo vontade de assegurar que o crioulo não perca a sua identidade, ele é parte da nossa raiz. Compôs duas músicas, “Tabanka Assigo” e “Ma`n Ba Dês Bês Kumida Dâ” para a Lura. Como foi essa experiência? Nunca componho para os outros, apenas faço para mim. Mas se outra pessoa gostar de cantar o que faço, não me importo. Eu não conhecia a Lura e convidaram-me para fazer duas músicas para ela cantar e eu dei-lhas e ficou bem. Lançou recentemente o álbum “Nu Monda”, editado pela Lusafrica. Fale-me um pouco desse trabalho. Este álbum volta a ser mais um estudo da minha raiz cabo-verdiana com a ajuda da minha equipa. Dei o nome “Nu Monda”, que quer dizer o retirar das ervas daninhas, o retirar daquilo que não nos deixa crescer. Foi uma metáfora que utilizei propositadamente neste álbum. Juntei mais sons de Cabo Verde. Ainda há muitos para dar a conhecer, e é preciso espalhá-los por outros lados. Como surgiu o prémio RFI ( Radio France Internacional) que ganhou em 2005 em Dacar? Inicialmente não tinha ideia do que significava esse prémio. Fui seleccionado e ganhei. Fiquei contente, pois fui lá mostrar a minha terra e música. Foi um prémio do mundo, o que me dá imensa alegria. Esta iniciativa dá oportunidades aos artistas. Cabo Verde é e será sempre a sua inspiração? Nunca vou trocar Cabo Verde por nenhum país do mundo. A minha juventude foi lá e as minhas vivências também, portanto é lá a minha casa. Já lhe chamaram o cronista de Cabo Verde... Sim, porque acho importante falar sobre as coisas bonitas de lá. Se estivermos fora, então ainda vamos dar-lhes mais valor. Posted by Picasa

Mais sobre Tcheka em http://tcheka.blogspot.com .

1 comentário:

Anónimo disse...

"em Cabo verde encontra-se um terra branca e pura! muita luz para todos"

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