terça-feira, janeiro 17, 2006

Rituels de vie et de mort / Rituais de Vida e Morte

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Spera Santa.
Spera Santa
Une exposition d’ Abraão Vicente, au Centre Culturel Français de Praia, du jeudi 19 janvier au samedi 4 février 2006.

Abraão Vicente, photographe et artiste plastique, partage ses activités entre Barcelone, où il dirige un centre d’art contemporain, et Praia. Cette exposition constitue le premier volet d’un reportage photographique plus ample sur l’ensemble de l’archipel, en cours de réalisation avec l’appui du CCF.

“Pintamos porque la vida no basta. ¿Dije yo eso o lo leí en alguna parte? Creo que es mío. En cualquier caso aquí la vida si basta. Es casi excesiva. Un buen lugar para parar.” Fala assim Miguel Barceló de Gao, Mali, em “Cuadernos de África”. Tomo a liberdade de plagiar-lhe por inteiro. A pintura porque a vida não chega, não satisfaz. Contudo a fotografia porque aqui sim, a vida basta.

“Rituais de Vida e Morte” porque tinha já razão o poeta quanto sonhou “ a vida é um palco e todos nós somos actores, cada um com seu papel a desempenhar”. Recorrentemente os não ocidentais desempenham o papel de exóticos nesse jogo de história, caracterização, representação, identidade e máscaras. Ninguém pede razões e ninguém se os vai dar aqui. A fotografia contemporânea mais que a representação apresenta-se como um instrumento de manipulação do tempo. Do tempo relativo e do tempo absoluto. Ou será a negação do próprio tempo? Desconheço a resposta obvia, mas por certo é a descontextualização de um fragmento da história, uma certa desconstrução do tempo passado, a apresentação de um momento presente como testemunho de um tempo que há de vir.

Em “Rituais de Vida e Morte” o humano alcança preponderância face á paisagem, a teatralização suprime num jogo de símbolos a mera representação do homem, da mulher, da criança, enfim, de qualquer elemento que pode supor o típico ou o exótico. A composição da área fotográfica assume importância por negação do acaso. Cada momento é evocado como um acto de criação, tão consciente como construído pela objectiva do fotógrafo. O tradicional e o moderno, o pagão e o religioso, a rotina e a casualidade, a luz e a sombra, as máscaras e as máscaras. Em última instancia “Rituais de Vida e Morte” visa normalizar cenas da vida de todos os dias, momentos que existem independentemente da nossa percepção, aquela poesia que existe em gestos e rituais tantas vezes repetidas que por vezes passam desapercebidas. Tenho na memória uma parede qualquer em Alfama, Lisboa onde alguém pintou “We are not typical”, nós também não. “Rituais de Vida e Morte” é apesar do corpo o espírito de Cabo Verde.

Abraão Vicente
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